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Penn World Tables, versão 8

Eis um artigo muito legal sobre o problema de mensuração de dados internacionais. Sim, estamos falando da Penn World Tables. Aí vai o resumo.

Feenstra, Robert C., Robert Inklaar, and Marcel P. Timmer. 2015. “The Next Generation of the Penn World Table.” American Economic Review, 105(10): 3150-82.
Abstract

We describe the theory and practice of real GDP comparisons across countries and over time. Version 8 of the Penn World Table expands on previous versions in three respects. First, in addition to comparisons of living standards using components of real GDP on the expenditure side, we provide a measure of productive capacity, called real GDP on the output side. Second, growth rates are benchmarked to multiple years of cross-country price data so they are less sensitive to new benchmark data. Third, data on capital stocks and productivity are (re)introduced. Applications including the Balassa-Samuelson effect and development accounting are discussed. (JEL C43, C82, E01, E23, I31, O47)

Repare que os usuários do R têm um recurso ótimo neste caso: o pacote pwt8 que é uma atualização do pwt. Ambos são do grande Achim Zeileis, figura conhecida no meio da econometria em R. Já mostrei alguns exemplos, neste blog (pesquise!) de usos da pwt8. Mas é legal ter o artigo aí em cima do lado do computador quando for passar da brincadeira para algo mais sério. O exemplo do efeito Balassa-Samuelson é muito bacana e até pensei em reproduzí-lo aqui, mas acho que já está bom por hoje.

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A Lei Férrea da Estupidez Intelectual

This Bach is on fire!

Eis aí uma lei válida do marxismo (Lei de Claudio-Marx-Keynes-Schumpeter, copyright requerido): A lei da piora intelectual do marxismo moderno (nem Merquior iria me bater nesta!)

Explicando a minha lei científica (não é utópica!) tão sensacional que já é, instantaneamente, um clássico da literatura marxiana.

“O desenvolvimento das forças de produção gerará uma substituição da mão-de-obra por maquinário. A mão-de-obra, então, para não cair no ‘exército industrial de reserva’, escreverá críticas sociais para jornais ou se transformarão em tuiteiros e blogueiros.

A qualidade do pensamento intelectual marxista será muito pior ao longo do tempo, pois existe o retorno decrescente ricardiano no uso da massa de inteligência da sociedade (que, não se esqueçam, é alienada). Assim, os primeiros intelectuais pós-Marx serão até bonzinhos, mas, com o passar do tempo, a militância terá que ocupar o trabalho (e o intelecto) de pior qualidade e as análises piorarão ao longo do tempo”.

Pronto. Fiz minha contribuição ao marxismo contemporâneo. Vou mandar minha conta bancária para o envio de sanduíches de mortadela financiados com o fundo partidário, ok?

p.s. UPDATE: Corolário – Dada a revolucionária teoria do “centro-periferia”, a queda de qualidade acontecerá primeiramente em países da periferia. Prova (anedótica): abra seu jornal ou veja alguns blogs em língua portuguesa do Brasil.

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Omissão de variáveis: o caso da Suécia

Excelente ponto. Só reforça o que sempre digo (e alunos que só pensam com a viseira equina da ideologia existem nas faculdades privadas tanto quanto nas públicas, não importa a ideologia): você tem que fazer uma boa revisão da literatura e não tem, como acadêmico, o direito de omitir fatos e evidências.

Pois a Suécia tem fechado presídios e tem muitos programas sociais? Sim. Mas a maioridade penal é aos 15 anos e o porte de armas é de padrão, digamos, norte-americano. Logo, no mínimo, tem que tomar cuidado antes de sair falando do assunto por aí.

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O poema que tinha todas as letras do alfabeto…japonês e a alfabetização espontânea

Calma, não falo dos caracteres chineses, mas sim do alfabeto “kana”, aquele que é apenas relativo aos sons. As informações iniciais são deste ótimo verbete da Wikipedia. Olha o poeminha aí (chamado “Iroha”).

以 呂 波 耳 本 部 止
千 利 奴 流 乎 和 加
餘 多 連 曽 津 祢 那
良 牟 有 為 能 於 久
耶 万 計 不 己 衣 天
阿 佐 伎 喩 女 美 之
恵 比 毛 勢 須

Opa, ficou difícil, né? Nem eu consigo ler isto. O que é distintivo neste pequeno poema? Ele inclui todos os sons básicos da língua japonesa (as vogais: a, i, u, e, o e as silábicas básicas: ka, sa, ta, etc, exceto o “n” que aparece ainda assim pois seu som pode ser contado como “mu” na língua japonesa). Que tal uma tradução?

Although its scent still lingers on
the form of a flower has scattered away
For whom will the glory
of this world remain unchanged?
Arriving today at the yonder side of the deep mountains
of evanescent existence
We shall never allow ourselves to drift away
intoxicated, in the world of shallow dreams.

Agora para o que não está na Wikipedia: o poema provavelmente foi escrito antes de 1079. Segundo Seeley (1991), o poema foi essencial na disseminação da língua escrita japonesa (capital humano!). Diz o autor:

Although the original purpose of the Iroha and several other mnemonic verses of about the same period – the Ametsuchi no kotoba and Taini no uta – is a matter of scholarly dispute, it is generally agreed that the Iroha came to be used extensively for elementary writing practice. This verse consists of forty-seven signs (or syllables), and since with the exception of お and を each of these represented a separate phonemic syllable until about 1200, it was considered that  お and を were to be regarded as separate signs, and not simply to be used interchangeably. In this way, the Iroha served as an inventory of the basic kana to be distinguished in use. In an age when a number of different kana were often employed to represent one and the same syllable, there was a clear need for an inventory of this type. [Seeley, Christopher (1991). A History of Writing in Japan, University of Hawai’i Press, 106-107]

A língua é tida como um ótimo exemplo de ordem espontânea (o conceito é de Hayek, Friedrich) e não vejo um belo exemplo de ordem espontânea assim há tempos. Em outras palavras, a existência de diversos poemas em uma época em que a língua escrita ainda está em formação (no sentido de que não havia uma forma única de se traduzir os caracteres chineses), vários poemas surgem, possivelmente porque os poetas queriam um jeito simples de se lembrarem dos fonemas. É neste contexto que aparece o Iroha.

Discussão adicional de internautas (não necessariamente especialistas, logo, pode conter erros) sobre o poema aqui.

 

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Aquela equação de Slutsky que você desprezou…

One of the most explored issues is the implications of shocks for education and labor market insertion decisions. Since the opportunity cost of investing time in the schooling system increases with age, the normal household reaction to an unexpected economic shock tends to be to shift the use of time for younger members from education to labor market activities due to a negative income effect. However, if the shock also results in lower wages, the implication can be a substitution towards school enrollment through a substitution effect due to a reduction in the opportunity cost of remaining in educational activities. In the end, the balance between income and substitution effects is an empirical matter. 

Pronto, citei.