A nova macroeconomia de Chicago-Brasília (uma piada inevitável)

Vou ter que fazer a piada: Levy disse que devemos encarar aumento de imposto como investimento. Ou seja, o investimento, que é a variação no estoque de capital, é, agora, aumento de imposto. Nada contra o ministro, mas não dá para não fazer a piada.

Utilizarei o raciocínio da Nova Álgebra Linear (aquela da Nova Matriz Econômica que é parente da Contabilidade Criativa).

A nova heterodoxia – I

Assim, como aprendemos em Macroeconomia, o aumento de estoque de capital pode ser pensado como aumento de imposto. Logo, quanto maior o aumento de imposto, maior o investimento. (pensando no multiplicador-acelerador-freio-tração-nas-quatro-rodas de Samuelson-Levy)

p.s. não venham me acusar de anti-semitismo, heim? ^_^

A nova heterodoxia – II

Seja um modelo keynesiano simples. À identidade keynesiana Y = C + I + G incluímos a emenda de Levy:

C = a + bYd
I = dt (emenda de Levy)
G = Z
Yd = Y – T
T = tY

Temos a, b, k > 0 (parâmetros) e Z é o valor constante do gasto. Yd é a renda disponível e t é a alíquota do imposto. Obviamente, dt = é a variação absoluta da alíquota de imposto (não estamos usando logaritmos neoclássicos).

Y = a +b(Y-tY) + dt + Z

Y (1 – b + bt) = (a + Z + dt)

Y = (a + Z + dt)/(1 – b + bt)

Suponha que queiramos saber qual é o impacto de um aumento na alíquota de imposto sobre o produto. A conta é mais complexa e diversa, mas podemos pensar sob a ótica da economia bolivariano-novo-matriz-economicista (também conhecida como teoria econômica dos pixulecos). Usamos a diferencial total neoliberal (até que se use a nova matemática heterodoxo-revolucionária, é o melhor que podemos fazer) para obter:

dY/dt = [d²t/(1 -b + bt)] – (ab – Zb – dt)dt/[(1 – b + bt)²]

Percebe-se que a nova expressão é muito mais rica e socialmente correta do que a aquela ensinada nas escolas de orientação neoclássica. Simulações ficam a cargo do leitor heterodoxo.

A nova heterodoxia – III

Ora bolas, Levy falou em eventuais aumentos de impostos como investimento. O leitor mais sofisticado (apenas do ponto-de-vista neoliberal. Do ponto-de-vista progressista, é um burro) sabe que se é eventual, então ocorre de vez em quando.

A abordagem ganha microfundamentos! Bem, suponha que o imposto possa ser pensado como uma soma de uma parte antecipada e uma aleatória, imprevisível (tal como o bom humor deste que vos escreve, agora bem humorado…acho). Neste caso, ele possui uma parte previsível e uma imprevisível e, apenas nesta última poderíamos falar de investimento.

Para o leitor apreciar esta maravilhosa obra da heterodoxia, pense no seguinte:

T = Tf + e (em que Tf é a parte previsível e “e” é um erro aleatório, i.i.d., N(0,1)).

Neste caso, o investimento apenas ocorrerá em “e”. Melhor dizendo, apenas variações positivas de e serão investimento. Ou seja, apenas teremos o investimento igual às variações eventuais de “e” ou, usando a linguagem algébrica da Nova Matriz Econômica:

I = de, desde que de > 0 (oh!!!)

Repare que como I = de e de > 0, então é verdade que I > 0 sempre (…que de > 0).

É preciso pensar mais nestas inovações que o Brasil faz à Teoria Econômica. As coisas não podem ser tão simples, não é? A realidade é muito complexa e estes modelos popperianos dos economistas mainstream não servem para nada.

Conclusão

É, leitor. Levar ao pé da letra o que o Levy disse é um recurso humorístico. Claro que ele não quis dizer isto (mas muita gente parece acreditar que…). Mesmo assim, temos estudos sobre ajustes fiscais mostrando que quando os mesmos são feitos por cortes de gastos, o crescimento gerado posteriormente é maior do que os que são feitos via aumentos de impostos. Eu e vários economistas (ou blogueiros, ou ambos) já citamos um artigos destes aqui.

Mas é tragicômica a manchete do jornal. Tive que fazer a piada (algo esotérica). Não resisti. Fui vítima de meu mau humor com tudo o que acontece neste país onde pessoas não estudam, bloqueiam inovações, etc (tudo aquilo que está no texto do Marcos Mendes reproduzido no post do Selva Brasilis citado no post anterior a este neste blog).

Bom final de semana.

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Uma resposta em “A nova macroeconomia de Chicago-Brasília (uma piada inevitável)

  1. Já final de semana? OU quis dizer final de país? Neste país até as ideias de Chi/cago, podem vir apresentar mal cheiro. A velha nova matriz macroeconômica, parece um cadáver (adiado) a procriar. Hayek e Friedman devem estar perplexos com tanta heterodoxia tupiniquim.

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