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Federalismo Preservador de Mercados vs Federalismo de Compadrio: novos elementos para o debate

Eu me perguntava lá em 1998: as emancipações de municípios em Minas Gerais irão gerar ganhos de bem-estar? Era difícil responder porque o fenômeno era recente. Mas, passado algum tempo, eis que alguém retoma o tema (embora não tenha lido meu trabalho). Conclusão?

The aim of this paper is to verify the impact of the municipality’s secession in public expenditures and its relation to the economies of scale. Based in a Differences-in-Differences methodology and analyzing the period 1991-2000, is shown that those municipalities that suffered an emancipatory process increased their per capita capital expenditures by 31.9%. This result was robust to different forms of selection bias. In addition, we show evidence that this increase in expenses is associated with reduced economies of scale, since the municipalities became smaller. [Secession of Municipalities and Economies of Scale: evidences from Brazil. Available from: https://www.researchgate.net/publication/280939158_Secession_of_Municipalities_and_Economies_of_Scale_evidences_from_Brazil [accessed Sep 6, 2015]]
Ou seja, parece que, novamente, a discussão sobre descentralização, centralização, enfim, sobre tipos de federalismo, volta a ganhar espaço. O ponto teórico dos autores é diferente do meu. Fala-se de economia regional e urbana e outros tópicos mais mainstraeam, mas eu acho interessante lembrar sempre a questão levantada por Weingast & McKinnon naquele antigo artigo sobre o Market Preserving Federalism. Ainda acho que é um enquadramento teórico mais útil para entender nossa realidade.
Mas não vou mentir: gostei de ver um novo artigo sobre este tema. Pudesse sugerir, eu diria aos autores: incluam uma discussão do último capítulo do livro de Drazen, o Political Economy in Macroeconomics, que é uma bela referência e com interseções interessantes com o que vocês fizeram.
p.s. salvo engano, o Raul é um antigo conhecido meu, mas não tenho certeza.
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Uber salva desempregados, embora a presidente diga, acredite-me, que não

No Estadão de hoje, mais uma evidência de que a presidente é a última pessoa do mundo com a qual você deveriar conversar para entender de Economia. Reproduzo um trecho minúsculo:

“Ficaram desempregados no iníciodeste ano e,sem perspectiva de voltar ao mercado de trabalho, viraram motoristas do Uber, o polêmico aplicativo que conecta motoristas particulares e passageiros”.

Não é o Uber que desemprega, é a pedalada fiscal que mostra a dominância fiscal (vide artigo do prof. Pastore no mesmo jornal) que gera uma dinâmica de piora institucional e econômica que enfraquece o poder das políticas monetária e fiscal (ou mesmo cambial, para quem curte).

Resultado? Um governo que tenta gerar impacto com medidas desesperadas, no melhor estilo bolivariano, com tentativas de sabotar o funcionamento dos mercados (intervenção sem lógica em transações voluntárias de consumidores e empresas de diversos setores, desprezo pelos bons efeitos de bem-estar de um maior nível de concorrência, etc).

Moral da história? Não basta ler o teleprompter ou contratar um bom ghostwriter, tem que pensar antes de falar de um tema tão importante quanto à economia. Eu mesmo estou aqui, sujeito a erros, mas sempre faço o alerta.