Problemas de principal-agente no Brasil…colônia: Antonil

Os braços de que se vale o senhor do engenho para o bom governo da gente e da fazenda, são os feitores. Porém, se cada um deles quiser ser cabeça, será o governo monstruoso e um verdadeiro retrato do cão Cérbero, a quem os poetas fabulosamente dão três cabeças. Eu não digo que se não dê autoridade aos feitores; digo que esta autoridade há de ser bem ordenada e dependente, não absoluta, de sorte que os menores se hajam com subordinação ao maior, e todos ao senhor a quem servem. [Antonil, A.J. (1982) [original de 1711], Cultura e Opulência do Brasil. Ed. Itatiaia, p.83]

Já dizia o velho Antonil: na prática, a administração de recursos escassos não se dá sem bons incentivos. Bom, ele disse isso de outra forma, mais poética, mas alguém discordará de minha interpretação? Olha que, na vida real, este é um problema bem comum (veja, por exemplo, o que dizem os experimentos em laboratório).

A citação do Antonil parece inocente e simples à primeira vista, eu sei. Mas se você estudou um pouco de problemas de principal-agente, certamente irá enxergá-la com olhos mais, digamos, de economista, ou seja, pensando no problema dos incentivos. ^_^

antonil

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