Pode ser restaurante de sushi, uber ou táxis: a história é a mesma.

Fullscreen capture 742014 110234 AM

Seus empregos vão sumir…búúúúú….

Em duas partes (aqui e aqui), o autor, H.D. Miller, conta a história do primeiro restaurante de sushi nos EUA. Surpreendentemente, ele existiu no início do século XX, nos idos de 1904-5, na California.

Mas o mais legal é que os restaurantes japoneses da época eram de dois tipos: os que serviam comida japonesa e os que eram apenas de donos japoneses, mas serviam comida local. A qualidade da comida era tão boa quanto e os preços, menores. Resultado? Os outros donos de restaurantes resolveram…boicotá-los!

In 1902, Spokane’s Local 485 organized a boycott of a ten-cent Japanese restaurant run by a Mr. K. Takahashi. Unfortunately, it was an imperfect tactic, one that did not succeed, mainly because it was hard for workingmen to turn down a cheap meal. So hard, that the union had to institute a $2.50 fine for any member caught entering a Japanese restaurant.

But there were some successes. In 1907, unions and American restaurant owners succeeded in convincing the Seattle city council to mandate a fifteen cent minimum price for a meal, erasing part of the Japanese price advantage.

Familiar, não? Exato. É a mesma história do Uber vs táxis e de tantas outras disputas. Não se convenceu? Veja como a selvageria de alguns taxistas brasileiros não é tão distinta assim da que alguns californianos manifestaram na época.

And in San Francisco, in December of 1906, unions conspired with the corrupt mayor, Eugene Schmitz, former head of the Musicians Union , to get Japanese children banned from public schools.

But the Japanese restaurants still prospered, as did the cut-rate Japanese barbers and laundrymen.

Banir crianças da escola pela etnia porque seus pais vendem comida a um preço menor? Não me parece muito razoável, não? Lembra até o Gary Becker nos dizendo que mercados podem mitigar a discriminação racial (já que a única preocupação do empresário é com a eficiência do trabalhador, não se sua pele é verde clara ou azul turquesa), não lembra? Ah, e quanto a arrancar uma repórter de um Uber e dar uma surra no motorista? Não parece com a punição sobre crianças? Acho bastante similar.

É em momentos como este que surgem discursos muitos sedutores – faustianos? – sobre como a concorrência é, supostamente, maligna e como você vai perder empregos se não espancar uns motoristas ou discriminar uns meninos de escolas públicas (lembre-se do que sempre repito aqui: emporiofóbicos existem e surgem das trevas nestas horas). Ou seja, pelo aspecto humano, não vale a pena ser contra a competição, alma do mecanismo de mercado.

Mas mesmo que você seja bem insensível a este aspecto, ainda assim há outro argumento: evitar que as pessoas tenham acesso a maior diversidade de bens e serviços que só sobrevivem porque conseguem ser mais baratos é privilegiar poucos em detrimento de muitos e, digo mais, este privilégio não é bom nem para os poucos. Você fica aí falando do Piketty, mas não prestou atenção em outro fato: dados mostram que a tecnologia mais criou empregos do que destruiu, nos últimos 140 anos.

Pois é. História interessante esta, não? O chato é que não tenho um sushi para comer agora. Vai ter que ser um pão com manteiga mesmo.

Anúncios

3 respostas em “Pode ser restaurante de sushi, uber ou táxis: a história é a mesma.

  1. Pingback: Outro ponto na discussão sobre transporte de pessoas: o custo do insumo (e um resumo de quase tudo que já escrevi aqui antes sobre o caso “Uber”) | De Gustibus Non Est Disputandum

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s