A diferença entre o básico e o avançado: uma nota didática

Comprei o Dynamic Economics, do Adda e Cooper, MIT Press, 2003. Não é um livro recente, mas ele tem uma chamada didática importante para quem leciona.

Vou parafrasear os autores: imagine que você queira entender os impactos econômicos de uma política de vários governos europeus que é a de subsidiziar o sucateamento de carros velhos e a compra de carros novos.

Um aluno do curso básico provavelmente ficaria feliz em ‘conhecer’ a demanda de carros. Sim, um aluno mais atento, mas ainda do curso básico, diria que seria importante ter uma função demanda.

Como professor do curso básico, eu diria que a resposta seria razoável e, claro, a gente poderia passar para algum exercício algébrico.

Mas, como dizem os autores, esta função demanda poderia ser pouco útil porque, por exemplo, a função demanda poderia variar com mudanças de políticas governamentais e, portanto, a abordagem básica seria insuficiente.

Então, dizem os autores (ainda estou parafraseando, ok?): poderíamos construir e estimar um modelo dinâmico da escolha individual sobre a propriedade de carros. Uma vez que estimássemos os parâmetros da demanda derivada deste exercício, passaríamos ao estudo dos impactos da política citada acima.

Obviamente, alunos que já passaram por alguma disciplina que tenha microfundamentos da macroeconomia têm alguma idéia do que se passa aqui. Alunos mais iniciantes ainda podem achar isso tudo muito confuso. Não importa. O que importa é que todos sabem que o problema pode ser abordado de forma superficial com gradativo aprofundamento conforme o grau de conhecimento.

Acho que agora já está claro, não? O cara que começa um curso de Ciências Econômicas e acha que não viu o que ele achava que tinha que ver e abandona com uma semana de aula foi mais um derrotado pela impaciência. Afinal, para se chegar a uma abordagem mais profunda, primeiro, você tem que passar pela abordagem mais básica (afinal, como saber das limitações da abordagem básica sem conhecê-la muito bem?).

Há uma ordem no aprendizado das coisas, ainda que sob diferentes métodos de ensino. E há uma característica comum a alunos que têm sucesso: paciência.

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