Incentivos importam: os idosos no avião e as instituições

Quem nunca viu aquela fila de idosos na fila preferencial na hora do embarque em um vôo? Agora, como os mesmos idosos se comportam quando o avião pousa?

Recentemente tive esta curiosa experiência. Sentado, com uma vontade louca de tirar o cinto de segurança já que o avião já andava lentamente para o acoplamento daquele corredor móvel que nos possibilitaria o desembarque, não pude deixar de observar vários daqueles idosos – que pareciam tão frágeis – tirarem o cinto e levantarem-se, junto com vários outros passageiros, bem antes da liberação oficial.

Viajo de avião há algum tempo, mas de uns 10 anos para cá – acho que esta é uma boa estimativa – vejo que brasileiros (eu mesmo já fiz isso, embora uma certa culpa católica me incomode de vez em quando) – gradativamente involuíram no respeito às regras que regem a segurança de um vôo e é sempre na chegada, no momento em que o avião tocou a pista. Não tem jeito: pousou, ouço alguns cintos sendo liberados.

Mas idosos? Acho que foi a primeira vez. Claro, não são todos. Entretanto, alguns deles não seriam minha aposta.

Novamente, a questão é de incentivos e ninguém duvida disto. Mas acho curioso que idosos, geralmente os símbolos de um tempo em que educação (no sentido de respeito e cortesia) era a regra, serem tão desrespeitosos quando os mais jovens. Para mim, que tinha uma expectativa mais elevada quanto à maioria (pelo menos a maioria…) dos idosos, foi um pouco triste observar isto.

Digo isto tudo porque sempre ouço uns pré-conceitos sobre idosos serem sempre mais educados que os mais novos. Nada disso. Grosseria, falta de educação ou mesmo o desrespeito às regras de segurança de uma aeronave (ou ônibus, trem, barco, etc) não é um privilégio triste de jovens: idosos também têm maus comportamentos.

Agora, uma coisa eu não sei ao certo: será que em outros países, o fenômeno se repete com a mesma intensidade? Note, são duas perguntas: (a) ele se repete e (b) com a mesma intensidade. Digo isto porque imagino que velhos mal educados existam no Nepal, bem como nos EUA ou no Brasil. Mas será que os incentivos mudaram da mesma forma para todos os vôos? Mais ainda? Quanto disto é reflexo da leniência de uma sociedade com crimes?

No fundo, eu queria mesmo era fazer uma pergunta sobre instituições. Talvez meus amigos que viajam mais pelo mundo possam me ajudar na evidência anedótica.

p.s. com o envelhecimento da população, em breve, vão ter que acabar com as filas preferenciais.

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