Gays perdem sob leis socialistas? E o PIB? – Respondendo a um leitor do blog

Carlos Góes fez a ótima observação no livro de caras que posso resumir como: não é a bufunfa que, no fundo, dá a correlação com o bem-estar? Eu concordo com ele: como já disse por aqui, só correlações bivariadas (ou mesmo multivariadas) não nos dão muito além de um bom insight.

Mas para não entrar em uma análise muito profunda, eis, para saciar o leitor, outra correlação. Desta vez, entre o Gay Happiness Score e o PIB per capita de 2000 dos países (ambos em logaritmos e o PIB vem de um artigo do Ross Levine cuja referência me escapa agora).

gay_gdpO tamanho da bolotinha do país é proporcional ao nível do capital humano tal como medido por Barro & Lee, na versão mais recente (2010) e a cor da bolotinha é: azul para países cujo código legal é de origem inglesa e preta caso contrário.

Um breve exercício de econometria 

Eu concordo com o Carlos Góes: o grande passo para seguir adiante nesta análise é pensar nas variáveis omitidas. Para começar a brincadeira, estimei um modelo no qual o bem-estar dos gays é regredido com o PIB per capita de 2000, uma dummy que assume valor unitário quando o código legal do país é de origem socialista e zero caso contrário e usei como instrumentos o valor absoluto da latitude do país e o capital humano do país em 1990.

O que encontrei?

gay_gdp_2

Bem, aí está. Entre nenhum resultado e algum resultado, graças à sugestão do leitor Carlos Góes, temos algo aqui. Supondo que a variável dependente seja uma boa medida do bem-estar dos gays, então, um aumento de 1% do PIB per capita do país gera um aumento de 0.254% no bem-estar gay.

Para interpretar o impacto da dummy da origem legal socialista, devemos tomar mais cuidado, como alerta o prof. Giles aqui. No caso, um país que passa de não-socialista para socialista levaria a uma variação de  100[exp(-0.141) – 1] = -13.15% no bem-estar gay.  No caso de um país socialista que deixa de sê-lo (ou seja quando a dummy varia de 1 para 0), o efeito é de um aumento de (100[exp(-(-0.141) – 1]) 15.14%.

Tomando este exercício para fins retóricos, novamente, eu levanto a questão: será que gays liberais são forçados para dentro do armário pelo preconceito dos gays coletivistas?

Claro que é preciso mais do que um exercício simples e uma página bonita (não é o caso deste blog) na internet para que estimações sejam levadas a sério (lembre-se que estou com uma baita insônia, garganta ruim e um mau humor demoníaco e, claro, caso eu fosse fazer uma pesquisa sobre isto, eu não faria apenas uma regressão, mas várias), mas acho que vale o ponto didático (sobre a regressão e a interpretação do coeficiente da dummy) e também a questão sobre ir além da correlação para algo um pouco mais investigativo.

Até a próxima.

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