E a escravidão, heim?

Este ótimo texto da profa Bertocchi tem um resumo que é útil para responder minha descontraída pergunta:

Within a county-level analysis of the state of São Paulo, the largest in the country, Summerhill (2010) finds that the intensity of slavery has a negligible effect on income in 2000. Moreover, a measure of agricultural inequality for 1905 exerts no negative influence on long-term development. He therefore concludes that neither slavery nor historical inequality have a discernable economic effect in the long run. However, a negative influence of past slavery emerges in other studies that concentrate on human capital formation. Across Brazilian federal units, Wegenast (2010) uncovers a negative correlation between past land inequality, which was strongly correlated with the presence of crops suitable for the use of slave labor and thus with slavery, and quantitative and qualitative measures of contemporary education, such as secondary school attendance in 2000 and school quality in 2005. In the latifundia system based on slave labor, landlords historically had no incentive to develop mass educational institutions, and this attitude persisted even after abolition in 1888, with consequences still visible today.

Pois é. Evidências mistas, né? No mínimo, para começarmos a discussão, é preciso estudar um pouco os dados e sair do mundo fácil e (potencialmente) enganador das correlações parciais. Mais adiante, no mesmo texto, a autora afirma (e eu concordo):

These mixed results may be due to the confounding influence of other interacting factors common to the South-Central America experience, such as the generally slow expansion of mass education – irrespectively of race – on the one hand (see Mariscal and Sokoloff, 2000) and a culture of assimilation favoring integration and racial mixing on the other.

Sei que tem gente que não gosta disto, acha que só há um tipo de escravidão e que tudo é igual aqui ou nos EUA, mas, infelizmente – para esta galera – a realidade é muito mais rica no que a análise das evidências nos mostra.

Uma característica bacana do texto é o uso simples e despretencioso de regressões simples, estimadas pelo MQO (o famoso OLS, em inglês). Há quem não entenda que mesmo regressões simples podem ser extremamente úteis desde que corretamente adequadas à argumentação do autor. A profa Bertocchi faz isto muito bem. Recomendo a leitura do texto, mesmo sendo apenas um texto para discussão.

escravoobediente

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