Maximização do tamanho do clube e os protestos de 2013: uma breve nota sobre o livro de Flávio Morgenstern

Quem não se lembra da Teoria dos Clubes, de James Buchanan? O Leo Monasterio adora o Teorema de Alchian-Allen e eu, como ele, tenho meus favoritos na literatura econômica. Também gosto do citado teorema, mas também curto muito a teoria dos clubes (e os benefícios concentrados com custos dispersos).

Falo isto tudo porque comecei a ler o ótimo livro do Flavio Morgenstern e me deparei com esta interessante proposição:

Os teóricos dos movimentos sociais conhecem, discutem e criam diversas estratégias para que as manifestações públicas consigam chamar ‘o máximo possível de pessoas’. Dizer qual é seu objetivo chamará apenas as pessoas que ‘já concordam com ele’ – o que nem sempre resultará em um número significativo. Não dar de cara toda a sua agenda pode ser uma arma estratégica muito boa, porque, além dos seus cupinchas, uma manifestação pode receber ainda apoio expressivo de numerosas pessoas que não entenderam bem por que razão aderiram a ela… [Morgenstern, F. (2015): 39]

A questão, então, é a mesma colocada por Buchanan em seu clássico artigo: como encontrar o número ótimo de participantes do ‘clube’, no caso, da manifestação? A similaridade, contudo, tem que ser qualificada. Afinal, uma ‘manifestação’ não é um clube no sentido tradicional do termo. É, no máximo, um clube de curta duração (se bem que o objetivo poderia ser maximizar uma sequência temporal de clubes de curta duração…).

Interessante notar também outro ponto colocado pelo autor: esta maximização pode ser mais eficiente se você diminui a quantidade de informação disponível no curto prazo. Vale dizer: o clube, o clube mesmo, é de longo prazo, mais restrito, apenas com sócios (nefastos sócios?) mas, para que ele atinja seus objetivos, é necessário ter um número maior de indivíduos no curto prazo (para encher as manifestações).

Não há como não se lembrar das teorias dos sindicatos (aquele resumo bom, lá dos anos 90, bem resenhadas naquele livrinho da Hucitec, escrito pelo economista Edward Amadeo. Também não há como não lembrar das eternas discussões de Escolha Pública sobre os partidos políticos, competições eleitorais, etc.

Talvez nos falte, creio, uma teoria geral de Escolha Pública, na qual grupos de interesse se utilizam de partidos políticos ou revoluções (e, no meio disto, na zona cinzenta, ‘manifestações’) para alcançarem seus objetivos. Uma leitura interessante do livro do Morgenstern seria esta. Digo, levem o livro para a sala de aula, peguem o manual de Escolha Pública, e comecem a notar a quantidade imensa de exemplos que o livro nos fornece.

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p.s. Infelizmente, não recebi nem um único trocado para fazer esta publicidade gratuita do livro. O capitalismo é realmante terrível, nunca recebo o que creio ser o meu merecido retorno pecuniário… ^_^

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