A outra arrogância fatal

Tem aluno que chega para mim e fala: “- Vou fazer mestrado em Estatística porque lá, sim, é que se aprende o que preciso para fazer Economia”.

Como todo leitor deste blog sabe, não tenho nada contra estatísticos sérios e trabalhadores (ou economistas sérios e trabalhadore, etc). Mas entendo que é uma ingenuidade muito grande você, sabendo apenas o que viu na graduação, concluir que o que não sabe ainda sobre economia será “menos importante” para entender ou fazer Ciência Econômica.

Veja só o exemplo do meu ex-aluno, o Pedro. Agora mesmo ele desenvolveu modelos econométricos que são admirados por estatísticos e economistas. O que ele fez? Mestrado e doutorado em Economia.

Existe uma arrogância fatal que é distinta daquela popularizada por Hayek e este é o melhor exemplo. Agora, meu ex-aluno vai ensinar mestrandos e doutorandos de economia e estatística que terão o privilégio de aprenderem os métodos que ele desenvolveu.

Assim, antes de sair por aí dizendo que o hardcore está lá fora, pense bem. Não necessariamente um mestre em Estatística, Matemática, Sociologia, Direito, História, etc sabe mais Economia do que um mestre em Economia. Eu sei que isto é óbvio, mas, nos últimos anos, ouvi isto da boca de vários alunos (e não acho que fizeram isso por maldade).

Digamos que você entrou nesta da arrogância e, lá na frente, descobriu que errou. Bem, o que eu observo é que dificilmente o sujeito muda sua trajetória de vida e alguns ainda arrumam uma desculpa para tentar se justificar (a famosa dissonância cognitiva, lá da psicologia…aliás, existe um modelinho do Akerlof bem simples sobre isso…pesquise).

Você gosta de Economia? Lembre-se de Adam Smith e se especialize. Não tem erro. Depois você estuda outras coisas.

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Uma resposta em “A outra arrogância fatal

  1. Grande Cláudio

    Acho que depende muito do que você quer aprender. A graduação e a pós em economia em geral são bem fracas nas bases de inferência, teoria assintótica e teoria da medida que são fundamentais em econometria e finanças. E os cursos de teoria da decisão que existem nos cursos de estatística são muito úteis para algumas partes de teoria econômica e microeconomia. Um exemplo disso é o Aluísio Araujo que tem o phd em estatística. Muitos bons econometristas acabam tendo um master em statistics, fazendo os cursos dos departamento de estatística.
    Acho que o caso do Pedro é uma excessão, já que o programa da Carlos III tem um foco maior em estatística do que a grande maioria dos programas. Ele poderia se encaixar facilmente como pesquisador em estatística, devido a essa formação mais geral.
    Em especial eu acho que os cursos de econometria tem um foco muito limitado, basicamente regressão, enquanto que a maioria da fronteira em econometria é muito mais ampla que regressão.
    Mesmo para outras áreas um mestrado em estatística é útil. Boa parte da macroeconometria moderna é baseada em métodos Bayesianos e Markov Chain Monte Carlo, tópicos quase sempre omitidos nos cursos padrão de econometria.

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