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A outra arrogância fatal

Tem aluno que chega para mim e fala: “- Vou fazer mestrado em Estatística porque lá, sim, é que se aprende o que preciso para fazer Economia”.

Como todo leitor deste blog sabe, não tenho nada contra estatísticos sérios e trabalhadores (ou economistas sérios e trabalhadore, etc). Mas entendo que é uma ingenuidade muito grande você, sabendo apenas o que viu na graduação, concluir que o que não sabe ainda sobre economia será “menos importante” para entender ou fazer Ciência Econômica.

Veja só o exemplo do meu ex-aluno, o Pedro. Agora mesmo ele desenvolveu modelos econométricos que são admirados por estatísticos e economistas. O que ele fez? Mestrado e doutorado em Economia.

Existe uma arrogância fatal que é distinta daquela popularizada por Hayek e este é o melhor exemplo. Agora, meu ex-aluno vai ensinar mestrandos e doutorandos de economia e estatística que terão o privilégio de aprenderem os métodos que ele desenvolveu.

Assim, antes de sair por aí dizendo que o hardcore está lá fora, pense bem. Não necessariamente um mestre em Estatística, Matemática, Sociologia, Direito, História, etc sabe mais Economia do que um mestre em Economia. Eu sei que isto é óbvio, mas, nos últimos anos, ouvi isto da boca de vários alunos (e não acho que fizeram isso por maldade).

Digamos que você entrou nesta da arrogância e, lá na frente, descobriu que errou. Bem, o que eu observo é que dificilmente o sujeito muda sua trajetória de vida e alguns ainda arrumam uma desculpa para tentar se justificar (a famosa dissonância cognitiva, lá da psicologia…aliás, existe um modelinho do Akerlof bem simples sobre isso…pesquise).

Você gosta de Economia? Lembre-se de Adam Smith e se especialize. Não tem erro. Depois você estuda outras coisas.

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Contra a Emporiofobia: deixa o cara vender a caneta BIC ungida (e deixa eu vender as minhas…)

Veja como o mercado é uma instituição ótima. Primeiro, quem quiser comprar, compra (pense na mudança na composição da distribuição de renda brasileira).

Em segundo lugar, mercado também é informação e, ora, ora, ora, a informação foi disseminada e já tem gente aqui, no FB, divulgando dizendo que isto é picaretagem, o que prejudica a projeção de vendas de quem “ungiu” a caneta.

Isto tudo é mercado. Muitas gente acha que mercado é só a parte inicial deste texto, o primeiro parágrafo. Não. Mercado funcionando é tudo isto. Por isso eu sou contra restringir o direito das pessoas de fazer a propaganda de algo, seja ela positiva ou negativa.

A escolha, no final, é individual. Você acredita na unção e (veja bem: “e”) acha que o preço é compatível com sua disposição a pagar? Nada mais justo do que comprar. Ah, você não acredita e não acha que estejam vendendo algo honestamente? Não compre ou não compre e faça um “post” criticando.

Agora, seja qual for o caso, tudo isto só vai ter os efeitos que terá se o mercado funcionar. Restringí-lo, como querem alguns, pode, inclusive, aumentar a venda de carne de gato como carne de boi.

Na “meta-escolha” entre “mais ou menos mercado”, eu vejo um interesse claro a favor de menos mercado e ele vem de quem finge ungir canetas para depois vendê-las.

Mercados, tão xingados, tão pouco compreendidos…ou você aprendeu na escola que o mercado era um mecanismo fascinante? Aposto que te contaram que é um jogo de soma zero, onde um ganha tirando algo do outro, né?

A propósito, dado o bom humor da aluna Teresa, eis meu próprio anúncio para os abastados alunos da faculdade em que trabalho.

Untitled 174-002p.s. Agora tenho que tentar ler a tese do meu ex-aluno. Enviarei as canetas após o depósito em minha conta corrente. ^_^

p.s.2. Não seja chato: você comprou crucifixos, pé de coelho e deu três pulinhos antes de ler isto.