Medalha, medalha, medalha: a economia dos determinantes do sucesso em jogos olímpicos

dastardly2Economia dos Esportes (Sportonomics) é uma área pouco conhecida no país do futebol (se bem que, há alguns anos, um livro chamado Soccernomics fez algum sucesso entre alguns amigos meus, creio).

Recentemente, Nolan & Stahler (2015) resolveram investigar o tema do desempenho dos países em jogos olímpicos. Não que isso seja uma novidade em economia, já que as Olimpíadas, como mega-evento, tem toda uma área de pesquisa dedicada a ela (o Felipe Garcia do PPGOM-UFPel pode dizer mais sobre isto do que eu). De qualquer forma, jogos olímpicos já têm dados tabulados desde a primeira metado do século XX, pelo menos.

Uma pergunta que se pode fazer é: será que os determinantes do sucesso de um país – em número de medalhas – tem sido o mesmo ao longo dos anos? Os autores postulam um modelo ad hoc para o que seria uma função de produção de sucesso em jogos olímpicos (cuja pista está aí embaixo).

medalhamedalha

Certamente há vários fatores que ajudam a determinar o sucesso do país no seu desempenho nestes jogos, mas Nolan & Stahler (2015) encontram que:

In line with other studies, we fi nd that determinants such as income, country size, status as a current host, and inclusion in the communist bloc have generally been historically signifi cant for both female and male success. But a clear narrative thread is also couched in the pluralization of Olympic competition throughout the postwar period. At the Winter Games, which are not drastically different from the 1960s in terms of their geographical makeup, success is still largely associated with being from a rich, large country with a snowy climate. In contrast, the Summer Games, where geographic pluralization has been much more comprehensive, exhibit more subtle determinants of success reflective of their diversity. Rather than per capita income, education is a much more robust positive determinant of medal winnings, and this appears to have been far more important for women than men. Moreover, we uncover evidence that the estimated coefficients for the Summer Games have changed over time—specifically even these robust correlates are waning in their influence and as this occurs, smaller, poorer, even possibly less educated countries face fewer barriers to achieving Olympic glory. [Nolan & Stahler (2015), p.5] (clique no trecho para ler todo o texto)

Em outras palavras, o capital humano é importante (e seu efeito é distinto para homens e mulheres), além do fato de que a combinação de fatores parece estar mudando ao longo dos anos, o que faz todo sentido se pensarmos nas mudanças tecnológicas pelos quais passaram todas as economias participantes destes jogos.

O artigo é um bom exemplo para se discutir em sala de aula em um curso de Econometria já que tem OLS, Tobit (com efeitos fixos e aleatórios), regressão binomial negativa e, claro, esportes. Claro, tem que ter aluno interessado em estudar os modelos analisados e, sim, seria legal se os dados estivessem publicamente disponíveis, mas aí já estamos viajando na batatinha pois nem sempre os dados estão dando sopa por aí…

p.s. Sim, uma coisa legal seria ver os determinantes do desempenho individual, mas aí seria mais trabalhoso porque cada modalidade esportiva exige qualificações distintas. Obviamente, gente que entende instruções básicas e instrutores estudiosos e atualizados nas tendências científicas da área (ambos traduzem-se em…capital humano!) ajuda.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s