Ciência e resultados que podem ser reproduzidos ou “civilização vs barbárie”

Sua empresa quer saber o que afeta a demanda pelo produto. Aí ela contrata um consultor que pega os dados e entrega um resultado que não consegue ser replicado usando todos os passos que o próprio consultor lhe fornece no relatório final.

Chato? Totalmente.

Seu aluno diz que fez uma regressão e achou um resultado interessante, mas não quer mostrar a base de dados. Aí você descobre que ela nunca existiu.

Chato? Totalmente.

Seu conhecido leu um artigo com implicações políticas importantes e pesquisadores tentam replicar o resultado usando os dados originais e descobrem que os dados originais não eram o que os autores do artigo disseram ser.

Chato? Totalmente.

Muita gente não aprecia e/ou não entende a importância de se fazer pesquisas que sejam reproduzíveis. Há alunos que me olham com uma cara de sono ou indiferença. Eles pensam que o problema é só “acadêmico” (aliás, o cara que mais separa a pesquisa acadêmica do mundo real é o aluno que não quer estudar. O segundo cara é o picareta que não quer concorrência de alto nível e inventa esta separação para proteger sua fatia de mercado…).

Os exemplos acima mostram que o problema é muito mais sério. A cultura de “feudalização” de bases de dados não sobrevive ao teste da academia. No longo prazo, a reprodução dos resultados é inevitável. Há tempos que bons journals norte-americanos exigem que a base de dados seja entregue junto com o artigo submetido. Faz todo sentido, não?

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