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Dólares japoneses?

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Sempre achei curiosa esta coisa do governo militar japonês usar dólares em países ocupados na Ásia. Entendo a lógica de conquistar usando uma moeda própria, mas por que dólares e não Yens?

Imagino que, em princípio, usar denominações como “dólares” seria familiar aos nativos dos países conquistados, mas como não havia – creio – uma paridade no valor do “dólar” japonês e o dólar dos EUA, não dá nem para dizer que seria uma forma de terceirizar a política monetária das colônias, embora mantendo-as politicamente sob seu domínio.

Engraçado é que, na China e nos países mais próximos, a moeda era o Yen (veja aqui). Como a tecnologia de transporte de moedas na época não incluia nada como uma tranferências eletrônica, será que a opção era por buscar algum tipo de zona monetária com várias moedas?

Não pesquisei mais sobre o assunto porque não é minha área primordial de interesse, mas se alguém souber algo e quiser me explicar, sou todo ouvidos aqui nos comentários.

p.s. um pouco mais sobre esta história está aqui.

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Sobre usar os modelos…

Quando eu e o Pedro começamos o Nepom, a idéia era aplicar o que se aprende em sala na análise do mundo real. Nada mais natural, já que a Ciência Econômica não foi criada para analisar mundos não-reais, certo?

Existem excelentes livros-textos, com exemplos, que bons alunos sabem usar como ferramenta de apoio para seu aprendizado. De vez em quando eu cito um ou outro aqui. Mesmo assim, achamos que era uma boa idéia criar o Nepom.

Hoje leio um texto curtinho, de blog, do Bryan Caplan, um cara que acompanho há mais de dez anos, e que está muito bom. Um ponto que me chamou a atenção do texto é que muitas vezes o aluno acha que não precisa fazer nada mais do que “invocar” um modelo no início de sua resposta. Por exemplo, você fala de um aspecto econômico qualquer da realidade (digamos, a inflação na década dos 80, no Brasil) e pede que o aluno use um modelo para explicar. Aí ele vem com um singelo: “assuma modelo X” e despeja uma análise que tem tudo a ver com o modelo X, mas não necessariamente é uma explicação compatível com o fenômeno analisado.

Um trecho do texto dele:

I don’t mean something lame like, “Some econ students disagree with me.  How dare they?”  What I mean is: I ask a question about the real world.  The question even contains the phrase, “In the real world…”  Then instead of discussing the real world, many economics students tell me about a model they learned in class.  Sometimes their answers even contain the phrase, “Assume model X.”

For example, an exam question might ask, “What determines the price of water when two individuals bump into each other in a remote desert?”  Many economics students will then start talking about supply and demand, or even state, “Assume perfect competition.  Then blah blah blah.”

This wouldn’t be so bad if the students would at least argue that, contrary to appearances, the perfectly competitive model applies.  But when students take a model for granted despite the violation of its core assumptions – such as no individual has any noticeable effect on the market price – something has gone terribly wrong.

Percebe o ponto? A grande habilidade a ser apre(e)ndida pelo estudante é a capacidade de analisar a realidade. Há duas grandes dificuldades: (a) qual teoria se adequa ao cenário proposto e (b) qual o papel dos dados nesta história?

Dois problemas sim porque, embora a covariância entre eles não seja nula – sei que não simplifica, mas… – estes dois problemas são uma senhora dificuldade. Por exemplo, eu poderia criar uma questão com algumas correlações entre cinco ou seis variáveis macroeconômicas, digamos, e perguntar ao aluno qual modelo econômico explicaria melhor aqueles dados (uma questão do tipo “modelos de ciclos reais explicando dados da realidade”).

Ou eu poderia fazer como o Caplan fez, criando uma situação que claramente não inclui a competição perfeita ou um monopólio como boa descrição da realidade e peço para o aluno responder, sem fornecer qualquer dado.

Mais ainda, poderíamos fazer aquela clássica questão de prova no qual uma firma é monopolista no mercado doméstico, mas uma pequena concorrente no mercado internacional e você introduz o índice de Lerner para ajudá-lo a responder a pergunta (na verdade, o índice faz parte da resposta porque o ponto é que o aluno tem que ter a capacidade (tico-e-teco) de perceber que o custo marginal da firma, neste caso, é o preço que ela pratica no mercado internacional).

Agora, como Caplan diz, corretamente, alunos enlouquecem quando a questão não é igual ao exercício para dummies. Digo, os exercícios para dummies são, para o ensino, algo como o alongamento para a hora de exercícios na academia. O aluno deveria fazer e perceber sua importância primordial, mas não suficiente. Claro que tem que fazer exercício simples, mas o desafio do aprendizado está em saber manipular os modelos.

Obviamente, o problema é de oferta e demanda. A faculdade é pública ou privada? Quais incentivos cada uma dela tem para ofertar um aprendizado mais sofisticado, de mais conteúdo (valor adicionado) ao aluno? Quais os incentivos que regem as ações dos professores? E a direção? Mais ainda: e os alunos? Eles dizem que querem aprender, mas só querem mesmo o diploma. Será mesmo? E a sinalização? Eles poderiam usar como sinal de sua produtividade, no mercado, sua capacidade analítica. Será que querem mesmo? Qual é o mercado relevante (algo como: ele quer trabalhar no interior do interior do interior…ou no mercado financeiro) para esta decisão?

Não é fácil, não é?