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Quando o viés é racional

Randall Calvert tem um artigo interessante de 1985 sobre o valor da informação viesada. Sua pergunta é: digamos que um político esteja em busca de informação para tomar sua decisão, digamos, entre dois cursos de ação.

Digamos que a informação é custosa e que os consultores a que ele recorre são honestos. Um deles é viesado em relação a uma opção e o outro não (embora, novamente, ambos sejam honestos).

A questão, então, é assim: caso a informação não seja gratuita (como eu disse antes: ela é custosa), qual consultor o político deveria seguir? O modelo, resumido no clássico livro-texto de teoria dos jogos para Ciência Política do Morrow (cap.6) nos diz que, racionalmente, vale a pena para o político seguir o consultor viesado.

Sem entrar em detalhes, o legal disto é que a escolha pelo consultor viesado é racional. Nada daquele lero-lero de que a racionalidade caiu por terra, blá, blá. Leia o Morrow e o Calvert para se aprofundar. Mas o exemplo anedótico é o do presidente Johnson, na época da Guerra do Vietnã.

Johnson sabia que o senador Fullbright era contra a guerra, o tempo todo. Mas Robert McNamara, que era um defensor radical da guerra, em 1967, mudou de idéia. Por que valia a pena ouvir McNamara? Porque sua mudança de opinião adiciona mais valor à sua decisão do que a continuidade de Fullbright.

Para entender isto para valer, deveríamos ler um pouco sobre o Teorema de Bayes e sua aplicação em teoria dos jogos (olha a fórmula dele aí):

P(ping|\textbf{pong}) = P(ping ) \frac{P(\textbf{pong} |ping)}{P(\textbf{pong})}

A referência é: Morrow, J.D. Game Theory for Political Scientists, Princeton, 1994. Ah sim, o texto do Calvert foi citado aí em cima.