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Pensando DENTRO da caixa

Disse meu amigo Sabino Porto Jr (lá, no “Livrodecaras”):

“Fuja de todo texto que usa a expressão “pensar fora da caixa”, normalmente vem acompanhado da expressão “Pensamento crítico”, fuja, corra em disparada…”(JG, mantra interno)

Para ele, dedico este parágrafo:

“Quem vale mais? Quem pensa fora da caixa ou quem percebe que tem que entender se está numa caixa ou não, antes?”

Digo isto porque concordo com ele. Há uma proliferação, uma abundância (o que, então, nos diz que o valor é baixo…) de textos que buscam atender os mimos da geração Y: dizer-lhe (ao jovem) que é genial se relinchar, latir ou mesmo se falar em alguma língua usada por seres humanos.

Estes textos são um lixo. Desculpa, mas este é o termo. Por que? Porque a metáfora é “fofinha”, mas vazia. Primeiro, quem é que sabe se há alguma caixa? Será que estou dentro dela? Será que todos estão? Alguns? Há apenas uma caixa para cada um?

Ora, não menosprezem os gregos, os antigos, o ensino clássico com este modernismo superficial, que não resiste a uma década de drogas, sexo e rock and roll, minha gente! O mais árduo é pensar dentro da caixa, percebendo-a como tal. Ninguém transpõe um obstáculo intelectual sem saber que ele existe antes, sem tê-lo examinado com calma, com inteligência.

Pensar fora da caixa aumenta a auto-estima e, como tal, deve ser visto com desconfiança. Não adianta pensar fora da caixa enquanto seu amigo pensa “dentro da caixa” e faz o foguete ir à Lua enquanto você insiste que a ciência é “multicultural”, porque fora da caixa, e, logo, Tupã e os tambores também deveriam levar o foguete para a Lua.

Uma coisa é ter “insights”, outra é “pensar fora da caixa”. O mau uso de uma expressão pode inviabilizá-la. É o que acontece neste caso.

Dois vivas para o Bardo, o famoso Sabino.