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Restrição Orçamentária Não-Rígida

Um tema do qual sempre gostei – e gostaria de ver mais gente estudando – é o da restrição orçamentária não-rígida (ou “frouxa”). Introduzi o tema na literatura nacional (creio que posso dizer isso sem o risco de ser arrogante) por meio da dissertação que fiz sob os auspícios do meu orientador, o prof. Ronald Hillbrecht. Ele trouxe o conceito no bojo de suas leituras sobre economia e instituições.

Assim, não tem como não ficar feliz em ver um artigo como este:

O artigo de Tsuji é um ótimo exemplo de didatismo e simplicidade que nos ajuda a pensar melhor nos problemas teóricos derivados da existência da restrição orçamentária não-rígida (soft budget constraint). Existem outras fontes, é claro, para você estudar o tema . Há o criador do conceito, Janos Kornai, o Gerard Roland, o Ronald McKinnon (aplicando-o ao federalismo naquela tese algo esquecida hoje, do Market Preserving Federalism) e tantos outros.
Legal mesmo seria ver alguém medir isto para o Brasil, em níveis municipais ou estaduais (lembro-me que alguém, em uma tese ou dissertação na USP, usou o conceito para estudar a economia brasileira do final dos anos 90, salvo engano).
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Zaibatsu e a política industrial: não, não é uma fórmula mágica (embora os nazi-desenvolvimentistas…)

Como sabemos, aqueles que chamarei, de forma abreviada, de nazi-desenvolvimentistas, advogam, mais do que economistas, a criação de grandes grupos empresariais (talvez porque recebam afagos e recursos destes grandes grupos, talvez não) para que uma economia se desenvolva.

Claro que estes nacional-socialistas-desenvolvimentistas não querem sequer olhar os dados e se aliam aos obscurantistas (aqueles que negam o uso de qualquer método estatístico em Economia para que possam manter seu discurso protegido da competição das idéias) na busca pela manutenção de seu status como intelectuais.

Mas vamos a evidências pouco quantitativas, mas ainda assim, desanimadoras para estes supostos pensadores. No último IAES, temos o artigo de Nakamura:

Economic Development and Business Groups in Asia: Japan’s Experience and Implications

Masao Nakamura

Abstract

Large, extensively diversified pyramidal business groups of listed firms dominate the histories of developed economies and the economies of developing economies. While such groups (calledzaibatsu in Japan) are thought to have provided coordination for big push growth successfully in pre-second-world-war Japan after a state-run big push failed, it is still being debated whether such a pyramidal business group driven big push coordination exists in developing countries elsewhere in Asia. We hypothesize that pyramidal business groups can be private-sector mechanisms for coordinating big push growth, provided that first, competition between rival groups induces a sufficiently high level of coordination efficiency, and second, conditions exist for maintaining economic openness and basic infrastructure and legal institutions. Another condition that must be satisfied for a country to sustain economic growth after its big push phase is complete is a timely demise of business groups. Where these criteria are not met, growth stalls and the few pyramidal business groups become too powerful to dislodge.

Nota-se que as condições que ele coloca para que o uso de grupos industriais do porte de zaibatsus funcionem são tão hercúleas que, aposto, dificilmente alguém conseguirá fazer isto sozinho. O otimismo nazi-desenvolvimentista não passa de um castelo de cartas (bastante frágil, eu diria), neste caso.

O autor é até otimista acerca das possibilidades de zaibatsus terem sido importantes na economia japonesa, mas a falta de um teste de hipóteses (ou de um modelo calibrado) não dá ao artigo o grau de profundidade suficiente para que o otimismo possa criar raízes. Mesmo assim, o autor é pretencioso nas conclusões, chegando a falar de uma nova ideologia. Esta parte do artigo é de um excesso de otimismo injustificável, parcialmente pelos motivos que citei.

Nada como ler um artigo de história econômica pela manhã.