Momento Sistema Financeiro Internacional (e um apelo pela racionalidade econômica que nossos governantes insistem ignorar)

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Impostos, impostos…por que tão complicados?

carollaWhy can’t we just go with a flat tax? I think the government likes that no one understands how the system works – Adam Carolla in In fifty years we’ll all be chickens…and other complaints from an angry middle-aged white guy, Three River Press, 2011, p.126.

Disse tudo, não? Em Escolha Pública, chamamos isto de complexidade tributária, um dos fatores que pode gerar ilusão fiscal.

Como o governo atual está optando pelo mais cruel dos ajustes fiscais (via aumento de impostos sempre que puder, já que a presidente insiste em não cortar gasto algum), este tópico deveria ser mais bem explorado, não acham?

Google Trends e nós: mais um artigo publicado

Com dois anos de atraso (2012, vai…) – a USP Leste teve vários problemas de instalação, lembram? – acaba de ser publicado meu artigo com Renato Byrro, Ari e Salvato na Revista Gestão & Políticas Públicas.

A idéia inicial, do Renato, ainda no Nepom, foi usar o Google Trends para análises de conjuntura. Após buscar a bibliografia, descobrimos que o grande Hal Varian já havia feito algo assim. Ele e mais uns outros. Daí desenvolveu-se o restante da história.

Quanto ao resumo do artigo…

This article’s aim is to replicate the tests of Choi & Varian (2009a) for Brazilian economic variables, analyzing ARIMA time series models and evaluating the reduction in forecasting errors when introducing a Google Trends variable in order to check if this is a good leading indicator. We used time series related to the labor market and credit market. For the first, the forecasting of the unemployment insurance had a better performance after the inclusion of the Google Trends. Regarding the unemployment rate, the performance was not good. For the credit market we used two series: concession of lendings linked to credit card and mortgages. Their forecasting were not better after the inclusion of the Google Trends.

Ah sim, para um gráfico que possa despertar sua curiosidade…

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Bem, é isto. Mais um artigo publicado!

A atitude da sociedade com relação ao estudo (capital humano, sempre ele…)

Nada tenho contra ou a favor das lojas citadas neste post. Mas acho que as imagens que você encontrará aqui (Brasil) e aqui (Japão) mostram uma diferença de atitude em relação ao significado do “estudo”.

Não, não tenho qualquer pretensão de enunciar uma lei universal (e muito menos estatística…), mas acho que a diferença está mais para um insight inicial.

Convenhamos, fosse eu criança, iria querer uma destas. Na verdade, eu tive uma parecida mas, hoje em dia, parece que estas estantes sumiram do mercado, ou sou só eu que estou me enganando com meu famoso pessimismo? O ENEM, cujo resultado foi divulgado hoje, não me ajuda muito, mas…

p.s. não me venha falar de computadores e laptops sem ler o que o Makiw citou hoje, em seu blog.

Você defende a honra de Maomé e Alá…porque você não acredita em Maomé ou em Alá. Sim, isso mesmo.

Perfeito. E que sirva de lição para os que tentam cercear a liberdade de expressão em qualquer lugar. Não ao controle social da liberdade de expressão!

Impostos sobre a gasolina ou sobre o automóvel?

A discussão não é tão simples. Afinal, existem carros mais eficientes no uso do combustível do que outros. Eis o que conclui este breve resumo de um estudo que usou dados da União Européia:

Our results show that EU consumers moderately undervalue future fuel costs. But this undervaluation is not enough to justify a strong emphasis on upfront car taxes. The car tax will result in a more fuel-efficient vehicle fleet than a fuel tax, but fails to target the high mileage consumers to drive with those more fuel efficient cars. Once we take this targeting effect into account, fuel taxes turn out to be a more effective instrument to reduce fuel usage (even if we assume that car usage is perfectly inelastic). When advising policymakers on the instruments to reduce externalities one should ask who is affected by the measure – will the heavy polluter change her choice?

Como eles fizeram isso? Dá uma lida lá.

Obama tripudiou mas o mercado venceu: o petróleo e o gás do xisto

Victor D. Hanson ironiza a situação de Obama. Trechos ótimos:

The Obama administration never much worried about high energy costs. During the 2008 campaign, Obama promised that “under my plan . . . electricity rates would necessarily skyrocket.” Shutting down coal plants and using higher-priced but cleaner natural gas would pave the way for an even pricier mandated wind and solar generation.
In the vice-presidential debates of 2008, Joe Biden mocked Sarah Palin for the supposedly mindless campaign mantra of “Drill, baby, drill.” Biden intoned that “it will take ten years for one drop of oil to come out of any of the wells that are going to be drilled.”

Claro, como sabemos, há aí uma geopolítica envolvida, mas, no final…

The late Hugo Chávez used his oil windfall in Venezuela to subsidize subversion throughout Latin America. Petrodollar-rich Russian president Vladimir Putin charted a confident anti-American foreign policy.
Iran used its growing riches to step up progress toward producing a nuclear bomb while upping subsidies to terrorist organizations such as Hezbollah.
Then, finally, oil and gas prices plunged owing to the “drill, baby, drill,” can-do attitude of the private sector. Americans should thank the U.S. oilman — from the drillers in the field to the engineers behind the scenes — who did the impossible. They vastly increased the supply of what was supposedly a permanently declining resource, and thereby helped to crash prices.

Petróleo, xisto…aliás, o xisto está com tudo. Enfim, mais um exemplo de choque de produtividade trazendo mudanças em toda a economia. Para quem gosta de ciclos reais, este é um tema interessante. Só para você ver:

The history of natural gas wellhead and pipeline regulation, deregulation and regulatory reforms are discussed. These reforms brought natural gas shortages and pipeline inefficiencies to an end. They also created an economic platform that could support unanticipated developments in the supply and costs of domestic natural gas. Such unanticipated developments emerged in the last few years as several technological innovations came together to make it commercially attractive to development US shale gas deposits located deep in the earth. How and why shale gas supplies will lead to dramatic changes in the United States’ energy future with appropriate environmental regulatory reforms are discussed.

É, gente…tem que saber criar instituições que favoreçam os avanços tecnológicos e, vou dizer, geralmente, estas instituições não são nem um pouco parecidas com este intervencionismo superficial e de inspiração Geisel-Lulista…

Por que o Brasil não avança?

Poderíamos nos perguntar sobre o porquê de a economia brasileira não se abrir. Ah, e a solução não é a famigerada “política industrial” (= “política industrial vertical”, queridinha dos pterodoxos).

In Brazil, given its labour shortages and aspirations of rising purchasing power, productive activities would be strengthened by the availability of cheaper local consumer, intermediate, and capital goods. Brazil’s immersion in global value chains would allow the country to leverage its comparative advantages which clearly exist in natural resource-associated industries but which could also emerge in specific activities in manufacturing or services once industries have access to cheaper inputs. Of course, public policy support remains essential. However, this support should be more horizontal in nature, rather than further encouraging the ongoing high density of production chains and perpetuating the extraordinary closedness of the Brazilian economy.

Ok, é preciso ler tudo, mas o artigo é pequeno. Não vai doer.

A coisa tá feia…

É, galera, a crise se foi e a Macroeconomia tradicional continua firme e forte…

Olhem aí:

Del Negro, Marco, Marc P. Giannoni, and Frank Schorfheide. 2015. “Inflation in the Great Recession and New Keynesian Models.” American Economic Journal: Macroeconomics, 7(1): 168-96.
Abstract
Several prominent economists have argued that existing DSGE models cannot properly account for the evolution of key macroeconomic variables during and following the recent Great Recession. We challenge this argument by showing that a standard DSGE model with financial frictions available prior to the recent crisis successfully predicts a sharp contraction in economic activity along with a protracted but relatively modest decline in inflation, following the rise in financial stress in 2008:IV. The model does so even though inflation remains very dependent on the evolution of economic activity and of monetary policy. (JEL E12, E31, E32, E37, E44, E52, G01)

Pois é. Então, como sempre digo, antes de jogar a criança fora junto com a água, senta e estuda.

Poder de mercado e o preço da caneta

2015-01-08 20.49.49Dois mercados distintos: capital mineira e capital paulista. Logo, você vai me dizer, dá para fazer discriminação de preços e ganhar com as diferentes demandas. Bem, se elas forem mesmo diferentes, isso poderia fazer sentido.

Mas eis que a caneta que encontrei em ambos os lugares estava exatamente com o mesmo preço. Um, o bairro comercial da Savassi, em Belo Horizonte. O outro, o luxuoso Shopping JK Iguatemi. Diferentes mercados, diferentes públicos, mas o preço foi tal e qual um picolé Kibon com seu famigerado preço sugerido que os vendedores costumam tomar como preço imutável.

Qual a explicação econômica para este preço idêntico? Não vale falar em concorrência perfeita porque no mercado de canetas, a marca faz alguma diferença. Tudo bem que esta não é a mais luxuosa, mas não é uma descartável, ou seja, a marca importa, o que nos leva para um mercado mais parecido com o de concorrência monopolista.

Quanto à discriminação geográfica de preços, lembremo-nos do manual (no que diz respeito ao monopólio). Conforme um deles, antigo, mas ótimo:

Price discrimination is feasible only if buyers are unable to purchase the product in one market and resell it in another [Henderson, J.M. & Quandt, R.E. (1958). Microeconomic Theory – A Mathematical Approach, McGraw-Hill, p.170]

Pois é. Caneta não é tão difícil assim de ser revendida em outra cidade. Os custos de transporte não são assim tão proibitivos, neste caso. Belo Horizonte e São Paulo? Creio que não. Assim, a uniformidade do preço nas duas cidades poderia ser explicado por este motivo.

Qual a sua hipótese? Espaço aberto nos comentários.

p.s. Eu queria ver algo sobre discriminação de preços em competição monopolista, mas não consegui.