Uncategorized

De volta para o futuro e a restrição orçamentária não-rígida

Eis um texto para discussão interessante. Diz o resumo:

The rise and fall of De Lorean Motor Cars Limited (DMCL) has been raditionally interpreted as the result either of John De Lorean’s psychological flaws or as confirming the supposedly inherent weaknesses in activist industrial policy. However, when the episode is examined in more detail, neither of these interpretations is compelling. This paper’s reinterpretation draws on a range of archival evidence, much of it previously unreleased. The concept of Soft Budget Constraints (SBCs), as pioneered by Kornai, is applied to this evidence. The roles of both government and market failure and the contents of the original contractual agreement are highlighted. The soft budgets promoted by the agreement were in turn traceable to the institutional environment under which industrial policy operated in Northern Ireland. This institutional environment had itself been distorted by the Troubles and the fears policymakers had that a cumulative causation situation existed. Kornai’s framework helps us piece all the evidence together.

A síndrome da restrição orçamentária não-rígida (ou frouxa) tem consequências? Tem. Na verdade, ela nos ajuda a entender melhor a importância dos incentivos negativos oriundos da intervenção do governo na economia. Segundo o autor:

Kornai concludes that while market-orientated economies tend to create innovative results, the outcome is a far from inevitable. He has argued that capitalism’s tendency for
entrepreneurship, innovation and dynamism is merely an inclination rather than a scientific law. His analysis indicates that other factors, such as the social, political and legal environment, are crucial in economic explanation (Kornai, 2010) [Graham (2014) – o texto acima – p.6]

Penso no trabalho de Kornai como um complemento às teorias de Escolha Pública (acho até que é apenas uma aplicação das mesmas), com a vantagem de nos mostrar o canal de transmissão pelo qual uma intrusão política pode acabar com o dinamismo econômico do setor privado.

A gente fica pensando um pouco e vê como as coisas são, não? Todo mundo que lê o Schumpeter adora a história da destruição criativa, mas não é difícil perceber que empresários que não são favorecidos neste processo correrão pelo socorro do governo. O que nem sempre se percebe é que os que vencem o processo também são assediados pelo governo (ou eles mesmos se adiantam e correm por um subsídio).

O autor do texto levanta a questão central: em discussões de políticas industriais, geralmente se esquece da síndrome da restrição orçamentária não-rígida e, claro, a omissão desta variável pode alterar terrivelmente as conclusões sobre o bem-estar social gerado porque, na verdade, os custos podem estar incrivelmente subestimados.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s