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O último recurso

Julian Simon, economista, é famoso por ter criado o termo o último recurso que, na verdade, é o que nos lembra que nem só de demanda vive a economia, mas também da oferta e, claro, do último recurso que somos nós, especificamente, nossa capacidade criativa.

Assim, por exemplo, eu me pergunto o quanto o inventor disto não fez pelo bem da humanidade. É, tem um pouco de bom humor, mas tem um fundo de verdade nisto. ^_^

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Preferências podem ser afetadas por divulgação de “rankings”?

Duvido um pouco disto, mas com algum fundamento empírico, a gente pode discutir, não é mesmo? Então, uns pesquisadores resolveram olhar para a grande loja Amazon e:

Our society is increasingly relying on digitalized, aggregated opinions of individuals to make decisions (e.g., product recommendation based on collective ratings). One key requirement of harnessing this “wisdom of crowd” is the independency of individuals’ opinions; yet, in real settings, collective opinions are rarely simple aggregations of independent minds. Recent experimental studies document that disclosing prior collective ratings distorts individuals’ decision making as well as their perceptions of quality and value, highlighting a fundamental discrepancy between our perceived values from collective ratings and products’ intrinsic values. Here we present a mechanistic framework to describe herding effects of prior collective ratings on subsequent individual decision making. Using large-scale longitudinal customer rating datasets, we find that our method successfully captures the dynamics of ratings growth, helping us separate social influence bias from inherent values. Leveraging the proposed framework, we quantitatively characterize the herding effects existing in product rating systems and promote strategies to untangle manipulations and social biases.

Pois é. O problema destes trabalhos de “big data” é que, às vezes, a tentativa de tentar descobrir tudo a partir dos dados (inclusive para se construir teorias), a gente fica perdido. Eu sei, você vai dizer que estou pensando muito em termos da Methodenstreit que ocorreu na economia no passado. Na verdade, a grande lição daquele debate, para mim, é que sempre há uma teoria oculta em nossa coleta de dados.

Posto isto, não jogue fora estudos no estilo big data só porque não tem um modelo de otimização dinâmica. Afinal, o problema pode ser que não temos um bom modelo ainda e, bem, olha o nó de novo…

De qualquer forma, enquanto não temos o conhecimento final (nunca o teremos) sobre o comportamento do consumidor, eu diria que vale a pena continuar pesquisando com todas as metodologias possíveis. Algumas, de tão ruins, serão deixadas de lado – se o ambiente científico for competitivo, claro! – e teremos sempre um entendimento mais rico, marginalmente falando, do comportamento do consumidor. Aliás, creio que o pessoal que curte economia comportamental aqui no Brasil já percebeu que, sem dados, nada feito.

Bom, sobre o artigo…bem, dê uma lida. ^_^

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Preferência intertemporal: qual sua origem?

A preferência intertemporal é endógena? Bem, em um modelo mais amplo, é. Como é que a gente investiga isto? Empiricamente há como testar isto? Perguntas difíceis, eu sei, mas vejam que legal este texto para discussão de Galor & Özak (2014). Eis um trecho (notem que não estou seguindo a ABNT, mas, enfim…):

As hypothesized and established theoretically, the inherent rate of return associated with crop yield, conditional on the crop growth cycle, might have had a persistent positive effect on the rate time preference. In particular, the theory predicts that the rate of time preference had gradually declined in societies in which the ancestral population was exposed to a higher crop yield (conditional on the crop growth cycle), as the representation of individuals with higher long-term orientation had gradually increased in the population. In order to test the proposed hypothesis, this research constructs measures of historical potential crop yield and crop growth cycles across the globe and examines their persistent effect on a range of existing proxies for time preference, at the individual, regional, and national levels, accounting for continental as well country fixed effects. [Galor & Özak (2014) – texto citado – p.14]

Pois é. Interessante, não? O estudo fala de tudo o que é interessante: dotações, valores culturais, enfim, tudo o que deveria chamar a atenção de estudiosos do desenvolvimento econômico. Vou salvar para ler depois porque, afinal, é um belo material para se usar em sala de aula (problemas de econometria) e também para se pensar em novas possibilidades de pesquisa.

Ah sim, vejam esta figura (retirada do texto) sobre os grãos potenciais nas Américas, pós-1500. Na região da América do Sul, antes do início da colonização, era tudo azul (não estou brincando, falo da legenda ao lado do mapa. Clique na figura para ampliar).

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De volta para o futuro e a restrição orçamentária não-rígida

Eis um texto para discussão interessante. Diz o resumo:

The rise and fall of De Lorean Motor Cars Limited (DMCL) has been raditionally interpreted as the result either of John De Lorean’s psychological flaws or as confirming the supposedly inherent weaknesses in activist industrial policy. However, when the episode is examined in more detail, neither of these interpretations is compelling. This paper’s reinterpretation draws on a range of archival evidence, much of it previously unreleased. The concept of Soft Budget Constraints (SBCs), as pioneered by Kornai, is applied to this evidence. The roles of both government and market failure and the contents of the original contractual agreement are highlighted. The soft budgets promoted by the agreement were in turn traceable to the institutional environment under which industrial policy operated in Northern Ireland. This institutional environment had itself been distorted by the Troubles and the fears policymakers had that a cumulative causation situation existed. Kornai’s framework helps us piece all the evidence together.

A síndrome da restrição orçamentária não-rígida (ou frouxa) tem consequências? Tem. Na verdade, ela nos ajuda a entender melhor a importância dos incentivos negativos oriundos da intervenção do governo na economia. Segundo o autor:

Kornai concludes that while market-orientated economies tend to create innovative results, the outcome is a far from inevitable. He has argued that capitalism’s tendency for
entrepreneurship, innovation and dynamism is merely an inclination rather than a scientific law. His analysis indicates that other factors, such as the social, political and legal environment, are crucial in economic explanation (Kornai, 2010) [Graham (2014) – o texto acima – p.6]

Penso no trabalho de Kornai como um complemento às teorias de Escolha Pública (acho até que é apenas uma aplicação das mesmas), com a vantagem de nos mostrar o canal de transmissão pelo qual uma intrusão política pode acabar com o dinamismo econômico do setor privado.

A gente fica pensando um pouco e vê como as coisas são, não? Todo mundo que lê o Schumpeter adora a história da destruição criativa, mas não é difícil perceber que empresários que não são favorecidos neste processo correrão pelo socorro do governo. O que nem sempre se percebe é que os que vencem o processo também são assediados pelo governo (ou eles mesmos se adiantam e correm por um subsídio).

O autor do texto levanta a questão central: em discussões de políticas industriais, geralmente se esquece da síndrome da restrição orçamentária não-rígida e, claro, a omissão desta variável pode alterar terrivelmente as conclusões sobre o bem-estar social gerado porque, na verdade, os custos podem estar incrivelmente subestimados.

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Você sabe que a inflação voltou quando…

Fullscreen capture 12212014 102804 AM-001Preciso dizer mais alguma coisa? Acho que não, né? Olhem aí, amigos, o anúncio do guia de cervejas do Estadão para IOS e Android. Eles poderiam ter colocado o valor em reais, mesmo que as lojas de aplicativos façam a conversão, claro.

Mas, honestamente, é mais legal com o consumidor que vive no país da política econômica esquizofrênica atual que gera inflação e diz que não o faz colocar o preço em dólares mesmo, né?