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Metodologia Pedagógica – Usando o R para organizar seus argumentos na hora de tirar dúvidas

Culturas perdidas, hábitos piorados

Há uma cultura que se perdeu com a péssima pedagogia brasileira, a despeito das boas intenções de alguns: a forma de se tirar dúvidas com o professor. Há mais de 15 anos leciono e vi piorar uma prática simples. Casos bizarros? Posso contar vários. Por exemplo, o caso mais comum e absolutamente insano é o do aluno que encontra o professor na calçada, já fora da faculdade, de maneira aleatória e antes de qualquer coisa, solta um: “- Professor, tenho uma dúvida…”. Como se isso fosse normal.

Tirar uma dúvida com o professor não é algo que surge na sua cabeça de repente, ao vê-lo. Faço idéia as dúvidas que o sujeito não tem sobre sua existência ao dar de cara com um bode, uma foto da Dilma ou um bem-te-vi. Sim, meus caros, é bizarro.

A primeira coisa que você deve fazer, neste caso, seria cumprimentar o professor e perguntar-lhe pelos horários de dúvidas. Simples assim? Nem tanto. A ocorrência bizarra descrita é sintoma de algo mais grave e profundo: a desorganização. Sim, porque quem acha que pode tirar uma dúvida no meio da rua (ou no mictório), provavelmente vai perguntar algo incompreensível para a espécie humana.

O que é a dúvida e como sair desta fria

A dúvida surge de um processo doloroso e lento chamado “estudo”. O “estudo”, bem, este você já deveria saber o que é. Você, primeiro, lê a matéria, tenta entendê-la com o livro-texto indicado ou, se necessário, complementa sua compreensão com outros livros (é sempre menos burro pensar assim, por comparação, até porque podem haver erros de tradução em alguns livros, quando for este o caso). Isto dura dias, não minutos. Além disto, há os exercícios. Ok, o resto você já conhece.

Usando a Reproduci(ti)bilidade

Mas na hora de tirar a dúvida, supondo que você já se reeducou até aqui, ainda assim a coisa pode ficar feia. Por que? Porque você não sabe por onde começar. Ora, é aí que entra o principal tema do meu texto: você deve pensar como pensam os programadores, notadamente a galera que usa o R. Você deve tentar reproduzir seu problema para o professor. Isto não é sinônimo de jogar a batata quente no colo dele, como um javali correndo que tromba na panela do guisado e derrama tudo.

A palavra é a reproducibilidade (nunca sei se a tradução correta é esta ou reprodutibilidade) e nem é um nome tão lindo assim para uma prática bem trivial. Vou adaptar os passos descritos por Wickham para nossa situação.

1. Você deve ter uma lógica ao resolver um exercício. Geralmente há uma teoria por trás. Certifique-se de tê-la bem memorizada (no sentido de apre(e)ndida) ao se preparar para tirar a dúvida.

2. Exercícios específicos possuem dados/informações específicas. Não cometa o erro de entrar na sala do professor sem eles. É constrangedor para você e sinaliza ao professor que você não é um aluno que se empenha. Afinal, que tipo de sujeito reivindica a atenção do professor mostrando-se como um despreparado? Então, não se esqueça disto.

3. Mostre ao professor seu exercício, documentado. Ou seja, descreva (ou tenha por escrito, quando for o caso) a descrição de cada passo (cada passo mesmo) do que fez. Ou seja, não pule etapas. Você pode se lembrar delas, mas se você é quem tem dúvidas, deve deixar claro ao professor (que lerá seu exercício) tudo o que você fez. Ou seja, vale a pena você investir um bom tempo detalhando seus passos de maneira que qualquer um possa entender o que está escrito. Use uma simbologia simples, comum às aulas ou ao livro-texto (ou à maioria deles, claro).

4. Indique claramente onde (em que etapa) ocorreu o problema. Caso você tenha usado mais de uma fonte bibliográfica, deixe isso claro também.

Exemplo?

Olha, se você quer um exemplo, veja o texto do Wickham, aplicado ao contexto do R. Para nós, que não estamos nos preocupando exclusivamente com o R, considere este breve exercício de oferta e demanda.

D = a – bP e O = c + dP com o equilíbrio: D = O

O aluno que deseja tirar a dúvida, estaria em minha sala com o livro-texto do qual tirou a pergunta e o caderno, com sua resolução. Teríamos algo como (suponha que o que se segue em itálico é o caderno do aluno):

Da demanda e da oferta e da condição de equilíbrio, obtive: 

a – bP = c + dP 

Em seguida, encontrei P de equilíbrio, que chamei de P*: P* = (a + c)/(d + b). Mas a resposta não confere com o gabarito.

Pronto. Não tivemos muitos passos para analisar. Primeiro, temos que lembrar ao aluno que encontrar o equilíbrio, neste exercício, implica em encontrar Q* e P* e que ele está parado no meio do problema. Onde está o erro? Na álgebra elementar. Ele isolou P mas errou o sinal de “c” no meio de suas contas. Basta ele notar que se o denominador é “(b+d)”, então…

Como se corrige isto? Com prática. O aluno deveria fazer mais e mais exercícios como este, similares, para se certificar de que não cometerá um erro algébrico. Outro ponto é pensar no que se faz. Não se trata de um problema matemático apenas, mas sim de um problema econômico. Logo, não é só encontrar P*, mas Q* e interpretar o que significam.

Conclusão

Não é apenas parar o professor na rua, no banheiro ou no corredor, e sair despejando frases, né? Tem que trabalhar um pouco. Mas, convenhamos, não é tão difícil assim, é? O processo é auto-educativo. Ao buscar sua dúvida, claro, pode ser que você a resolva sozinho, o que é ótimo. Caso isso aconteça, ótimo: você usou o seu tempo de forma eficiente e também ajudou o professor a usar o tempo dele também desta forma.

hehehe

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Arquétipos e o Diagrama de Nolan: Dica R do dia

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From the Jorge Cham’s amazing “The PhD Movie”.

Olha, eu não sei não se não deveríamos parar com estes diagramas prontos e buscar um estudo mais profundo sobre os arquétipos dos indivíduos. Isto me passou pela cabeça ao ler o início deste texto do Joel Caldwell:

Carl Jung was at least partially correct. We do tend to think in terms of the extremes as shown in this archetypal wheel with rulers versus outlaws and heroes versus caregivers at different ends of bipolar dimensions. Happily, we are not required to accept Jung’s collective unconscious to explain this tendency.Metaphorical thinking works just fine. For example, why not separate all political players into two camps based on our earliest experiences with powerful others: liberals as caregivers (supportive mothers) and conservatives as heroes (demanding and punishing fathers)?

Preferências de consumidores não se restringem apenas a produtos, mas também a ideologias políticas. Também somos consumidores de fantasias, não é? No diagrama de Nolan, somos apresentados a um esquema fechado, no qual escolhemos entre algumas perguntas. Serve como brincadeira, mas não sei se é lá muito útil para descrever padrões sociais. Voltando ao R, autor do texto que citei acima resolve investigar a bipolarização política dos eleitores norte-americanos:

That is, instead of describing the two clusters using their centroids positioned near the “humps” in the two curves, archetypal analysis attempts to describe political ideology in terms of idealized liberals and conservatives. These are not necessarily the most extreme points, as the archetypes R package makes clear with displays such as the following showing both the convex hull of the most extreme data points in gray and archetypes as the vertices of the internal red triangle.

Ok, você precisa ir lá ver as figuras que ele gerou. Mas o que me chama a atenção é que sempre ouço reclamações de pessoas sobre resultados de eleições baseadas em algum tipo de “ele não sabe votar” ou “ele é cego pela ideologia”. Na verdade, este raciocínio é um pouco estranho porque todos nós temos nossos tipos ideais – que geralmente é caricaturizado (existe o verbo?) pelo diagrama de Nolan – e, portanto, somos tão “cegos” quanto eles.

Posto isto, então a questão não faz sentido. O mais interessante seria pesquisar os pontos ideais de cada um e verificar se existe um padrão. De vez em quando, alguns institutos de opinião fazem este tipo de pesquisa. Eu gostaria, portanto, de saber onde está o eleitor mediano brasileiro em um diagrama menos, digamos assim, ad hoc do que o de Nolan.

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Por que alguns vendedores são mais insistentes e chatos do que outros?

Why are Some Salespeople More Aggressive than Others?
Wan-Ju Iris Franz
Abstract
Why are salespeople in certain industries (such as cars and mattresses) aggressive, while their counterparts in other industries (such as luxury boutiques) relatively customer-oriented? Using a principal-agent-customer model, this paper demonstrates that the level of salesperson aggressiveness depends on: (1) the proportion of customers with a high willingness to pay; (2) whether or not customers are well-informed and (3) repeat customers. If the proportion of customers with a high willingness to pay is relatively large, then salespeople tend to be customer-oriented. By contrast, if the proportion of customers with a high willingness to pay is relatively small, then salespeople tend to be aggressive toward uninformed customers while well-informed customers shun the store. Finally, if the proportion of customers with a high willingness to pay is relatively small, then in an infinitely repeated game, the agent can close sales with well-informed customers without being aggressive, provided that the principal is patient enough about future profit.

Este é um tópico bom para aquela galera que curte um problema de agente-principal, não? Não é um artigo grande, nem muito complicado de se ler, embora possa ser tedioso por conta das demonstrações. Entretanto, o ponto central é simples: não é apenas a comissão do vendedor, mas também a proporção de consumidores com altos preços de reserva (ou, se quiserem, high willingness to pay).

Taí uma forma de se falar de marketing como ciência sem cair no lero-lero dos livros de auto-ajuda que empesteiam a a área, né?

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Olha que texto bacana.

Prediction Markets and Election Polling: Granger Causality Tests Using InTrade and RealClearPolitics Data
Christopher Duquette, Franklin G. MixonJr., Richard J. Cebula and Kamal P. Upadhyaya


Abstract

This study tests for direct causality between RealClearPolitics (RCP) polling averages and InTrade (IT) share-prices by performing Granger causality tests. These tests are applied to the 2012 U.S. presidential election campaign between Barack Obama and Mitt Romney. Three time series are considered in this analysis of causal links between RCP and IT. In all of the estimations, the null hypothesis that IT does not Granger cause RCP cannot be rejected. On the other hand, the null hypothesis that RCP does not Granger cause IT is rejected in a majority of cases. Overall, these results imply that RCP Granger causes IT. While the behavior of participants in prediction markets such as InTrade is informed by political polling, these Granger causality test results suggest that prediction markets add little to what is forecasted by the polls, particularly aggregation polls such as that from RealClearPolitics, regarding the outcome of presidential elections.

Fala a verdade: você queria ter escrito este artigo, né?