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Calibragem…lá no início…

20141111_203540Eu sempre uso um termo que vai/pode desagradar aos meus colegas mais desprovidos de bom humor (na minha opinião magnânima e, claro, definitiva) ao me referir à calibragem. Chamo-a de “economia playmobil”.

Na verdade, eu falo isso para explicar aos alunos que nunca viram calibragem a diferença entre econometria e este método. Penso no contexto histórico e tento mostrar a sensação que os economistas tiveram, lá no início, quando todo mundo ainda usava Econometria e o Lucas veio estragar a festa com sua crítica.

Obviamente, a expressão não precisa ter um aspecto negativo. De fato, não acho que tenha mas, como usuário de Econometria, sou obrigado a fazer esta comparação ou o aluno não entende bem a diferença. Antes de se explicar a diferença entre conceitos é didaticamente importante firmar bem a idéia de que são conceitos distintos.

Claro, hoje temos modelos DSGE e ninguém fica mais fazendo cara feia porque o amigo faz calibragem (que mudaram para ‘calibração’ nas últimas traduções, talvez para não dar margem a piadas com rimas mais, digamos, sacanas).

Dito isto, qual não foi minha surpresa ao encontrar a loira acima. Ela me confidenciou que adora uma calibragem mas, como sou um homem sério, nem espiei o generoso decote de seu vestido rosa de coraçõezinhos brancos. Afinal, eu sou ainda um usuário viciado em Econometria…

 

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Quando o salário mínimo é menor do que o de equilíbrio…

…o próprio mercado tem incentivos para levar o salário ao equilíbrio, certo? Errado. Ou melhor, depende. No modelo de livro-texto, do primeiro período de Economia, sim, é isso que acontece. Mas aquilo mal é um modelo, né? Super-simples, hipóteses nem sempre claras e você tem que acreditar no professor.

Há quem pense que a vida é melhor quando se sabe menos, porque, claro, você sofre menos. É a galera do obscurantismo fácil: dizem para você que não há que se preocupar com a matemática porque “o mundo é complexo demais para isso” e que “sua intuição é suficiente, só precisa ler uns autores que eu, sábio, vou te indicar, e que você tem que concordar sem pestanejar”.

Mas há quem pense que a vida é mais interessante do que a repetitiva fotossíntese. O prof. Shy, então, fez-se a mesma pergunta e fez algumas mudanças no modelo básico, pensando, creio eu, naquelas perguntas que alguns alunos lhe fizeram por anos e anos nas salas de aula, ainda que inconscientemente. Eis o resultado.

When Do Firms Prefer Low Minimum Wage Over No Minimum Wage?
Oz Shy

Federal Reserve Banks – Federal Reserve Bank of Boston
Abstract:

I analyze labor markets where the legal minimum wage is lower than the equilibrium wages. In these labor markets, firms have incentives to collude on paying minimum wage rather than engage in wage competition in order to attract more workers. The model analyzes firms competing simultaneously in their product and labor markets to identify how varying the degree of competition affects firms’ incentives to collude on paying minimum wage. I find that more intense labor market competition makes collusion on paying minimum wage less likely. In contrast, more intense product market competition makes collusion more likely. (grifos meus)

Fascinante, não? Sabe, isso tem a ver com gorjetas. É, isso mesmo.

Shelkova (Forthcoming) provides the main empirical support for this paper. Using 1990–2002 data on service occupation workers, she shows that on average 19.3% and as much as 31% of service occupation workers who earned minimum wage or less could be affected by collusive wage-setting during this time period. Relatedly, looking at labor markets where service workers collect tips, Shy (Forthcoming) explains why restaurant owners may collectively benefit by encouraging their customers to follow the “social norm” of leaving tips. This is because the long-term (over a century) increase in tipping rates resulted in lower wage rates. (p.1-2)

Coalizão? Fixação de salários? Como assim? Pois é. Tem que ler o artigo. Mas repare que tudo começa com um mercado de trabalho imperfeito e o reconhecimento de que não se pode analisar o mercado de trabalho sem uma análise com o mercado do produto.

Como sempre digo para os alunos – os que não estão dormindo ou que não estão (ainda) catatônicos por excesso de uso de ‘zap-zap’ no celular – a Ciência Econômica é fascinante. Diante de uma evidência empírica, desenvolve-se um modelo para se explicar o evento. Obviamente, isso significa que é preciso muito cuidado para se dizer que a evidência empírica é, de fato, uma regularidade ou um “fato estilizado” com o qual valha a pena investir algum tempo teorizando.

Poderíamos ter o oposto, como é o caso da economia novo-keynesiana, que se iniciou, conta-nos Snowdon e Vane naquele livro-texto clássico (esqueci a referência agora), construindo modelos teóricos para, depois, buscar as evidências empíricas.

O que eu quero dizer é que, em última instância, ambos os procedimentos são válidos, falhos e necessários ou, sei lá, indispensáveis.

Bacana, né?

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Economia Comportamental: o encontro na USP (brevíssimas notas)

20141111_130541Há muito o que falar. Mas, antes, vou deixar aqui algumas das dicas que consegui, sem muita habilidade, pegar das apresentações da tarde. Primeiro, este vídeo sobre incentivos e uso da água (algo que o nosso governo poderia usar, se fosse eficiente…na verdade, é irônico que uma carta com “nossos governos vizinhos estão fazendo melhor do que você” escrito nela não nos levaria a um lugar melhor, mas…).

Outra dica são estes blogs: o da CVM, sobre economia comportamental, e o do pessoal do encontro. Este portal já deve ser conhecido de alguns e, claro, a história do Katona é uma curiosidade “arqueológica” única.

A idéia de vender o peixe como Ciências Comportamentais, discutida, parece-me legal. Não pude ficar até o fim do encontro, para o momento do debate, ou perderia meu vôo, mas imagino que esta tenha sido uma das idéias mais interessantes do encontro, para livrar as pessoas dos preconceitos e afins.

Outro ponto legal é ouvir que lá, na Psicologia, o pessoal não tem preconceito ou problema com a racionalidade. Há quem ache que as pessoas agem irracionalmente, mas não é a leviandade que ouço da boca de gente que critica sem ler. Claro, ainda há muito o que ser feito antes de sair por aí dizendo que pessoas são estúpidas.

Ah sim, a idéia de que elasticidade-preço da demanda e a própria demanda são mais do que conceitos exclusivos da humanidade é algo que sempre achei interessante e, claro, aparece em experimentos com animais (sim, isso mesmo). Bom, eu nunca vi dialética marxista entre formigas, mas lei de demanda…(fascinante, não?).

Pela manhã, alguns painéis foram apresentados e eis um resumo visual.

20141111_123810 20141111_123754 20141111_123744 20141111_123736Pois é. Muita coisa, não? Espero que o pessoal do encontro publique algo lá no blog (vídeos, fotos ou mesmo transparências apresentadas, quando possível) porque, quem já conhece um pouco, vai adorar.