Uncategorized

Enquanto isto, na Latvéria do universo alternativo Marvel, após a vitória da candidata de Destino no segundo turno…

thanos_dil1

Anúncios
Uncategorized

Ignorância Racional existe?

O Lucas Mafaldo (este minimalista aqui) enviou-me a informação sobre um texto muito interessante. Eis o resumo.

Lopez de Leon, Fernanda Leite, and Renata Rizzi. 2014. “A Test for the Rational Ignorance Hypothesis: Evidence from a Natural Experiment in Brazil.” American Economic Journal: Economic Policy, 6(4): 380-98.

Abstract

This paper tests the rational ignorance hypothesis by Downs (1957). This theory predicts that people do not acquire costly information to educate their votes. We provide new estimates for the effect of voting participation by exploring the Brazilian dual voting system- voluntary and compulsory- whose exposure is determined by citizens’ date of birth. Using a fuzzy RD approach and data from a self-collected survey, we find no impact of voting on individuals’ political knowledge or information consumption. Our results corroborate Downs’ predictions and refute the conjecture by Lijphart (1997) that compulsory voting stimulates civic education.

Ou seja, segundo o artigo, a hipótese do eleitor que não se informa racionalmente possui corroboração empírica. É interessante, contudo, pensar no que disse o Allan Drazen, em um artigo, há alguns anos (curiosamente, Drazen não aparece na revisão de bibliografia das autoras), sobre o tema. De forma resumida, ele dizia o seguinte: com o passar do tempo, a ocorrência das eleições altera a forma como os eleitores se comportam diante dos políticos. Como as autoras analisaram apenas uma amostra coletada (quanto trabalho, heim???) em um corte transversal (alunos, 2010), não dá para fazer inferências sobre a dinâmica dos votos.

Assim, eu me pergunto se a análise deste ótimo artigo poderia ser complementada por outros trabalhos que analisassem a dinâmica das eleições procurando testar se existe, mesmo, algum impacto sobre a forma como os eleitores buscam se informar sobre os políticos.

Acho que este artigo vai fazer parte da bibliografia básica do curso de Econometria III no próximo semestre.

Uncategorized

Ele quer cometer suicídio ritual em nosso jardim…deixamos ou não?

HARA-KIRI -Death of a SamuraiDescobri o que me agrada neste filme (comentei aqui ontem): tem um jogo de reputação, central em toda a trama. Em resumo muito rápido, no início do filme vemos um jovem samurai sem senhor (o tal “Rounin”), pobre, que se apresenta na casa de um outro senhor feudal pedindo para usar o pátio para se suicidar (mais sobre o filme nos links do post anterior sobre o tema).

O problema é que outros – em situação similar – faziam o mesmo com os senhores feudais, mas claramente jogando com a piedade. Ou seja, o objetivo era fingir se suicidar para ganhar uns trocados ou, com sorte, um emprego.

Lembra, exatamente, o clássico jogo do sequestrador quando ensinamos equilíbrio perfeito em subjogos para os alunos, né? Pois é. A situação, no início do filme, é exatamente esta.

Caso você não conheça o jogo, aí vai uma sinopse: o sequestrador ameaça explodir uma bomba se o piloto do avião não desviar o vôo, digamos, de New York para Havana. O piloto, sabendo disso, tem que decidir se desvia ou não. Sabendo que a morte do sequestrador não o ajuda a chegar em Cuba, o equilíbrio de Nash, neste caso, é o equilíbrio perfeito em subjogos que é não desviar: trata-se de um blefe.

É por isto que um economista diria para você não negociar com terroristas. Mas como este filme não feito por economistas, a trama tem um desenrolar diferente, apelando para outros aspectos humanitário do espectador. Muito cuidado para não cair no golpe do “coração mole” e tentar jogar a teoria econômica fora por causa do filme.

Aliás, antes que você diga que não vai assistir o filme porque você curte teoria econômica, pense também em outro aspecto do roteiro. Ocorre que o pobre coitado, que tenta blefar, leva uma espada que, na verdade, é de bambu, o que é extremamente ofensivo aos que lhe oferecem o pátio para o suicídio.

Assim, ao contrário do problema simples do sequestrador, neste há um elemento adicional que torna a história mais dramática: há uma quebra de decoro imperdoável para os padrões sociais da época. Isto reforça o ódio dos vassalos que, praticamente, forçam-no a cometer o suicídio e é um elemento que não aparece na modelagem do jogo (uma curiosidade que me ocorre agora é: como será que poderíamos modelar este jogo desta outra forma?).

Claro, o drama é terrível e a história é contada de uma forma magistral, mas quem gosta de Teoria dos Jogos deveria dar uma olhada, também por conta desta curiosidade antecipação do famoso exemplo.

p.s.1. O remake de 2011 não é tão bom, há modificações na narrativa, mas vale a pena.

p.s.2. Olha, caso você goste deste tipo de conversa, sobre jogos e filmes, experimente ler um livro chamado Biblical Games, do Steven Brams. É bem divertido, mas você tem que ter algum conhecimento básico de Teoria dos Jogos o que, no Brasil, significa que você, não-economista, tem que ter cursado o mesmo curso de um economista, e não aqueles simulacros de cursos que a gente vê por aí, no qual o sujeito finge que ensina teoria dos jogos, só com lero-lero e as pessoas fingem que aprendem (e também fingem que “é muito difícil” para poder dar um tom dramático ao circo todo).