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Votos (1o turno) e IDH (2010) e um desafio

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O problema das correlações, eu sei, é que são apenas correlações. A base de dados me foi gentilmente cedida pelo Cinelli do Análise Real (não se assuste: não tem lista do Elon para resolver…). Veja, por exemplo, o exemplo dos gráficos acima. Desta vez, IDH e votos.

Eu tenderia a imaginar cenários nos quais a variação do IDH afeta a votação de um candidato. Entretanto, o que temos ali é o nível do IDH. Ok, pode ser que o IDH não varie tanto assim de 2009 para 2010, mas eu não estou pensando em um período de tempo tão curto.

Seria legal ver um exercício de algum aluno que pegasse o IDH para um período anterior, digamos, FHC ou da Silva e fizesse a variação do IDH e, depois, criasse as correlações com os votos do 1o turno. Taí. Este exercício valeria pontos extras (com script, dados fidedignos, planilha organizada, feito em R…). Desafio para quem fizesse isso na minha presença, em 30 minutos (e tem que se virar para achar os dados).

Aposto que outros blogueiros, claro, já fizeram este exercício. Ou estão fazendo. Ou seja, meu desafio pode não valer nada porque, como diz um veículo de comunicação: tudo pode mudar em 20 minutos

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O preço da civilização são os impostos?

The tribute system, for all its injustice and cruelty, preserved something of the Arawaks’ old social arrangements: they retained their old leaders under control of the king’s viceroy, and royal directions to the viceroy might ultimately have worked some mitigation of their hardships. But the Spanish settlers of Española did not care for this centralized method of exploitation. They wanted a share of the land and its people, and when their demands were not met they revolted against the government of Columbus. In 1499 they forced him to abandon the system of obtaining tribute through the Arawak chieftains for a new one in which both land and people were turned over to individual Spaniards for exploitation as they saw fit. This was the beginning of the system of repartimientos or encomiendas later extended to other areas of Spanish occupation. With its inauguration, Columbus’ economic control of Española effectively ceased, and even his political authority was revoked later in the same year when the king appointed a new governor.

O restante do texto não entusiasma tanto, mas a descrição acima é um bom exemplo de como a criação de um sistema tributário está muito mais distante da visão romântica dos livros de Finanças Públicas e bem mais próxima da descrição dos escritos de Buchanan, Tullock ou Olson (Mancur Olson Jr.).

O preço da civilização só é igual à existência de tributos quando estes tributos não são vistos como uma forma inferior de exploração pelo governo. Foi só Colombo ficar um pouco mais poderoso e os colonos e a Coroa acabaram com sua festa. De quebra, acabaram com mais algumas vidas…

Pois é. Como entender a história econômica sem usar a teoria econômica e a compreensão do papel dos incentivos? Como fazer isso tudo sem hipóteses testáveis? Não tem jeito. Aliás, até tem, mas aí é questão de religião…

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O último recurso e o brasileiro que inventou a máquina de fabricar água

Julian Simon chamava o “côco” de último recurso. Não, não me refiro ao côco do bem ou da água geladinha e sim ao cérebro. Pois é. Aí eu leio que um brasileiro inventou uma máquina que tranforma ar em água.

É de bater palmas, né? Pois é. Aí ele fala que boa parte dos componentes de sua máquina são importados (custos), a escala é pequena (“não tem linha de produção”) e a demanda aumentou. Já sabe para onde vai o preço de equilíbrio, não sabe? Para o alto (e avante). Basta brincar com as curvas de oferta e demanda que você aprendeu no curso.

Tivesse o governo feito o trabalho que lhe cabe de baratear a infra-estrutura e aumentar o grau de abertura da economia nestes últimos anos (vamos ser mais explícitos: nos últimos 12 anos), muito provavelmente (mesmo) o inventor conseguiria atender sua demanda a um custo menor.

No momento em que a água é um problema para o país não apenas por causa de um tempo seco, mas também porque uma conta de luz artificalmente barateada estimulou o consumo de energia elétrica e aumentou a demanda por uso de energia hidrelétrica, invenções como esta seriam uma ótima notícia.

Mas falta parar de demonizar o empreendedorismo nas escolas, olhar com seriedade para os problemas do chamado custo Brasil e também abrir mais a economia. Nada que passe perto da cabeça de gente que manda o povo comer ovo quando o preço sobe, eu sei, mas é o que eu esperaria…

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IPCA – IBGE: eu teria mais cuidado antes de recomendar a “substituição” de carne por ovos…

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Na boa? Eu seria mais cuidadoso antes de recomendar a troca de carne por ovos. Olha aí o IPCA (IBGE, claro!). Variações mensais. Eu sei, eu sei, você vai me falar de dessazonalização e eu concordo…se você quiser analisar a inflação, não recomendar ovos para a tia Maricota porque ela não tem desconto “sazonal” na feira. Aliás, isso não facilita o argumento da equipe da Fazenda, né?

Eu até pensei em colocar o preço da paçoca aí, mas não achei (e minha esposa não recomenda a troca de carne por paçoca no almoço).