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Como Baumol ainda é meu economista favorito para o Nobel…

Resolvi citar um artigo bacana sobre ele. Saiu no Journal of Business Venturing, 2008 e o autor é o sempre ótimo Russ Sobel.

Testing Baumol: Institutional quality and the productivity of entrepreneurship

Russell S. Sobel 

Abstract
Baumol’s [Baumol, W.J., 1990. Entrepreneurship: productive, unproductive and destructive. Journal of Political Economy 98 (5), 893–921] theory of productive and unproductive entrepreneurship is a significant recent contribution to the economics of entrepreneurship literature. He hypothesizes that entrepreneurial individuals channel their effort in different directions depending on the quality of prevailing economic, political, and legal institutions. This institutional structure determines the relative reward to investing entrepreneurial energies into productive market activities versus unproductive political and legal activities (e.g., lobbying and lawsuits). Good institutions channel effort into productive entrepreneurship, sustaining higher rates of economic growth. I test and confirm Baumol’s theory, and discuss its significance to the literature, economic prosperity, and policy reform. 

Viram só? Baumol é o cara!

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Ainda a querela…- parte 2

Este outro artigo é do Atlantic Economic Journal, de 2013.

Why Do Politicians Implement Central Bank Independence Reforms?

Sven-Olov Daunfeldt & Jörgen Hellström & Mats Landström

Published online: 11 September 2013

Abstract – The purpose of this paper is to investigate why politicians around the world have chosen to give up power to independent central banks, thereby reducing their ability to fine-tune the economy. A new data-set covering 132 countries, of which 86 countries had implemented such reforms, was collected. Politicians in non-OECD countries were more likely to delegate power to independent central banks if their country has been characterized by a high variability in historical inflation and if they faced a high probability of being replaced. No such effects were found for OECD countries.

Veja, este artigo já levanta outro ponto interessante que também envolve instituições, no caso, o jogo político em um país. A pergunta é muito boa: o que leva políticos – que adoram a senhoriagem – a buscarem bancos centrais independentes (em seu país, não via câmbio fixo, que é sempre uma opção, como nos ensina a história do Plano Real)? Basta que a inflação esteja destruindo a economia do país e, pronto, eles adorarão isto.

Tal e qual a bizarra candidata que, no passado, defendia a autonomia do Banco Central e, hoje, não a quer e ainda acusa a oposição de ser “cúmplice dos banqueiros”. Ou melhor, nem tal e qual assim porque a inflação está subindo agora. Ou seja, a candidata não segue a média dos políticos que vemos na literatura. Neste caso, faz o oposto. Bem, eu ficaria preocupado…

 

 

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Ainda a querela acerca da independência do Banco Central: incluindo as instituições no debate

Eu gosto muito da Public Choice, um journal geralmente ignorado pelos economistas tradicionais e seus antípodas pterodoxos. Não é todo dia que sai um artigo interessante, claro, porque a revista é mensal. Mas considere este aqui, publicado em Set/2011, cuja autora é Cristina Bodea, que analisa uma parte dos países não-desenvolvidos: os pós-comunistas.

Independent central banks, regime type, and fiscal performance: the case of post-communist countries

Abstract – This article analyzes the effect of central bank independence on fiscal deficits. Previous literature finds a negative relationship between bank independence and deficits in OECD countries. No such relationship is found for developing countries. We argue that independent and conservative central bankers prefer budget discipline due to the long run connection between deficits and inflation and can enforce their preference through interest rate hikes and refusal to lend to the government. The claim, however, is that the legislated independent status of the central bank is cheap talk in the absence of democratic institutions. We test empirically the conditional effect of central bank independence on a sample of 23 democratic and undemocratic post-communist countries from 1990 to 2002. Results show that independent central banks restrain budget deficits only in democracies. Also, democracies that have not granted independence to their central banks have the worst fiscal discipline.

Em poucas palavras, parece ser importante considerar as instituições do país na qual o tal banqueiro central opera. Sem democracia, a saúde fiscal não é lá aquelas coisas. O tema do artigo, em si, desperta a minha curiosidade. Afinal, nossa autoridade monetária surgiu num momento de fortíssima intervenção governamental na economia (o que equivale ao período “comunista” dos países da amostra analisada pela autora) e, posteriormente, construiu-se um consenso – destruído no último governo – sobre a necessidade de uma autoridade monetária independente para a disciplina fiscal.

Não se engane. “Disciplina fiscal” parece uma palavra feia, que evoca imagem de pais colocando filhos no castigo, eu sei, mas o dinheiro que é gasto pelo governo vem dos seus impostos. Logo, é mais do que desejável que se discuta a disciplina fiscal.

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Menos Emporiofobia, Mais Prosperidade!

Cito parte da entrevista do Schultz com o prof. Cooter:

NS: What role does culture play in enabling or prohibiting necessary legal reforms?

RC: Innovative business ventures are the proximate cause of sustained growth. To launch an innovative business venture in Canada or Sri Lanka, the innovator and financier must solve the double trust dilemma. Furthermore, the legal reforms that facilitate business ventures are most likely to occur when everyone believes correctly that they will share in the gains.

Such economic reasoning invokes universal principles, not cultural differences. Japanese and Californian innovators face universal problems, even though the Japanese industrialist has a different relationship with his main bank than a Silicon Valley entrepreneur has with venture capitalists. Our book is like economics textbooks that easily cross international boundaries by omitting cultural particularities.

O livro dele está aqui. Ah sim, os anarco-fanáticos (mas que titubeiam quando o assunto é particular, envolvendo suas vidas pessoais, descendências, etc) vão pirar.

NS: You conclude by saying that we need to “legalize freedom.” What exactly do you mean?

RC:  Freedom is the presence of good law, not the absence of all law. Innovative business ventures need effective laws of property, contracts, and business organizations. Legalizing business freedom allows innovation to carry us on an unpredictable journey to a richer world.

É, meus amigos, deve haver alguma lei. Não adianta fazer discurso de anarco-fanático para pegar mulher em boate (e depois se arrepender). Tem que estudar e pensar os problemas da realidade com uma boa teoria.

Penso que, embora a ênfase do prof. Cooter não seja nas diferenças culturais, é importante buscar entendê-las para complementar sua análise com o que aprendemos nos últimos anos sobre as instituições informais (na terminologia de Douglass North), como se pode ler neste excelente resumo do prof. Tabellini.

O prof. Cooter tem sido um grande nome da Law & Economics como você pode conferir aqui.

Será que há algo mais nesta história de "cultura", "valores coletivistas", "valores pró-indivíduos", etc? Aguardem!
Será que há algo mais nesta história de “cultura”, “valores coletivistas”, “valores pró-indivíduos”, etc? Aguardem!
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Viva a interdisciplinaridade! História Econômica e Complexidade, juntas!

Pois é. A História Econômica é sempre um tópico interdisciplinar. Veja:

We are very pleased to announce the creation of the Team “Cliometrics and Complexity” (CAC) hosted by IXXI – ENS Lyon, the Complex Systems Institute in Rhône-Alpes (ixxi.fr). The IXXI “Complex System Institute” has already a practice of interdisciplinary collaboration in the modeling of complex systems since it hosts several research fields, currently Mathematics, Computer sciences, Biology and Physics. CAC is not intended to be a Lab but a research project within IXXI – ENS Lyon, aiming at bringing together complex systems modeling and the new discipline of Cliometrics, which aims at modeling long historical macroeconomic and financial data.

Não é ótimo? A Cliometria já é um ramo interdisciplinar, unindo Econometria e História Econômica (como fazer análises sem usar dados de forma cientificamente adequada?). Agora, seguindo ao apelo de tantos – que sempre falam de “renovar” a Ciência Econômica – eis esta genial iniciativa.

Claro, se você fala em “renovar”, mas apenas usa isto como desculpa para esconder sua falta de habilidade com a Estatística ou a Matemática, então você poderá não gostar tanto assim desta iniciativa.

Deixe de lado seus medos e preconceitos por alguns instantes. Vale a pena.