Uncategorized

Isso são outros quinhentos, meu caro banco central…

Outros quinhentos, segundo Câmara Cascudo, diz respeito a:

A partir do séc.XIII os fidalgos de linhagem na Península Ibérica podiam requerer satisfação de qualquer injúria, sendo condenado o agressor em 500 soldos. Quem não pertencesse a essa hierarquia alcançava apenas 300. Compreende-se que outra qualquer vilta, vitupério sem razão, posterior à multa cobrada, não seria incluída na primeira. Matéria para novo julgamento. Outra culpa. Outro dever. Seriam evidentemente, outros quinhentos soldos.[Luís da Câmara Cascudo – Locuções Tradicionais no Brasil, Itatiaia, 1986, p.41]

Fidalgos de linhagem adoram cobrar por injúrias, não? Veja, não sou eu quem diz, mas Luís da Câmara Cascudo, o grande folclorista brasileiro.

Ah, a fidalguia nobiliárquica…tão sensível…
Anúncios
Uncategorized

O quadro-negro…e nós

O quadro-negro

Depois que os teoremas ficam demonstrados,
quando as equações se tiverem transformado,
desenvolvido, reveleado;
e o mistério das palavras estiver todo aberto em flores;

quando todos os nomes e números se acharem escritos
e supostamente compreendidos,
com vagaroso e leve movimento
o Professor passará uma silenciosa esponja
sobre as coisas escritas:

e nos sentiremos outra vez cebos,
sem podermos recordar o que julgávamos ter aprendido,
e que apenas entrevíramos,
como em sonho.

(Cecília Meireles, 1963)

Uncategorized

Outro blog excelente

Finalmente alguém da EPGE resolveu mostrar as caras para o debate público na blogosfera. E começaram muito bem, falando de um tema que desperta polêmicas, muitas vezes, desnecessárias: a independência do Banco Central. Eu não acrescentaria nada. Aliás, eu apenas espero que alguns candidatos à presidência da república da selva brasileira façam, no mínimo, o dever de casa de ler – e entender – o básico de Economia antes de sair por aí falando mal da idéia de uma autoridade monetária independente.

O texto do pessoal da EPGE é o que chamo, desde a Copa da Dilma, de gol da Alemanha.

Uncategorized

Manifesto sobre o caso envolvendo o Banco Central e o Economista Alexandre Schwartsman

O abaixo-assinado está aqui. O texto é este:

A recente notícia de uma ação judicial contra o economista Alexandre Schwartsman deixou-nos perplexos. Todos nos acostumamos, durante anos, a ouvir críticas muito piores e inverídicas – como a de que o BACEN seria manipulado pelos bancos – sem qualquer retaliação. O respeito à crítica e ao debate transparente sobre a condução da política monetária, inclusive, tem sido um aspecto fundamental da atuação do BACEN, progressivamente construído desde a estabilização, há mais de duas décadas.

A judicialização como instrumento de repressão à divergência representa um retrocesso inaceitável. Felizmente, a denúncia não foi aceita pela justiça. A intolerância com a divergência e com a crítica ácida e o recurso da máquina pública para suprimir o contraditório, por meio da utilização de uma instituição pública para constranger alguém judicialmente, configuram uma prática incompatível com os valores que uma democracia deve ter e cultivar. Essa atitude prejudica a democracia e as instituições e merece o nosso mais veemente repúdio.

É um texto com o qual concordo. Aliás, se a autoridade monetária realmente ficasse ofendida com críticas que classifica como “pesadas”, “ofensivas” ou, sei lá, “criminosas”, ela deveria processar uma lista maior de pessoas, como bem apontou o Mansueto Almeida

Sim, eu assinei. Sempre achei que é um direito de meus amigos e de meus inimigos fazerem críticas. O mesmo vale para mim. Prestar atenção a uma frase do texto acima: “A judicialização como instrumento de repressão à divergência representa um retrocesso inaceitável”. É exatamente em detalhes como estes que a pouca seriedade de um país pode ir para o brejo. Interessante é fazer o exercício simples: fosse esta atitude tomada nos anos 60, 70 e 80, estaríamos diante de uma repressão autoritária segundo as mesmas palavras de quem, hoje, defende a demissão de consultores (Brasil), alteração de índices de inflação (Argentina), supressão da liberdade de consumir (Venezuela) ou que a liberdade de expressão é apenas um conceito burguês (prencha o parênteses).