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As receitas dos grandes ‘chefs’ são mais saudáveis? Viés de seleção antes da pizza da noite

Vou pedir pizza!

Ué, porque não dá para não morrer de rir com isto. A bem da verdade, o debate é mais sério do que minha piada. A repercussão da mídia:

However, although the researchers and the media have speculated on the effect that this may have, this research does not investigate this question and no conclusions can be drawn. For example, we don’t know if these recipes are cooked and eaten frequently, and we don’t know how the nutritional value of these celebrity chefs’ recipes compares with more humble cooks’ recipes.

It is also important to repeat the fact that celebrity chefs who targeted their recipes at people concerned about weight management or who were on a diet were excluded from the study.

Often, TV chefs’ recipes are designed to be ‘event meals’, with the meal being cooked for a special occasion such as a birthday or dinner party. It is unlikely that someone would use a cookbook to cook all their meals.

Acho que vou ficar com minha alimentação, digamos, adequada às minhas preferências mesmo.

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Bela foto, né?

Validade interna e externa do modelo

Brincadeiras à parte, eis algo para o leitor pensar: existe problema na amostragem? Usando o que vimos em sala de aula (falo, notadamente, com meus alunos de Econometria III – é, temos Econometria III na nossa graduação, mané!), ou seja, o capítulo 9 da última edição do livro de Stock e Watson, acerca da validade interna e externa de modelos econométricos, o que poderíamos dizer sobre este artigo?

Você pode estar pensando: “mas não vi nenhuma regressão lá”. Sim, não viu. Mas nem por isso os autores deixaram de falar do problema. Em uma seção final, em que falam dos problemas do artigo, eles dizem:

To increase the external validity of our findings we used a populist sampling frame to identify both the recipes and the ready meals. However, the nutritional content of recipes varied substantially between individual recipe books (data available from the author), suggesting that a different selection process may have led to different findings. Selecting books that were bestsellers in the run-up to Christmas may have influenced the selection of recipes, and the transient nature of bestseller charts may challenge the representativeness of the sample. The size of the sample prevented subgroup analyses comparing individual chefs or supermarkets.

Viu só? Viés de seleção é um ponto importante! É, e você achou que a aula de Econometria III só falava da relação entre nota de aluno e tamanho da classe, programas de TV que falam de crimes, lei seca ou porte de armas? Não. Nós temos mais assunto para discutir. Basta pesquisar um pouco e ter alguém que fale de títulos engraçados antes do jantar.

A dica do artigo foi da Mayumi Kanashiro, a quem agradeço, mas vou lá fazer uma pizza agora.

UPDATE: o Enoch corrigiu um impagável erro de português no título. Tão óbvio que já corrigi.

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Momento R do Dia: zoom no seu gráfico (IPCA – livres vs. monitorados)

Com esta dica, eu fiz algo interessante: um gráfico com zoom online. Está aqui. Dê uma olhada lá porque no WordPress não consigo colocar a imagem. Basta você marcar a área em que deseja fazer o zoom. 

O código é simples. Importei os dados e construí um dataframe. Depois, só alegria.


library(googleVis)
plot(
gvisScatterChart(data,
options=list(
explorer="{actions: ['dragToZoom',
'rightClickToReset'],
maxZoomIn:0.05}",
chartArea="{width:'85%',height:'80%'}",
crosshair="{trigger:'both'}",
hAxis="{title: 'Monit (%))',
titleTextStyle: {color: '#000000'}}",
vAxis="{title: 'Livres (%)',
titleTextStyle: {color: '#000000'}}",
title="Monitorados e Livres desde 1999",
width=550, height=500,
legend="none"),
chartid="ZoomZoom")
)

Bem, espero que se divirta por lá.

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Dica R do Dia

Hoje, apenas brevemente, para esta dica. Todos que acreditam que o que se aprende na faculdade serve para alguma coisa na vida real provavelmente gostarão.

Aliás, é incrível como esta conversa de “criar cidadãos” não educa mesmo. O moleque aprende que a escola é lugar de bater papo e dar qualquer opinião em qualquer pergunta. Aprende que pode dar as desculpas mais estranhas para tentar se safar das tarefas porque, afinal, nada daquilo serve para nada.

Aí ele engrossa o caldo dos mentalmente limitados, massa de manobra fácil para qualquer espertinho – psicopatas existem, a gente sabe, e enganam até alguns psicólogos – que se finge de coitado para ganhar a atenção dos pais. Depois ele cresce, entra para a política e, bem, aí já viu, né?

Mas não ligue para minha “descrição ficcional” dos fatos. Estou é sem paciência para fazer algo bacana no R e colocar aqui hoje. Coisas da idade e também resultado de ver algumas coisas acontecerem com gente que não deveria aparecer nestes contos de terror…

Acho que precisamos de uns correlogramas ou um pouco de Cecília Meireles.

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Os temíveis efeitos renda e substituição

Passei anos tentando descobrir um jeito mais fácil de explicar isto (sério: uns 10 anos ou mais). Nunca consegui. Mas aí vem o Caplan e nos dá uma nova opção. Agora, graças a Deus, não preciso mais me preocupar em explicar este efeito pela primeira vez para um bando de gente que acha que Microeconomia não tem cálculo (pare de gargalhar ou você morrerá com esta que bem poderia ser a piada mais engraçada do mundo). Fica a dica para os amigos.

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A Doença do Custo e a USP

Marcos Fernandes, da FGV-SP, fala sobre alternativas para a crise da USP. Está aqui. No final do artigo, ele cita brevemente, sem explicar muito, uma tal “doença do custo”. Do que se trata?

Bem, há um economista – é sempre minha aposta para Nobel – chamado William J. Baumol, que cunhou este termos há muitos anos. Como sabemos, há verbetes e verbetes na Wikipedia, mas neste dá para confiar.

Baumol’s cost disease (also known as the Baumol Effect) is a phenomenon described by William J. Baumol and William G. Bowen in the 1960s.[1] It involves a rise of salaries in jobs that have experienced no increase of labor productivity in response to rising salaries in other jobs which did experience such labor productivity growth. This seemingly goes against the theory in classical economics that wages are closely tied to labor productivity changes.

The rise of wages in jobs without productivity gains is caused by the requirement to compete for employees with jobs that did experience gains and hence can naturally pay higher salaries, just as classical economics predicts. For instance, if the retail sector pays its managers 19th century style salaries, the managers may decide to quit and get a job at an automobile factory where salaries are commensurate to high labor productivity. Hence, managers’ salaries are increased not due to labor productivity increases in the retail sector, but rather due to productivity and wage increases in other industries.

Essencialmente, como se vê, é um problema de produtividade diferenciada por setores da economia. Também como se vê, o setor público – no mundo todo – sofre deste mesmo problema em maior ou menor grau (obviamente, deve-se analisar áreas do setor público para se checar as diferenças).

A USP – que todos nós gostamos tanto (pelo menos nós que já tivemos alguma parte de nossa formação ligada à Economia de lá) – passa por uma crise incrivelmente pouco explorada por economistas e jornalistas. Não dá para continuar a tentar explicá-la sem considerar argumentos como este. O uso da Escolha Pública, como em outro artigo, acadêmico, do mesmo Marcos, é, portanto, inevitável.

Tá, parei meus estudos de Econometria para falar disso. Agora, fim dos comerciais.