Momento R do Dia – A taxa de câmbio brasileira e seu comportamento recente (visão preliminaríssima)

cambio_recenteDando uma olhada rápida na taxa de câmbio e procurando por alguma quebra estrutural (nada definitivo), deparei-me com os seguintes resultados (preliminares):

29/05/2012, 07/06/2013 (no caderno de Economia do Estadão, a manchete era o rebaixamento do Brasil por alguma agência de risco), 05/11/2013 (no mesmo caderno, o indicador do BC indicava retração da atividade econômica) e 03/04/2013 (idem, o BC elevava a taxa de juros).

Não fiz uma pesquisa exaustiva por jornais e datas ao redor (e não consegui achar nada para a primeira data). Tem alguma sugestão?

A dica de R: novamente o pacote “zoo”

library(zoo)
base <- read.zoo("C:/cambio_Brasil3.csv",header=TRUE,sep=",",format = "%Y-%m-%d")
head(base)
summary(base)
plot(base)
interpolated<-na.approx(base)
plot(interpolated)
x3<-window(x=interpolated, start=c("2012-01-01"))
plot(x3, ylab="R$/US$", xlab="dias úteis (c/interpolação)", main="Evolução da Taxa de Câmbio")

Pois é. A dica é a seguinte: os dados que tenho são para semanas de 5 dias (dias úteis) e, eventualmente, há “buracos” na base (preenchidos com “NA”). Em casos como este, há várias formas de se preencher os buracos. Escolhi a interpolação default do R.

Só para você ter uma idéia da planilha, eis um “printcreen” da tela.

tela_cambio

Pois é. Repare que, diferente da dica que dei sobre o pacote zoo anteriormente, neste importei os dados de forma mais simples, informando ao programa o formato da data (coluna “A” da planilha).

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Instituições e Estado Leviatã, em tempos imemoriais

The form Fune no Fuhito (or Fune no Fumibito, etc) in the Nihon shoki reading tradition was originally a hereditary title granted to Oo Shinni to designate his role as recorder of ships’ taxes (…). [Seeley, Christopher (1991). A history of writing in Japan. University of Hawai’i Press, p.7, footnote 15]

Nihon Shoki (talvez seja melhor aqui) é um destes antigos registros japoneses sobre os quais se debruçam os historiadores e estudiosos da língua japonesa.

Agora, neste trecho de Seeley (1991), temos uma daquelas evidências milenares de que governos sempre se preocuparam em coletar tributos. Nada muito estranho a quem estuda história, eu sei, mas é algo que, muitas vezes, escapa à percepção das pessoas, acostumadas a imaginar que governo existem para proverem alguns bens que o setor privado não provê.Isto pode ser verdade, mas não porque governos sejam benevolentes.

Pois é. o Nihon Shoki é um dos textos mais antigos do mundo, mas não nega a importância do capital humano para a expropriação. Interessante, não?

Brasil emporiofóbico e nada liberal…e quem diz isto são os mercados!

Cultura importa?

Como assim? Por causa disto. Vejamos o resumo deste interessante texto (a ser publicado em breve no Journal of Financial Economics):

Consistent with predictions from the psychology literature, we find that stock prices co-move more (less) in culturally tight (loose) and collectivistic (individualistic) countries. Culture influences stock price synchronicity by affecting correlations in investors’ trading activities and a country’s information environment. Both market-wide and firm-specific variations are lower in tighter cultures. Individualism is mostly associated with higher firm-specific variations. Trade and financial openness weakens the effect of domestic culture on stock price comovements. These results hold for various robustness checks. Our study suggests that culture is an important omitted variable in the literature that investigates cross-country differences in stock price comovements.

Eu, Pedro e Ari já havíamos encontrado evidências da importância de valores culturais em instituições (como a qualidade de um Estado (governo)), embora os autores dos artigo acima não nos citem. Sim, instituições informais importam, já disse Douglass North dentre outros.

O ponto dos autores é argumentar que a “cultura” seria uma importante variável omitida (meus alunos de Econometria III sabem isso de cor…) em regressões que comparam desempenho do mercado de ações entre países. Por que?

The literature suggests that individualistic investors are likely to be more confident in their ability to acquire and analyze information and less concerned about having different opinions from others (Markus and Kitayama, 1991; Heine, Lehman, Markus, and Kitayama, 1999; Chui, Titman, and Wei, 2010). Therefore, one would expect to observe less herding behavior and more firm-specific information being incorporated in stock prices, which would be likely to lead to lower stock price comovements in individualistic countries. [p.2]

Há algo muito interessante nos achados empíricos do artigo. Pensemos no Brasil, aliás, citado pelos autores em um trecho “exclusivo”:

A closer look at the data suggests that the insignificance of the tightness coefficient is due to Brazil. Brazil’s culture is both loose and collectivistic, which offer conflicting predictions for information opaqueness. [p.20]

Quando a presidente reclama dos mercados, ela reclama demais!

Ora, estamos completando 12 anos de um governo de esquerda – que se orgulha de ser anti-individualista (logo, orgulha-se de ser coletivista e não estou sendo irônico, leia qualquer documento produzido por seus simpatizantes) – e estamos em uma eleição no qual nenhum candidato mostra consistência na defesa de valores menos coletivistas: na melhor das hipóteses, um ou dois deles poderiam, com alguma boa vontade, serem caracterizados como social-democratas.

Este mesmo governo se queixa das oscilações de mercado porque está claro para a sociedade – da qual o mercado é apenas a sua expressão econômica – que a reeleição significa a continuidade de um modelo de política econômica que não gera prosperidade. Isto não é sinônimo – como querem nos vender os profissionais da publicidade que trabalham para o governo – de uma demanda por menos intervenção governamental na economia.

Embora, obviamente, o grau de individualismo/coletivismo de uma cultura possa variar entre países, é razoável supor que ela varie relativamente menos em um mesmo país. Assim, estamos falando de uma sociedade brasileira extremamente coletivista, caracterizada, não por coincidência, com um alto grau de atividade rent-seeking (veja o livro do Lazzarini ou o do Musacchio com ele, para exemplos mais recentes desta literatura) e, portanto, queixa-se de forma muito seletiva.

Ou você viu a sociedade se manifestar fortemente na época do mensalão, por exemplo? A mobilização da esquerda, que até fugiu ao controle dos seus líderes na véspera da Copa do Mundo, por exemplo, sequer foi ativada novamente com a saída lenta e gradual de mensaleiros da prisão. Ainda prevalece uma visão emporiofóbica (compatível com valores culturais que valorizam a perpetuação de traços culturais coletivistas) na sociedade brasileira, ora bolas. É este “mercado” que reclama da presidente. Uma mistura de acionistas e empresários e poupadores que não está se lixando para algum “liberalismo”, muito menos para algum “neoliberalismo”.

Concluindo….

No dia em que os mercados reclamarem de excesso de rent-seeking e a sociedade sair às ruas pedindo menos intervenção do governo em suas vidas, aí sim, poderemos falar de um eleitor mediano liberal ou libertário. Até lá, meus amigos, não, não estamos diante de um “mercado neoliberal que deseja acabar com o bolsa-família”.

Estamos, isto sim, diante de um mercado que opera sob altos graus de ineficiência econômica desejado por muitos de seus supostos empresários “liberais” que, por sinal, só financiam idéias liberais que não incentivem o uso da econometria para não terem seus poderes monopólicos ameaçados (já se vê, por aí, alguns jovens entusiastas deste discurso liberal que se diz pluralista, mas não aceita qualquer divergência de opinião e, sim, muitas vezes defende o fim do bolsa-família, do banco central, etc).

É o Brasil uma sociedade cheia de empresários jovens e realmente empreendedores, que arriscam seu capital para criar produtos novos? Não. É nossa cultura uma cultura que valoriza o indivíduo e, portanto, vê com bons olhos a liberdade de consumir? Não. É nossa sociedade caracterizada por um desejo de se livrar das intervenções governamentais em sua vida? Não.

Então, você, que reclama dos mercados “neoliberais”, engole o choro/não perca a cabeça e pára de reclamar tanto. Ou você vive no mundo que te vendem na propaganda governamental?

Outra dica de R e uma observação

O Cinelli, como sempre, dá-nos uma ótima dica de R. Desta vez, o assunto é a PNAD. Devemos agradecer ao Flavio Barros por isso. Ele, aliás, inicia seu texto nos lembrando do problema recente pelo qual passou o IBGE.

Com o erro recente na divulgação dos resultados da PNAD 2013, o nome do IBGE e também os resultados dessa pesquisa, chegaram na grande mídia de um forma muito negativa. Ainda assim, a maioria das pessoas desconhece o que é a PNAD, como esses dados são obtidos e como eles podem ser baixados e utilizados. Neste post vou fornecer uma breve explicação do que é PNAD, como esses dados são distribuídos (na forma de microdados) e como você pode facilmente obtê-los e utiliza-los a partir de ferramentas gratuitas como o R.

Veja como são as coisas. Como foi descoberto o erro da PNAD? Segundo consta, alguns pesquisadores estranharam os dados (gente que se especializou em certos assuntos, como nos ensina Adam Smith, pega estas coisas bem rápido). O uso do R, neste sentido, e a transparência na divulgação dos dados – que é uma característica do IBGE, vale dizer – só ajudam neste processo.

Ao longo da semana eu vi, com tristeza, o governo tentar fazer disso um ponto na campanha eleitoral. Um desrespeito, na minha opinião, ao trabalho de gente séria que existe no setor público, notadamente no IBGE. A imprensa, inclusive, tem sido muito tímida, quase medrosa, na cobertura dos fatos que lá se desenrolam desde então. Há um problema sério quando o governo tenta intimidar pesquisadores por meios burocráticos e isso sinaliza para uma argentinização indesejável em órgãos geradores de dados públicos tão importantes para análises de políticas públicas. Gostaria de ver mais discussões sobre isto na blogosfera.

Por outro lado, novamente, como é maravilhosa a liberdade e o seu bom uso por parte dos indivíduos. Caso existam erros, pesquisadores poderão encontrar rapidamente o erro e ajudar a corrigí-los se os dados são disponibilizados sem burocracias, sem véus autoritários, etc. Esta é a tecnologia de auto-correção que a própria internet e os avanços computacionais nos permitem hoje em dia.

Fica aqui meu desejo de boa sorte às pessoas não apenas do IBGE, mas de todos os órgãos públicos (em todos os níveis da federação e também em qualquer lugar do mundo), que valorizam seus currículos e não querem ser conhecidas por aí como funcionários de órgãos aparelhados que fazem maquiagem de dados, escondem pesquisas, etc. Torço por vocês, amigos!

Grandes momentos da sociologia brasileira: ainda Oliveira Vianna

É engraçadíssimo ler o que alguns acharam ser ciência, muitos anos depois. Por exemplo:

Nos serviços domésticos, as negras ‘minas’, dóceis, afetuosas e possuindo uma inata habilidade culinária, são preferidas como mucamas e cozinheiras. Elas e as de raça fula, porques ão mais belas, elevam-se mesmo, às vêzes, à condição de ‘donas de casa’ ou ‘caseiras (…).
Os mulatos, em regra, mais inteligentes do que os negros puros, mais vivazes e destros, mais ladinos, aplicam-nos os senhores em ofícios mais finos, como sapateiros, sirgueiros, marceneiros e alfaiates, em que se revelam habilíssimos. [Evolução do Povo Brasileiro, José Olympio, 4a edição, 1956, p.150]

Oliveira Vianna é um dos autores mais pitorescos – na minha opinião – da antiga sociologia brasileira. Tem cada trecho engraçado…e, como já falei antes, muita gente achava que “raça” era um conceito científico sério.

O trecho acima não tem erros de lógica, não é? Mas é uma visão científica bem fundamentada? Obviamente que não. Por isso é que retórica não pode ser apreciada apenas em si. Há quem não entenda o que McCloskey escreveu e viva por aí dizendo que o negócio, em Economia, é falar bonito. Nada mais longe da realidade. O ponto é falar de forma elegante, mas sem exageros. Falar para ser entendido.

Agora, de nada adianta falar se você não mostrar evidências científicas sérias. Ou você acha que basta falar que o negrinho do pastoreio é bom jogador de futebol porque você leu isto em um romance qualquer para que isto seja considerado uma séria afirmação científica? Não dá, né?

Escolha Pública (Public Choice) e as Eleições

O prof. Jorge Vianna Monteiro continua produzindo, mesmo depois de se aposentar. Veja, por exemplo, o último número de sua carta de conjuntura: Carta514.

Leitura recomendadíssima e importante neste momento. Independente do que você pense sobre este ou aquele candidato, a Escolha Pública é, sim, o arcabouço teórico importante para se entender os incentivos que estão por trás das ações dos políticos. Políticos não são – nunca foram e nunca serão – anjos. Pois é…

Exemplo de livro-texto de Microeconomia (Economia Brasileira)

Senta que aí vem história!

Diz-nos Modiano em A Ordem do Progresso, acerca do Cruzadinho (jul-out/1986) que o governo criou:

(…) um sistema de empréstimos compulsórios: novos impostos indiretos na aquisição de gasolina e automóveis que seriam restituídos após três anos. [Modiano (2014) : 294]

Para o leitor mais novo, pode parecer algo estranho. Mesmo para mim, então um estudante universitário, estes empréstimos não eram tão importantes (usava eu, na época, ônibus). Mas eis que este pessoal fez um belo resumo sobre os impostos (e você pode ver o decreto-lei aqui). Cito porque, geralmente, economistas fogem da análise das leis (sim, são chatas), mas elas são importantes demais para serem ignoradas. Afinal, aí estão alguns dos incentivos mais cruéis (ou não) que se pode criar para um sistema econômico. Custos de transação (e outros custos) são criados, aumentados ou diminuídos pelo uso da lei.

Mas vamos lá. Citando no original:

Originalmente, o valor do referido empréstimo era equivalente a:

  1. 28% (vinte e oito por cento) do valor do consumo de gasolina e álcool carburante;
  2. 30% (trinta por cento) do preço de aquisição de veículos novos e de até um ano de fabricação;
  3. 20% (vinte por cento) do preço de aquisição de veículos com mais de um e até dois anos de fabricação; e
  4. 10% (dez por cento) do preço de aquisição de veículos com mais de dois e até quatro anos de fabricação.

Antes mesmo do término do prazo de vigência originalmente estipulado (três anos, cinco meses e oito dias), o empréstimo compulsório foi aos poucos deixando de ser exigido dos consumidores brasileiros.

Primeiramente, o Decreto-Lei nº 2.329/1987, suprimiu as letras “c” e “d” acima, eliminando, portanto, o empréstimo compulsório incidente sobre veículos com mais de um ano de fabricação e reduziu de 30% (trinta por cento) para 15% (quinze por cento) a alíquota incidente sobre o preço de aquisição de veículos novos e de até um ano de fabricação. E o Decreto-Lei nº 2.340/1987, fez cessar, a partir de 30/06/1987, o empréstimo sobre a aquisição de automóveis de passeio e utilitários. [Fonte: Atualização monetária e juros incidentes sobre empréstimo compulsório de combustíveis e veículos]

Repare na complexidade da lei. Não é difícil entender o porquê de ela não ter sobrevivido por muito tempo. Ah sim, e os combustíveis?

Por tratar se de um “empréstimo”, o valor arrecadado seria reembolsado posteriormente aos consumidores, mediante a apresentação das Notas Fiscais de compra do combustível e/ou veículo, além disso, ele apresentou-se inconstitucional, visto que seu próprio nome já é uma incoerência: se é empréstimo deve ser contrato voluntário, sendo compulsório não se trata de empréstimo e sim de imposto. E imposto novo deve seguir os estritos limites legais.

Muitos consumidores, pessoas físicas ou jurídicas, devido à inconstitucionalidade do empréstimo entraram na justiça para fazer juz à restituição, principalmente em virtude da dificuldade de provar o valor a restituir, pois era necessário a apresentação de todas as Notas Fiscais de compra de combustível ou veículo. Assim, somente grandes empresas com ótima contabilidade acabaram por se servir da restituição. [Fonte: a mesma anterior]

Eis aí um exemplo muito interessante de aplicação de Microeconomia. Fosse eu o professor de uma disciplina como esta, faria uma proposta de exercício mais ou menos assim…

Vamos estudar Microeconomia?

Vamos lá. Suponha um consumidor com preferências bem-comportadas (isto é, que gosta de ter de tudo um pouco ou, tecnicamente, estritamente convexas). Sejam apenas dois bens, D = valor em R$ gastos em n-1 mercadorias e g = quantidade de gasolina. O preço de um real é, obviamente, R$ 1.00 e o litro da gasolina custa, digamos, p. O governo cobra um imposto por valor gasto em gasolina (28% sobre seu valor). Isso significa, então, que cada litro ficou 28% mais caro. Suponha – arghhh! – que não haja inflação (embora isso não seja bem o caso de 1986…depois podemos fazer um exercício de escolha intertemporal com hiperinflação…).

Escreva a restrição orçamentária do consumidor sem e com o imposto.

Resolver este problema é mais fácil do que parece. Afinal, a proposta do Sarney não era nenhuma novidade. Para entender isto, veja a seção 8.7 do livro de Hal Varian (existem dois manuais de microeconomia deste autor e eu me refiro, obviamente, ao livro de graduação). A diferença é que o imposto não é do tipo p´= p + t, mas sim p´=(1+t)*p  com t = 28%/100% = 0.28.

Basicamente, você tem um imposto  p´=t.p, t= 1.28. A receita do governo será R =0.28*g’, em que g’ é a quantidade de gasolina consumida após o imposto.

A restrição sem o imposto é:

p*g + D = m.

Com o imposto e devolução é:

p’g’ + D’ = m + tg’, ou seja:

(p’-t)g’ + D’ = m

Substituindo os valores:

(1.28p – 0.28)g’ + D’ = m

Sabemos que o preço deve ser positivo e, assim, a restrição acima só faz sentido se ocorrer a desigualdade: 1.28p > 0.28. Ou seja, se p > 0.21875.

Mais um pouco de ambição…

Problema resolvido. Agora, uma outra questão, importante, mas que não conseguimos resolver genericamente: a cesta de consumo com imposto (e devolução do valor do imposto) é melhor ou pior do que a cesta original (obtida sem imposto algum)?

Diferentemente do caso simples em que p’ = p + t, não é possível usar o princípio da preferência revelada para saber se o sujeito fica pior ou melhor com o novo imposto. O jeito é fazer algumas hipóteses sobre a função utilidade e os parâmetros e tentar obter resultados menos gerais. Este é um primeiro ponto. (*)

Além disso, tanto no caso tradicional como neste exemplo, ignora-se os custos de se levar as notas fiscais para algum órgão público, enfrentar filas e conseguir o rebate. Isto não altera nenhum resultado obtido até aqui, exceto que os torna piores, já que o custo de oportunidade deveria ser acrescido do valor do tempo que seria gasto pelo indivíduo.

Bem, vimos que o impacto do imposto de Sarney no Cruzadinho não pode ser determinado genericamente, o que prejudica um bocado a análise de seu impacto efetivo pois não é possível obter um resultado geral. De qualquer forma, resolvemos o exercício.

(*) Por exemplo, digamos que a função de utilidade seja uma Cobb-Douglas com pesos simétricos (0.5). Digamos que p = 1, t = 0.5 e m = 1000.

Então, o preço efetivo de g, como vimos, é (p’-t), ou seja, (p(1+t) – t) => (p +pt -t).

A demanda de g, neste caso, será: g’ = (0.5)*(1000)/(1 + (1)*(0.5) – 0.5) = 500 e D’ = 500. Repare que, neste caso, a cesta nova (g’, D’) tem, exatamente, as mesmas quantidades da cesta original pois g =  (0.5)*(1000)/(1) = 500 e D = 500.

Este resultado não ocorreria se, digamos, p = 2. Neste caso, D’ = 500, mas g = 217.39, que é uma cesta com menor nível de bem-estar.

Regras de política monetária…na prática

Super dica do blog do Mankiw que coloco aqui.

cool

A figura aí em cima é um printscreen de um pedaço da página. Os gráficos são interativos. Você pode acompanhar os valores ao passar o cursor sobre as curvas. Excelente iniciativa destes empreendedores. Não sei como não há, no Brasil, um único estudante de economia que não tenha se preocupado em fazer algo assim para verificar o que o Banco Central tem feito. Afinal, não é tão difícil, é? Que tal você fazer isso?

Como dizem por aí, fica a dica e, sim, quem o fizer, para mim, fez um…gol da Alemanha!

Ótima citação

Perfeita. Vou reproduzir. É uma das melhores explicações que já vi.

The subsidization of foreign exports enables Americans to tap into the income bases of foreign countries and impose a tax on foreigners every time a subsidized product is imported into this country. Communist China, for example, would never consider allowing the U.S. government to tax its one billion citizens directly; nevertheless, that is what China permits indirectly through the subsidies it gives its exporting industries, for example, textiles. The tax is realized in terms of higher prices and lower real incomes in China and lower prices and higher real incomes in the United States.

Não há como negar: alguns economistas conseguem mostrar velhos conceitos de maneira muito talentosa. É o caso do McKenzie, autor do trecho acima.

Momento R do Dia – breve: termos de troca e preços das exportações

Pastore e Pinotti têm um belíssimo texto neste documento que citei aqui ontem. Em algum momento, eles falam de duas séries da Funcex: um índice de termos de troca de commodities e um índice de preços das exportações, ambos referentes ao Brasil e, também, ambos, com a mesma base (2006 = 100).

Resolvi verificar, por curiosidade, alguns trechos do texto. Você deveria ler. Não são nem 20 páginas e é um belo resumo da economia brasileira recente com boas pontes para temas históricos importantes. Vale realmente a pena. Mas vamos aos dados. Achei quase as mesmas séries (não achei o índice de termos de troca para commodities, mas acho que foi erro meu…)  e, bem, vamos aos gráficos iniciais.

pastore1

É impressionante como o prof. Pastore tem um olhar sempre muito bom para séries de tempo econômicas. No texto ele dizia:

Entre 1975 e 2002 há uma sucessão de ciclos em ambas as variáveis sem qualquer tendência de crescimento. Mas por volta de 2002 se inicia um período de forte elevação do CRB, que provoca o aumento intenso dos preços das exportações brasileiras. (p.42)

Sim, eu sei que eu basicamente segui o que ele disse (embora, novamente, minha série de termos de troca pareça ser mais abrangente).

Sobre a causalidade, resolvi também fazer um teste rápido. Dá para ver que, no primeiro período, as séries são estacionárias e, no segundo, não. Ok, o certo é fazer um teste de raiz unitária, mas eu não tinha muito tempo e fui na pressa. Em resumo, para um período eu usei as séries em nível e, no outro, eu fiz a diferença supondo – acho razoável – que ambas tenham apenas uma raiz unitária cada no período final (meu corte é diferente do dele porque considerei o início do período seguinte em 2003, não em 2002).

Assim, para o período inicial (com uma defasagem):

Model 1: termos_troca_1 ~ Lags(termos_troca_1, 1:1) + Lags(precos_X_1, 1:1)
Model 2: termos_troca_1 ~ Lags(termos_troca_1, 1:1)
Res.Df Df F Pr(>F)
1 296
2 297 -1 0.0025 0.9603
> grangertest(termos_troca_1,precos_X_1, order=1)
Granger causality test

Model 1: precos_X_1 ~ Lags(precos_X_1, 1:1) + Lags(termos_troca_1, 1:1)
Model 2: precos_X_1 ~ Lags(precos_X_1, 1:1)
Res.Df Df F Pr(>F)
1 296
2 297 -1 0.0344 0.8529

Em ambos os casos é difícil rejeitar a hipótese de não-causalidade (para ambos). Já no segundo caso, lembrando que minha série de termos de troca não é a mesma, encontrei causalidade bilateral (ok, eu vou rever a especificação depois…).

Model 1: diff(termos_troca_2) ~ Lags(diff(termos_troca_2), 1:1) + Lags(diff(precos_X_2), 1:1)

Model 2: diff(termos_troca_2) ~ Lags(diff(termos_troca_2), 1:1)
Res.Df Df F Pr(>F)
1 134
2 135 -1 36.187 1.609e-08 ***

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1
> grangertest(diff(termos_troca_2),diff(precos_X_2), order=1)
Granger causality test

Model 1: diff(precos_X_2) ~ Lags(diff(precos_X_2), 1:1) + Lags(diff(termos_troca_2), 1:1)
Model 2: diff(precos_X_2) ~ Lags(diff(precos_X_2), 1:1)
Res.Df Df F Pr(>F)
1 134
2 135 -1 19.462 2.09e-05 ***

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1
> grangertest(precos_X_1, termos_troca_1, order=1)
Granger causality test

É, mas já dava para desconfiar. Veja só os gráficos das correlações cruzadas (com defasagens em j=0, 1, …, 12).

pastore2 pastore3 pastore4 pastore5

Já dava para desconfiar que haveria algo assim, não? Bem, mas eu preciso revisitar os dados e ver se consigo a série correta dos termos de troca. De qualquer forma, qualquer aluno de Economia pode replicar o exercício. Não precisa muito.

Outro ponto é, como fiz outro dia em um exercício sobre preços livres e monitorados, devemos verificar a significância estatística destas correlações.

Finalmente, embora não pareça haver sazonalidade nas séries, é necessário dar uma pesquisada em como as séries são construídas. Aliás, isto é algo que se aprende com o prof. Pastore em suas aulas de Econometria ou de Economia Monetária ou qualquer outro curso que ele ministre (embora eu só o tenha visto nestes dois).

Obviamente, eu me concentrei aqui na operacionalização do texto de Pastore e Pinotti em R. Mas uma análise completa exige mais do que isto. É preciso revisitar o texto (este trecho do texto) e refazer umas contas. Quando tiver tempo, ok?

library("astsa")  # para os graficos de autocorrelações cruzadas

base<-read.table("c:/Users/cdshi_000/Documents/Meus Documentos/Meus Documentos/pastore.csv",header=TRUE, sep=",", na.strings="NA", dec=".", strip.white=TRUE)

summary(base)
series<-ts(base,start=c(1978,1),freq=12)
head(series)
precos_X<-series[,2]
termos_troca<-series[,3]

plot(termos_troca)
plot(termos_troca,precos_X)

# criando sub-amostras

precos_X_1<-window(precos_X,c(1978,1), c(2002,12))
termos_troca_1<-window(termos_troca,c(1978,1), c(2002,12))

lag2.plot(precos_X_1, termos_troca_1, max.lag=12,corr=TRUE, smooth=FALSE)
lag2.plot(termos_troca_1, precos_X_1, max.lag=12,corr=TRUE,smooth=FALSE)

precos_X_2<-window(precos_X,c(2003,1), c(2014,7))
termos_troca_2<-window(termos_troca,c(2003,1), c(2014,7))

lag2.plot(precos_X_2, termos_troca_2, max.lag=12, corr=TRUE,smooth=FALSE)
lag2.plot(termos_troca_2, precos_X_2, max.lag=12, corr=TRUE,smooth=FALSE)

library(lmtest) # para o teste de causalidade

par(mfrow=c(2,2))  # é, dividi a janela em duas linhas e duas colunas
plot(precos_X_1)
plot(termos_troca_1)
plot(precos_X_2)
plot(termos_troca_2)

grangertest(precos_X_1, termos_troca_1, order=1)
grangertest(termos_troca_1,precos_X_1,  order=1)

grangertest(diff(precos_X_2), diff(termos_troca_2), order=1)
grangertest(diff(termos_troca_2),diff(precos_X_2),  order=1)

CDPP: uma ótima notícia para o Brasil

Que ótima notícia eu li no Estadão de hoje: criou-se o CDPP e ele tem muito mais relevância no debate atual do que qualquer outra ONG. Nada de frases de efeito, nada de fanatismo disfarçado de ciência, nada bravatas. Somente a excelência da pesquisa em prol de um trabalho sério em torno dos problemas brasileiros.

Digressão Depressiva

Durante muito tempo achei que os jovens trariam seu entusiasmo para a pesquisa e que isso aconteceria por meio deles. Erro meu, claro. Os jovens não conseguem elaborar textos mais profundos porque não querem saber de pesquisa ou de algo fora da última plataforma que lhes permite compartilhar textos de 147 caracteres ou fotos. Usam a comunicação para compartilhar apenas fotos e recados, não para estudar.

Não estou falando das exceções, claro, mas o surgimento do CDPP mostra isto. Só quem já pesquisa e sabe o tamanho das dificuldades pode buscar construir algo novo com alguma chance de sucesso. De fato, nesta discussão de capital humano e instituições, há algo que, no Brasil, parece funcionar do mesmo jeito: quanto mais novo, mais maoísta e pouco interessado em pesquisa. Quanto mais velho, dependendo do custo de oportunidade, maior o interesse em pesquisa e em conversas relevantes.

Estou muito feliz em ver o CDPP surgir e estou, ao mesmo tempo, muito triste em perceber o quanto sobreestimei a galera mais jovem por muito tempo. Achava que eles fariam isto. Não fizeram. Sucessivas ondas de graduados só fizeram repetir bravatas (já vi até gente chegar ao final do curso carregando preconceitos inacreditáveis) e falar do princípio da não-agressão (do lado de lá) e da luta de classes (do lado de cá) e parar por aí. Nada de ler um livro inteiro, nada de “perder tempo” com mais perguntas sobre o tema.  Nada de econometria porque, afinal, o grande monopolista que financiou a ONG não quer estudos empíricos e a matemática é demoníaca porque (zzzz) o fenômeno social é muito complexo.

Festividades!

É, desabafei. Viva o CDPP! Viva meus amigos que sempre me disseram que eu apostava excessivamente em jovens e que eu estava errado! Viva minha capacidade de aprender racionalmente com os meus erros!

20140920_162454

É, eu também. Nada de choro! Hora de tocar o bonde!

Sobre o erro do IBGE: dois pontos breves

Eu poderia falar um pouco sobre a virtude da concorrência, quando o próprio IBGE reconhece que chegou ao erro por comentários de outros pesquisadores, que estranharam os resultados. Também poderia falar do problema que a chefe do Mantega criou para si mesmo ao afirmar, peremptoriamente, que o papel da imprensa não é o de investigar, o que significa que ela quer que erros do IBGE ou de outros órgãos públicos jamais sejam alvo de investigação pela imprensa, indo na contramão do que eu disse três linhas acima.

É, eu poderia falar disso tudo. Eu sei. Mas eu prefiro falar de um outro aspecto importante: dados. Há muito o que falar sobre isso, mas eu nunca me esqueci das aulas que assisti na UCLA com o prof. Jean-Laurent Rosenthal. Em uma ocasião, ele falou mais ou menos com estas palavras, em sala que: quando usamos apenas dados públicos oficiais (obrigado, Monasterio, pela correção!), fazemos apenas as pesquisas que o governo quer que façamos, não as que queremos (ou poderíamos) fazer. O ponto, simples, é que você deveria dar mais atenção às suas aulas de Estatística, estudar um pouco e coletar seus dados quando esta coleta se encaixa mais na sua hipótese de trabalho.

O povo da História Econômica que não tem medo de calculadora sabe disto, pois coletam dados em fontes as mais inusitadas porque não podem esperar encontrar o que precisam nos arquivos do IBGE apenas.

No final do dia, o erro do IBGE não é tão diferente do erro de Rogoff e Reinhart, não é? O erro ocorreu e foi rapidamente corrigido, o que é um mérito. Isso me leva a um segundo ponto: a velocidade em que a informação circula hoje em dia. Os chamados dados em tempo real são uma realidade (estive na banca de doutorado de uma tese sobre o assunto há alguns anos) e, junto com ela vem a comunidade de economistas que publicam comentários na internet. Por enquanto, esta comunidade é livre, embora uma das candidatas esteja quase explicitamente fazendo uma propaganda enganosa contra a liberdade de expressão sempre que a “expressão” é contrária ao que ela acha bom para ela mesma.

O que acontece quando esta comunidade recebe o dado e o comenta em tempo real? Simples. Caso haja um erro, como este do IBGE, o comentário passa de alguma coisa (certa ou errada) para, definitivamente, errado. Claro, podemos discutir isso em graus, mas o fato é que não se pode analisar uma foto da realidade – a que nos é dada pelos dados (sic) – se a mesma está errada.

São dois pontos sobre os quais vale a pena pensar tomando um café. Dados que eu mesmo coleto (e como lidar com os erros de medida – sobre isto, veja o ótimo livro de Econometria – nível graduação – de Stock e Watson, em sua 3a edição) e a pressa em se analisar dados porque, no mundo atual, a disseminação de dados é muito rápida.

R….R….R!

O Thomaz falou do R no texto anterior e a Roseli já veio me atacar na caixa postal: “- Mas como assim você parou com o R”?

Na verdade, o Thomaz é meu aluno em Econometria III e, nela, eu uso o chato do Stata (ok, sou novato em Stata, estou brincando). Então, não, amigos, o R continua firme e forte (veja o meu curso de Econometria II, formatado para R que todo aluno adora porque pode usar sem se preocupar com pirataria).

Aliás, não há um aluno que reclame do R depois de passar pela curva de aprendizagem – que fica mais fácil quanto mais o sujeito pratica sozinho em casa, antes de ir para o laboratório – o que me deixa a nítida impressão de que só a preguiça pode prender um talentoso estudante na lama.

Certo, Thomaz?

p.s. Então estamos acertados, Roseli. Mais R vem por aí. Keep calm and go estimate them.

Para a galera da 109!

Então pessoal, o R nos deixou. Por mais triste que isso pareça ser, não há motivos para pânico. O Stata é muito bom. O problema é que é pago e a licença não é das mais baratas, mas enfim, essa é a vida.

Segue abaixo os comando necessários para resolver o exercício empírico 10.2 do livro Introduction to Econometrics 3rd Edition, Stock and Watson. A ideia inicial era fazer algo mais completo, mas como meu tempo está curto vou colocar só os comandos e as saídas. A ideia é facilitar a vida de quem quer estudar e não entregar tudo de mão beijada. Sou aluno da matéria também, aprendo fazendo isso e a intenção principal é essa, então, a probabilidade de surgirem outros posts como esse é alta.

Os dois últimos itens do exercício vou ficar devendo. São quase 21:00 de uma quinta feira e estou na faculdade ainda, trabalhei a tarde inteira e estou um pouco cansado. Queria estar com a minha namorada agora, mas como não tenho uma, fico com a econometria mesmo.

Vamos lá!

Os acidentes automobilísticos são os principais causadores de mortes entre os americanos com idade entre 5 e 32 anos. Através de alguns incentivos políticos, o governo federal tem encorajado os estados a criarem uma lei que torne o uso do cinto de segurança obrigatório. Neste exercício iremos analisar o quão eficientes essas leis têm sido em aumentar o uso do cinto e diminuir o número de fatalidades. No site do livro http://www.pearsonhighered.com/stock_watson você encontrará o link da base de dados Seatbelts que contem os dados em painel de 50 estados mais o distrito de Columbia para os anos de 1983 até 1997.

1) Estime o efeito do uso do cinto de segurança na taxa de fatalidade regredindo FatalityRate em sb_useage, speed65, speed70, ba08, drinkage21, ln(income) e age. O resultado da estimação nos sugere que o uso do cinto de segurança reduz o número de fatalidades?

Vou colocar um “.” na frente dos comando para melhorar a visualização.

. encode state, gen(state1)
. xtset state1 year
. gen lnincome=ln(income)
. regress fatalityrate sb_useage speed65 speed70 ba08 drinkage21 lnincome age



Source |       SS       df       MS              Number of obs =     556
-------------+------------------------------           F(  7,   548) =   95.41
       Model |  .007711649     7  .001101664           Prob &gt; F      =  0.0000
    Residual |  .006327757   548  .000011547           R-squared     =  0.5493
-------------+------------------------------           Adj R-squared =  0.5435
       Total |  .014039406   555  .000025296           Root MSE      =   .0034

------------------------------------------------------------------------------
fatalityrate |      Coef.   Std. Err.      t    P&gt;|t|     [95% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
   sb_useage |   .0040684   .0012158     3.35   0.001     .0016803    .0064565
     speed65 |   .0001479   .0004029     0.37   0.714    -.0006436    .0009394
     speed70 |   .0024045   .0005112     4.70   0.000     .0014003    .0034086
        ba08 |  -.0019246   .0004447    -4.33   0.000    -.0027982    -.001051
  drinkage21 |   .0000799   .0008756     0.09   0.927    -.0016401    .0017998
    lnincome |  -.0181444   .0009311   -19.49   0.000    -.0199733   -.0163155
         age |  -7.22e-06   .0001089    -0.07   0.947    -.0002212    .0002067
       _cons |   .1965469   .0082232    23.90   0.000     .1803941    .2126998
------------------------------------------------------------------------------

2) Os resultados mudam quando se usa efeito fixo? Tente explicar de forma intuitiva porque os resultados mudam. (Lembre-se do viés de variável omitda..)

. xtreg fatalityrate sb_useage speed65 speed70 ba08 drinkage21 lnincome age, fe vce(cluster state1)

Fixed-effects (within) regression               Number of obs      =       556
Group variable: state1                          Number of groups   =        51

R-sq:  within  = 0.6868                         Obs per group: min =         8
       between = 0.1957                                        avg =      10.9
       overall = 0.3896                                        max =        15

                                                F(7,50)            =     96.72
corr(u_i, Xb)  = -0.1332                        Prob &gt; F           =    0.0000

                                (Std. Err. adjusted for 51 clusters in state1)
------------------------------------------------------------------------------
             |               Robust
fatalityrate |      Coef.   Std. Err.      t    P&gt;|t|     [95% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
   sb_useage |  -.0057748   .0016693    -3.46   0.001    -.0091276    -.002422
     speed65 |   -.000425   .0004555    -0.93   0.355    -.0013399    .0004898
     speed70 |   .0012333   .0003483     3.54   0.001     .0005337    .0019329
        ba08 |  -.0013775   .0003751    -3.67   0.001    -.0021308   -.0006241
  drinkage21 |   .0007453   .0007184     1.04   0.305    -.0006976    .0021883
    lnincome |  -.0135144   .0023849    -5.67   0.000    -.0183047   -.0087241
         age |   .0009787   .0007461     1.31   0.196    -.0005199    .0024772
       _cons |   .1209958   .0184235     6.57   0.000     .0839912    .1580005
-------------+----------------------------------------------------------------
     sigma_u |  .00383103
     sigma_e |   .0017871
         rho |  .82128567   (fraction of variance due to u_i)
------------------------------------------------------------------------------

3) Os resultados mudam quando se usa efeito fixo no estado e no tempo?

. areg fatalityrate sb_useage speed65 speed70 ba08 drinkage21 lnincome age, absorb(state1) vce(cluster state1)

Linear regression, absorbing indicators           Number of obs   =        556
                                                  F(   7,     50) =      87.90
                                                  Prob &gt; F        =     0.0000
                                                  R-squared       =     0.8867
                                                  Adj R-squared   =     0.8737
                                                  Root MSE        =     0.0018

                                (Std. Err. adjusted for 51 clusters in state1)
------------------------------------------------------------------------------
             |               Robust
fatalityrate |      Coef.   Std. Err.      t    P&gt;|t|     [95% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
   sb_useage |  -.0057748    .001751    -3.30   0.002    -.0092919   -.0022577
     speed65 |   -.000425   .0004778    -0.89   0.378    -.0013847    .0005346
     speed70 |   .0012333   .0003654     3.38   0.001     .0004994    .0019671
        ba08 |  -.0013775   .0003935    -3.50   0.001    -.0021677   -.0005872
  drinkage21 |   .0007453   .0007536     0.99   0.327    -.0007684     .002259
    lnincome |  -.0135144   .0025018    -5.40   0.000    -.0185394   -.0084894
         age |   .0009787   .0007826     1.25   0.217    -.0005933    .0025507
       _cons |   .1209958   .0193262     6.26   0.000      .082178    .1598137
-------------+----------------------------------------------------------------
      state1 |   absorbed                                      (51 categories)

4) Qual das especificações usadas até o momento se aproximam mais da realidade? Por quê?

Pense que o uso de efeitos fixos, tanto no tempo quanto nos estados, nos ajudam a medir variáveis que não são observáveis, mas caso sejam omitidas, geram viés em nossa análise e jogam o trampo todo no lixo. O habito dos habitantes de cada estado em relação ao uso do cinto de segurança pode ser uma variável fixa no tempo, mas não entre os estados enquanto uma lei federal que obrigue todos os estados a fiscalizar o uso de cinto de segurança pode ser uma variável que varia no tempo, mas não entre os estados. Logo, por levar em consideração o efeito de variáveis não observáveis, o terceiro modelo se aproxima mais da realidade.

Todo mundo usando cinto!

Todo mundo usando cinto!


5) Usando os resultados obtidos na questão 3, analise o valor do coeficiente de sb_useage. É grande? Pequeno? Quantas vidas seriam salvas se a taxa do uso de cinto de segurança subisse de 52% para 90%?

Para responder a pergunta é necessário entrar em alguns detalhes à respeito da base de dados. Esses “detalhes” você encontra no link Seatbelts_Description, no site do livro que está no enunciado da questão.

Bom pessoal, espero ter ajudado. Mesmo.

Gostei do Stata. No R, como há maior “liberdade” para trabalhar e criar, as coisas acabam sendo mais intuitivas, o que facilita um pouco. Andei olhando alguns fóruns na internet e pude perceber que o Stata está presenta em muitas universidades dos EUA e da Europa, então, é um privilégio também ter acesso a essa ferramenta. Até agora vimos o Eviews na Econometria 1, o R na Econometria 2 e o Stata na Econometria 3, o que é muito bom.

Enfim, é isso ai pessoal. Um abraço.

Mnemotécnicas pedagógicas que deveriam ser aplicadas a alguns candidatos

Puxar a orelha – Era uma invocação à Deusa da Memória, atendida pela conservação imediata do que se procurava reter mentalmente. Fórmula especial de pedir intervenção sobrenatural de Mnemósine, Deusa da Memória e Mãe das Musas. O castigo de “cortar as orelhas”, uma ou ambas, antiqüíssimo e comum, punia a quem não ouvira, entendera, cumprira a voz da Lei. Puxar a orelha correspondia a uma mnemotécnica pedagógica. [Cascudo, Luís da Câmara (1986) Locuções tradicionais no Brasil. Itatiaia/EDUSP, p.220]

“Não aprenderam ainda o que é a independência do Banco Central, candidatos(as)?? Devo puxar-lhes as orelhas mais uma vez?”

Instituições importam? Por que o Brasil pode piorar muito se um dos candidatos ganhar?

O Leo Monasterio reclamou outro dia da desconsideração do problema institucional. Trecho:

No fim dos anos 80, eu ouvi de um professor meu (eu acho que foi o Barros de Castro) : “E se depois da inflação acabar descobrirmos que o problema do Brasil não é esse? E se descobrirmos que nem temos o caos inflacionário como desculpa?”
A realidade mostrou que a estabilidade foi condição necessária, mas não suficiente para o país tomar jeito. Hoje existem dois entraves consensuais ao crescimento: 1) infra-estrutura; 2) educação. A infra-estrutura é um gargalo óbvio e eu não tenho nada a acrescentar. A minha dúvida é sobre a educação.
Meu medo: fazemos um choque de educação, aumentamos o número e a qualidade do ensino e aí… nada acontece. Depois de 20 anos descobriremos que nossas instituições são uma porcaria e impedem o desenvolvimento econômico. Perceberemos que o acúmulo de coalizões distributivas* nos tornou incapazes de fazer as reformas urgentes.

Ele tem razão. Só educar não basta. Há várias formas de se mostrar isto e geralmente eu tentaria fazê-lo aqui. Mas basta lembrar dois fatos que li hoje: (a) a insanidade do governo argentino, que não mede esforços em destruir a cooperação dos indivíduos – algo próprio das economias de mercado com limitações de margens de lucro (algo similar ao que o caótico governo venezuelano faz com seu próprio povo e, (b) o tratamento que o governo iraniano – este, que muitos de nossos diplomatas governistas adoram louvar como aliado e exemplo a ser seguido (sei lá em que áreas…) – deu aos perigosíssimos jovens que resolveram dançar Happy de Pharrell Williams.

Aí você me pergunta: e o Brasil? Está longe disto? Olha, eu estava pronto para dizer que sim, mas aí nosso governo forçou a barra para demitirem uma funcionária de um banco, nosso Banco Central tentou calar um de seus críticos (de forma muito seletiva, porque há críticos muito mais virulentos que não mereceram a atenção dos atentos encarregados do Banco Central…) e agora, claro, o governo – com a aprovação de seus militantes (pergunte a um deles se ele é contra este tópico do discurso: não encontrei um que saísse fora da partitura…) ataca um patrimônio de anos e anos de trabalho de economistas e funcionários públicos brasileiros: a política monetária moderna, isto é, a que se faz com um Banco Central independente (ou autônomo, ou independente de facto, etc).

Então, não, não estamos tão longe assim. Muita gente ajudou a piorar a situação e, como sabemos, os incentivos importam.

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério:
que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples Alferes.
Recebeu trinta dinheiros…
– e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glórias e privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!
[Cecília Meireles, O Romanceiro da Inconfidência]

Não é mesmo?

Algumas coisas óbvias que alguns candidatos não entendem porque estão de má fé ou são ignorantes

Ignorantes ignoram, por definição. Má fé, ah, má fé é muito chato. Mas eis algumas coisas óbvias que alguns candidatos ou ignoram por ignorância ou por má fé: a relação entre juros altos e bancos. Nada de gráficos, equações ou termos técnicos. O que vamos perder pela falta de exatidão, espero, ganharemos em clareza na visão do todo. Serve como um passo inicial para se desfazer das mentiras.

Vou explicar de maneira (excessivamente) simples. Peço desculpas antecipadas aos leitores do blog. Então, vamos lá: um governo se financia com impostos. Para que? Para gastar. Com o que? Não interessa. Ele gasta. Ponto. Ah sim, ele pode vender patrimônio – privatizar – mas patrimônio, um dia, acaba. Então, tem que viver de impostos.

Mas impostos não precisam ser criados para cobrir gastos em um único mês, trimestre ou ano. Veja, você ganha um salário, gasta metade dele e, em três meses, paga a prestação de sua dívida. Certo? Assim também é com o governo. Então o governo se endivida como você? Sim. Ele quer gastar mais do que pode e não consegue aumentar os impostos sobre você e seus amigos porque senão vocês teriam, digamos, 100% de sua renda tributada. Seria a escravidão e o nosso Judiciário ficaria muito sem graça e ressentido de ter que admitir que parte de sua remuneração viria de um regime pré-Princesa Isabel. Entendeu?

Bom, como é que o governo se endivida? Como você e como empresas: lança títulos no mercado e promete pagar juros. Caso tenha fama de mau pagador, tem que oferecer juros altos e prazos curtos. Que aposentado, jovem ou trabalhador emprestaria a um governo assim? Perder o seu suado dinheiro em papéis podres? Nem pensar, não é? Bom, então, o governo oferece juros altos.

Do lado do senhor e da senhora, aposentados, estudantes, militante virtual que recebe R$ 100,00 por mês para difamar pessoas (sim, eles existem), dono de padaria e funcionário público, enfim, do lado de gente que poupa, você não vai encontrar ninguém que queira perder dinheiro no banco. São estes, sim, os verdadeiros gananciosos que desejam colocar R$ 1.00 no banco e tirar, no mês seguinte, pelo menos R$ 1.00 ou mais de R$ 1.00. Está claro?

Pois é. Então o sujeito, pai de família, que trabalha no banco e assiste propaganda eleitoral estúpida, tem que ajudar estas pessoas fazendo com que seu dinheiro renda algo acima, pelo menos, de zero e, melhor ainda, mais do que a inflação. É o trabalho dele. Ele só o tem se coopera com as pessoas ajudando-as a ganhar mais. É um trabalhador como outro qualquer.

Aí ele olha os títulos no mercado. Geralmente os rendimentos que se prometem não são altos e os prazos são longos. Mas lá está o governo do ministro Mantega lhe oferecendo títulos com juros mais altos. O que ele faz? O mesmo que você: compõe uma carteira com estes títulos. Todos ficam felizes, não é? O governo se financia, o sujeito do banco garante mais um tempo de salário e os eleitores ganham um rendimento ali, no limite, quase acima da inflação ou algo melhor: depende da composição da carteira.

Agora, antes de falar de pseudo-conceitos científicos – mas populares entre jornalistas, políticos e economistas ignorantes – pense um pouco: a quem interessa uma taxa de juros alta? E olha que eu nem falei da inadimplência e outros fatores. O fato é que é o governo, sim, um dos grandes responsáveis pela elevada taxa de juros e isto não é porque o Banco Central é autônomo, independente, magnético ou diabético. Mais do que isso, todo chorão que reclama de juros altos os adora quando é hora de receber rendimentos de fundos de aplicação. Sim, boa parte dos chorões é hipócrita e mentirosa, mas há os que são enganados por este discurso…até hoje.

Por que o governo gasta? Por que tudo isto? Bom, isto é outra discussão. A de hoje é apenas esta: lembrar a você que a “ganância” do “capitalismo” é exatamente o que faz seu professor – que maldiz o mercado – aplicar nos fundos que aplica. Não tem nada demais nisto. Além disso, o governo, que ele tanto ama, é o mesmo que gera juros altos. Olha, eu nem falei da insegurança que ataques ao banco central por parte de gente que deveria defendê-lo, ou seja, gente do governo, causam nas taxas de juros. Mas eu explico rapidinho com um exemplo.

Suponha que eu seja o cara mais confiável do bairro e que os pais me pedem para buscar seus filhos na escola. Carona solidária.Tudo vai bem até que um dos pais que topou o arranjo espalha o boato de que maltrato a meninada ou que sou um pedófilo. Veja, não é alguém de fora que diz isso, mas um dos pais envolvido no acordo informal. 

Ele põe em cheque minha capacidade de ajudar os pais trazendo seus filhos de volta para casa. O que acontecerá? Terei que gastar meu tempo desfazendo boatos. Talvez tenha até que cobrar para buscar os meninos e criar um contrato legal – aumentando custos – para mostrar que sou uma pessoa confiável. No limite, posso até perder amigos, mas o fato é que o custo de continuar fazendo o transporte aumentará. 

Bem, um banco central cuja autoridade é questionada por quem está no governo só tem duas opções: assumir que é o que não é e curvar-se ao governo ou mostrar que é autônomo e…aumentar os juros.

Estamos conversados?

Federalismo fiscal e dotações…na história econômica do Brasil

Endowments, fiscal federalism and the cost of capital for states: evidence from Brazil,1891-1930
ANDRÉ C. MARTINEZ FRITSCHER and ALDO MUSACCHIO

There is a large literature that aims to explain what determines country risk (defined as the difference between the yield of a sovereign’s bonds and the risk free rate). In this article, we contribute to the discussion by arguing that an important explanatory factor is the impact that commodities have on the capacity to pay. We use a newly created database with state-level fiscal and risk premium data (between 1891 and 1930) to show that Brazilian states with natural endowments that allowed them to export commodities that were in high demand (e.g. rubber and coffee) ended up having higher revenues per capita and lower cost of capital. We also explain that the variation in revenues per capita was both a product of the variation in natural endowments (i.e. the fact that states cannot produce any commodity they want) and a commodity boom that had asymmetric effects among states. These two effects generated variation in revenues per capita at the state level thanks to the extreme form of fiscal decentralisation that the Brazilian government adopted in the constitution of 1891, which gave states the sole right to tax exports. We also run instrumental variable estimates using indices of export prices for each state. These estimates confirm our findings that states with commodities that had higher price increases had lower risk premia.

Por isso é que eu gosto de história econômica: dotações, federalismo e testes de hipóteses…tudo isto em um só texto. Muito bom.