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Faça-se a luz: e a luz foi feita

20140828_192740É, pessoal. Amanhã tem mais, lá no Nepom. Você, leitor mais velho (ou mais admirador da teoria econômica), sabe a que se refere esta foto?

 

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A lógica da inteligência contra a torcida do militante

Armínio Fraga ensina, de forma muito educada, ao militante torcedor (este que acha que o mundo se divide entre “ele e os tucanos” ou “esquerda e direita”, etc) a interpretar a economia. Faça uma boa ação: envie o link para um militante. Caso ele seja conhecido seu, aproveite para observar a reação dele. Veja o quanto ele é tolerante, ou o quanto ele consegue aceitar quando a desmistificação é de idéias que admira.

Uma reação típica é pegar qualquer análise (inferior, ilógica, etc) que chegue em conclusões opostas e dizer: “olha, como existe outra opinião, a sua está errada e serve ao grande capital malvado”. Eu sei, eu sei. Parece coisa de menino de 5 anos, mas lembre-se que a adolescência, hoje em dia, termina em algo como 21 ou 22 anos de idade. Então, sim, você encontrará gente com maturidade de 5 anos em corpo de 15.

Aliás, esta mudança – que vem lá da medicina – faz-me pensar sobre a idade mínima para certas coisas…

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O VI Congresso da AMDE – últimos comentários

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Professor Cristiano reflete sobre cervos e iluministas franceses.

A Academia é um local fascinante porque é como a vida da gente. Assim, a ‘fascinação’ é uma mistura nem sempre trivial de frustração, alegria, vaidade(s) e esforço. Os Congressos da AMDE são uma oportunidade única de se vivenciar a melhor parte disto tudo. Por que?

Porque tem Economia e Direito interagindo. Isto significa que há temos desconhecidos para ambos e isto ajuda a quebrar vaidades. Alguns não suportam isto, fogem e não voltam. Ainda bem. Outros gostam, curtem e se superam. Ainda bem também.

Obviamente, como lembrou a Luciana Yeung na palestra do final da manhã de ontem, há tensões como as de economistas que não gostam de análises quantitativas que não envolvam a mais sofisticada econometria. Há que se debater, claro, o que seria a mais sofisticada dita cuja, mas há análises em que não é possível, por limitações dos dados, aplicar-se o último estimador inventado.

O contato com o Direito, inclusive, traz esta premência da realidade: não podemos esperar para sempre e, portanto, pesquisa aplicada é sempre incompleta porque sempre em um momento desta escalada rumo à menor imperfeição possível. É a vida e, como eu disse, a vida é um interessante amálgama – segundo alguns, uma orgia com Códigos de Hamurabi fálicos e big data abundantes, mas voltemos ao tema – que sempre vejo vivo em congressos acadêmicos.

Ronald Hillbrecht me lembra de alguém, acho que o falecido Coase, que dizia que o mais interessante da Ciência Econômica tem sido desenvolvido fora dos departamentos de Economia. Eu discordo parcialmente, mas vejo muitas evidências disto quando vejo os trabalhos apresentados nos grupos de trabalho destes congressos. Tem muita coisa preliminar – e me incomoda a demora com que o preliminar ainda é preliminar – mas o importante é que o bom vírus do progresso científico contaminou alguns profissionais do Direito e alguns economistas.

O Congresso, desta vez, não foi abraçado por muita gente. A divulgação foi precária? Não sei. Mas a tal juventude, que tanto dizem ser interessada em interdisciplinaridade ou em pesquisas não compareceu. Tal como o “gigante que despertou em 2013 e sumiu em 2014”, muita gente não apareceu para se divertir. Nem todos são interessados no tema, claro e nem tudo que há em Congressos assim é do interesse. Mas, como já disse em outras ocasiões, só melhoramos a qualidade do ensino – e do aprendizado – quando nos deparamos humildemente com o que nos é, até então, desconhecido.

Em alguma palestra, acho que a do Ivo, ele perguntou quantos faziam Economia. Levantei o braço. Depois ele perguntou quantos estavam perdidos. Levantei de novo. Claro, ele exclamou: “- Você é um economista e está perdido”. Pouca gente entendeu exatamente a piada. Ou melhor, muita gente entendeu a parte superficial da piada mas eu e ele e mais alguns entendemos o significado sutil da minha auto-ironia: estou sempre perdido porque sempre estudando e tentando aprender. Não é assim que estamos todos?

Até o ano que vem.

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Alunos se perguntam sobre o que estavam fazendo ali, de barriga vazia.
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Ainda o VI Congresso da AMDE

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Taí um profissional que merece ser citado pelos comentários dos meus alunos e também pelos alunos do Direito que estiveram presentes em sua palestra. O prof. Ivo Gico tem sido uma presença constante na ABDE e na AMDE. Foi editor da revista da ABDE por um bom tempo também e, devo dizer, tem feito um notável trabalho de intermediação entre o vocabulário impenetrável do Direito (um dia alguém fará um estudo sobre barreiras à entrada e o “direitês”…) e o maravilhoso (ahá!) vocabulário econômico.

Ontem, inclusive, mostrou a força da evidência empírica ao responder um pergunta, convidando o questionador a lhe mostrar exemplos (a força da tecnologia veio com o prof. Satiro, e sua conexão wireless, logo encontrando-os em poucos minutos). Didaticamente, mostrou onde estava o erro da pergunta e todos aprendemos um pouco mais sobre contratos.

Faltava mencioná-lo aqui. Logo mais, comentários finais sobre o VI Congresso.

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VI Congresso da AMDE – comentários

Vou aproveitar três fotos para falar rapidamente do Congresso. Primeiramente, este, da professora Luciana Yeung.

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Como falei, ao final da apresentação, um belo trabalho dela com o professor Luciano Timm (IDERS) com extrema relevância para qualquer debate sobre a infra-estrutura e o desenvolvimento econômico brasileiro. O pessoal de Economia não entende, geralmente, muito bem a importância da medida dos custos de transação, mas nós, com algum tempo de leitura na área, sabemos muito bem o quanto este artigo ajuda no debate e, veja bem, não é pouco.

Obviamente, não tem calibragem ou microfundamentos, mas o problema em questão nem o comporta (ainda?). Fato é que sem números, ficamos no vazio do discurso que, muitas vezes, lembra o de políticos que, aliás, acusamos de serem ineficazes na busca de solução de problemas reais porque…não nos trazem qualquer estimativa dos custos. Ou seja, voltamos ao ponto inicial.

Ao próximo.20140827_094813

O professor Antônio Porto, a cada encontro da AMDE ou da ABDE, não cansa de trazer dados ou temas novos. Incrível mesmo é como o pessoal do Direito – agora minha metralhadora vai para o outro lado – continua a torcer o nariz para métodos quantitativos. Porto trouxe tabelas geradas pelo Stata (infelizmente, ele não usa o R… ^_^) com resultados preliminares de um estudo interessante sobre inadimplência.

Não sou tão otimista quanto ao uso da economia comportamental para analisar os dados, mas, novamente, ele tem a amostra e está estudando os dados buscando tirar evidências iniciais sobre um problema relevante para a Economia e, obviamente, para o Direito. Não é hora do pessoal de Direito parar com o preconceito e investir na formação quantitativa? Acho que é.

Ao próximo.

20140826_112245O professor Ronald aí em cima dispensa comentários. Em uma apresentação claramente inspirada no livro (que eu, com remorso parcial, comprei e não li ainda) do Tim Besley (um antigo nome para quem conhece um pouco de Economia do Setor Público ou de temas ligados à área) com outro autor, ele trouxe de volta o maravilhoso insight  de Barry Weingast naquele texto clássico sobre a Revolução Gloriosa e a capacidade de endividamento do Estado britânico. Qual é o insight? Simples. Sociedades com instituições fortes se financiam melhor (e, diria eu, de forma mais sustentável).

A discussão das instituições, obviamente, é muito importante e os leitores mais antigos deste blog sabem o quanto o tema (re)aparece aqui. Não são poucas as vezes, né?

Tivemos mais palestras, mas eu queria usar estas três para ilustrar um ponto simples: há muita coisa interessante e importante sendo pesquisada no país, a despeito de recursos escassos, greves, politicagens, vaidades, etc. Estas pesquisas, muitas vezes, resultam em trabalhos que são rapidamente usados para rever políticas públicas ou para debater novas formas de melhorar a economia de uma sociedade.

A AMDE – e suas entidades irmãs como o IDERS, ADEPAR, ABDE, etc – têm feito um trabalho muito interessante ajudando a divulgar trabalhos desta área. Ao longo dos anos tem-se apresentado estudos que tentam avançar a abordagem de law and economics no Brasil. Nada mais saudável.

Foram dois dias interessantes, mas cansativos. Espero que todos tenham gostado do evento.