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O efeito das minidesvalorizações cambiais…lá no governo militar

Quem é, quem é?

Muitas vezes acusado de ter um comportamento errático, um certo economista que abandonou a academia há anos pela política (os preços relativos falaram mais alto?) já soube mais no passado.

Lá pelos idos do final da década de 70 (especificamente, 1979), ele se debruçou sobre um problema da economia brasileira representado pelas famigeradas minidesvalorizações cambiais do governo. Uma pergunta que, obviamente, ocorreria a qualquer bom aluno (= quase-estudante ou estudante) de Ciências Econômicas (se você é destes que não acredita que a economia é uma ciência, pare de ler aqui e saia correndo deste blog. Vá tocar violão com os amigos.), não é mesmo?

Orto-heterodoxo, sem distinção de gênero

Tal como todo economista “ortodoxo” que, na época, era uma designação satânica para todo aquele que ousava usar Econometria. Por favor, abra um parênteses: com o advento da estabilização da economia, vários “heterodoxos” descobriram a Econometria quando viram o quanto uma boa consultoria podia lhes render…este é um tema para uma tese de alguém que queira estudar os incentivos políticos por trás da suavização do – outrora – raivoso discurso heterodoxo (da ala esquerda) contra os métodos quantitativos. Fechando-o e voltando ao seu texto (ainda sem citá-lo corretamente para manter o mistério), o que foi que o sujeito concluiu?

O sistema de minidesvalorizações da taxa cambial a intervalos curtos provou ter para a economia brasileira diversas vantagens sobre o sistema de desvalorizações pronunciadas a intervalos longos. A principal vantagem foi a maior estabilidade na relação entre preços internos e externos para todos aqueles envolvidos no setor externo da economia. Portanto, o risco cambial envolvido na exportação, importação, investimentos estrangeiros diretos e operações internacionais de empréstimo foi praticamente eliminado .(p.172)

Um texto dos anos 70 com uma conclusão destas, você dirá, só pode ser de algum economista simpático ao governo. Ou então, para alguns mais radicais, de algum economista burguês, em busca da defesa dos interesses da grande indústria e do café (ah, o malvado IBC (piada apenas para os chegados em História Econômica do Brasil)…). Ou, quem sabe, algum desgarrado da oposição que, como Barros de Castro, ousou pensar diferente, ganhando o ódio de companheiros oposicionistas. Bem, não era Barros de Castro. Podem tirá-lo da mesa de apostas.

Brincando com bonecas…

Ah sim, o mais legal é que até o “seu Boneco” entrou no estudo (ahá!), em um tempo em que alguns economistas tinham a pretensão de conseguir traduzir todos aqueles termos (o meu preferido era um livro cujo título falava da matriz insumo-exsumo. Imagine o corpo do texto…é…eu o li).

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Então, com bonecos, testes F e defasagens distribuídas (sim, isso mesmo!), mas também com lamentáveis regressões que envolvem dez observações (item 6.2.4), o economista citado deu aos economistas heterodoxos, voluntariamente ou não, não importa, um argumento empírico para defenderem as minidesvalorizações cambiais do governo militar. Obviamente, ficava feio defender o governo militar e a galera criou a hashtag #partiusatanizarcâmbiolivre.

Obviamente, não creio que a intenção do autor foi criar uma escola de soldados pró-minidesvalorizações (embora consequências não-intencionais sejam muito comum na vida da gente). Mas ele forneceu armamento que não se baseva mais apenas em reflexões abstratas ou de cunho marxista (logo, não falseável) ou austríaco (logo, não falseável). Alguém até achou que valia a pena publicar e divulgar, e assim foi feito.

Quem é, quem é………..?

Você já adivinhou quem é o economista citado? O pessoal da fundação (que, infelizmente, leva o nome de um ditador, Getúlio Vargas) tem a obrigação de saber quem é. Vou dar uma dica: ele é senador. Adivinhou? Não? Então veja a bibliografia deste texto.

Eu sei, eu sei, você ia dizer que estava entre Reginaldo Nogueira Pinto Jr., Mario Henrique Simonsen e Gustavo Franco, né? Pois é. Nem tudo que balança cai.

Bibliografia

Suplicy, E.M. (1979). Os efeitos das minidesvalorizações na economia brasileira. Editora da Fundação Getúlio Vargas, 2a edição.

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