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Não é o socialismo, é o “rent-seeking”.

Quer saber o que acontecerá no Brasil com a liberdade de imprensa? Não, não será a estatização. Aqui a estratégia é mais malandra. Será tal e qual…

Em junho e julho de 1938, Goebbels rejeitou a tentativa de Amann de transferir todos os grandes jornais para o Estado, mas, pouco tempo depois, concordou que o rico editor transferisse paulatinamente ‘todos os jornais para a sua propriedade’ contanto que a ‘direção política’ ficasse com o ministro da Propaganda e todas as mudanças de pessoal nos jornais influentes fossem combinadas com ele. [Longerich, P. (2014) Joseph Goebbles – uma biografia, Objetiva, p.324]

O nome disso aí? Ué, rent-seeking. O tipo de empreendimento favorito de empresários que adoram minimizar riscos associando a qualquer escória, dando sua liberdade (e a dos outros) em troca de um monopólio qualquer.

As pessoas acham que há uma prevalência da ideologia enquanto motivo último das ações de políticos e burocratas quando, na maioria das vezes, a motivação é bem mais mundana, mesmo, facilmente explicável pela Teoria Econômica básica: incentivos geram ações que geram resultados para a sociedade. Não é à toa que tantos não-economistas busquem desqualificar nossas explicações: morrem de medo de ficarem nus.

“Queria mesmo era que o tigre comesse o braço daquele opositor do nosso regime progressista!”
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Bons papais e mamães importam?

Wallace e Erik (ou, formalmente, Souza & Figueiredo (2014)) fazem um estudo interessante. Eis o resumo:

This study aims to measure the influence of family background on the level of individual income. The empirical estimation strategy was based on three steps: i) estimating the effect of different methods for mean treatment, following Heckman and Honore (1990) and Heckman and Vytlacil (1999); ii) the variation bounds of Shaikh and Vytlacil (2004) for the impact of treatment and iii) a test for  robustness of the estimates with the schooling of the spouse and parents of spouse as instruments to endogenize year study of individuals. The results indicate a significant effect of parents’ education, especially in less educated individuals. This can be explained, among other factors, the lower level of income and consequently a higher degree of dependence on these individuals of their family background, following the assumptions of unequal opportunities. Finally, with the use of instruments has a greater impact on the yield, since it can be viewed as proxies for characteristics of subjects not observed.

Ficou um pouco confuso o resumo, mas nas conclusões eles explicam melhor:

In general, estimates show that the impact of father’s education is stronger on the group of individuals without a college degree (“Lower”), corroborating the idea that, for being less educated, they probably have lower average earnings and thus are more susceptible to the effects of family background. In other words, these individuals are more influenced and, to some extent, more dependent on their father’s education level, especially with regard to decisions about education. (p.19)

Mais interessante, neste ponto, é lembrar da história do Mussum (sim, o humorista), contada na recém-lançada biografia da editora Leya. Em resumo, em algum momento de sua vida, ele decide que queria ir à escola e, como a mãe era pobre, Mussum teve que aceitar a proposta dela de que estudaria para uma prova que poderia para uma boa escola pública de nível técnico.

Ou seja, naquele momento, a decisão da mãe foi uma inflexão na vida de Mussum, tal e qual nos dizem os autores, com os resultados do texto citado. Mas, o que pode surpreender você – com certeza foi uma surpresa para mim – é que, neste processo, o próprio Mussum alfabetizou a mãe. Em outras palavras, foi uma solução win-win.

p.s. Em alguns casos, o dia dos pais e também o das mães, ambos, têm um significado bem maior, não?