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Um dos melhores textos libertários dos últimos anos e, claro, ele não está nos grandes portais libertários

É isso mesmo. E é o melhor texto por dizer o óbvio ululante (bem, deveria sê-lo, para os que, supostamente, não são analfabetos funcionais ou preguiçosos). O trecho que vale ouro é este:

Mas confesso que é um pouco deprimente ver essa bandeira — forjada dentro de um movimento que defendia o uso da razão (iluminismo) — ser carregada como uma arma anti-petista cuja munição não emana da análise da evidência empírica, mas simplesmente da repetição cega de mantras liberais — quase que como uma espécie de culto que replica práticas comuns do movimento simétrico oposto que criticam. Se vai ser anti-esquerda por uma via liberal, que seja com lastro empírico. E os resultados do exercício acima oferecem munição empírica para quem deseja apontar as deficiências dos últimos dez anos de governo.

Disse tudo, não? Para quem já foi vítima de ataques do Hamas libertário do Brasil, é um prazer inenarrável ler este trecho. Sei que não há somente o obscurantismo no meio libertário. Conheço diversos alunos promissores em meio a este ótimo movimento e alguns deles já me confidenciaram o cansaço com a tentativa, de alguns, de evitarem, a todo o custo, o uso de qualquer método empírico em estudos de políticas públicas.

Outros já perceberam que muitos supostos libertários vivem confortavelmente em posições de poder monopolista e, claro, não têm interesse em financiar estudos empíricos sobre concorrência (qualquer leitor de Mises notará que o próprio sabia disto, a despeito dos membros do Hamas libertário do Brasil…).

Ah sim, sobre o método do controle sintético que o Sérgio cita, eu o conheci por conta do prof. Felipe Garcia (PPGOM-UFPel) que fez um ótimo texto com Kang e Stein sobre Cuba (está em algum lugar da internet…).

UPDATE: leia lá o texto original. É uma interessante aplicação de controle sintético ao Brasil. Aí sim, você pode discutir seriamente algumas evidências empíricas…

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Até o momento, ninguém no Gallup perdeu o emprego por insatisfação de Obama: uma breve reflexão sobre nossa selva

 

É, minha gente. A confiança econômica nos EUA caiu.

Gallup’s U.S. Economic Confidence Index dropped six points last week to -21 — the largest one-week drop since last October, and the lowest weekly index score since December. Americans’ confidence in the economy’s future waned more than their views of the current conditions.

Apesar disto, ninguém perdeu o emprego na Gallup. É um fato da vida: indicadores econômicos nunca agradam a todos. A diferença entre um selvagem e um civilizado está na atitude diante disto e nós sabemos quem é o selvagem, certo?

Ok, e daí? 

Agora, falando em campanha eleitoral, tem gente que me diz assim: “mas o candidato X também não gosta de jornalistas. Não tenho provas, mas ele causou a demissão de fulano”. Ai me cobram coerência. Bem, agora virou, né?

Veja, diante da realidade política atual, e lembrando um pouco das minhas leituras de política, Bobbio e Buchanan, principalmente, está óbvio para mim que não existem políticos angelicais, santos. Diante desta realidade – e diante da realidade de que eu e meus críticos também não o somos – sou pela opção do menos pior.

No meu caso, eu prefiro discutir um pouco do que entendo: programa econômico. No dia 22 de Julho, em um blog público, que alcança mais gente do que os correntistas do Santander, o prof. Ellery criticou o programa do candidato Aécio. Fica em aberto, aqui, o convite para que ele me conte das pressões que sofreu por fazer críticas – e não apenas elogios – a tal programa.

Vamos combinar que críticas, por mais ferinas que sejam, não são como as famosas bombas de black blocs contra jornalistas, ok? Caso alguém não concorde, pode ir lá ler Sorel, vestir seu uniforme e fazer turismo nas cavernas do Afeganistão.

Bom, depois do episódio – que só posso chamar de censura na falta de um termo mais adequado – aos analistas do Santander, Ellery fez como nossa imprensa fazia na época em que a presidente sofria porque, segundo ela, defendia nosso direito à liberdade de expressão e crítica ao governo militar. Assim, ele fez esta crítica ao programa da candidata.

Cadê os libertários?

Como vocês sabem, conheço um bocado deles. Todos muito enfáticos em se dizerem contra o governo, anarco-isso, anarco-aquilo, etc. No entanto, eles estão incrivelmente calados. Ou então estão apenas xingando algum conservador, ou brigando entre si. Senti falta do tal movimento libertário em manifestações pela internet. Acho que estão de férias. Por incrível que pareça, isso explica muito da paradeira deste pessoal. A maioria é jovem, outros acham que correlação é coisa do demônio e uns outros, mais radicais, acham os economistas do Santander merecem perder o emprego porque, sei lá, não são seguidores de algum oráculo austríaco.

Não sei onde estão os libertários. Mas eu sei onde estão os economistas do Santander: estão prestes a serem despejados porque fizeram seu serviço honestamente. Os que falam do candidato Aecio e falam de supostas perseguições a jornalistas estão calados, mostrando que não são, realmente, muito fiéis ao princípio da liberdade de expressão. Outros temem por seus empregos e se calam. Outros, como os libertários, sempre tão barulhentos e cheios de energia para brigar por linhas ou parágrafos de “A Ação Humana”, estão sem energia para protestar diante do fato.

Concluindo…

Pensando bem, será que eu deveria me esquecer das evidências empíricas sobre o papel das instituições no desenvolvimento econômico? Isto é irrelevante? E isto aqui? Vamos nos esquecer disto? Vou até reproduzir o trecho de Mill citado no último link:

Let us suppose, therefore, that the government is entirely at one with the people, and never thinks of exerting any power of coercion unless in agreement with what it conceives to be their voice. But I deny the right of the people to exercise such coercion, either by themselves or by their government. The power itself is illegitimate. The best government has no more title to it than the worst. It is as noxious, or more noxious, when exerted in accordance with public opinion, than when in opposition to it. If all mankind minus one, were of one opinion, and only one person were of the contrary opinion, mankind would be no more justified in silencing that one person, than he, if he had the power, would be justified in silencing mankind. Were an opinion a personal possession of no value except to the owner; if to be obstructed in the enjoyment of it were simply a private injury, it would make some difference whether the injury was inflicted only on a few persons or on many. But the peculiar evil of silencing the expression of an opinion is, that it is robbing the human race; posterity as well as the existing generation; those who dissent from the opinion, still more than those who hold it. If the opinion is right, they are deprived of the opportunity of exchanging error for truth: if wrong, they lose, what is almost as great a benefit, the clearer perception and livelier impression of truth, produced by its collision with error.

Este, meus amigos, foi John Stuart Mill. Nos outros links você encontrará algumas correlações básicas e algumas referências para artigos que falam sobre o papel das instituições sobre a prosperidade de uma sociedade.

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O mais belo exemplo de amor à liberdade de expressão

Roberto Ellery Jr é um cara inteligente e correto. Não o conheço pessoalmente, mas no momento terrível em que vivemos, no qual parte da sociedade acha legal e divertido calar a dissidência e pensa que liberdade de expressão é um conceito “burguês” e não um valor universal, só posso parabenizar o meu colega pela coragem.

Ah, liberdade de expressão? Quantas vezes preciso dizer que já falamos dela aqui? Lembro aos amigos que é necessário pensar mais sobre este medo da vida em sociedade.

Ilustrando…

Mais um…

Pense bem nestes gráficos e em alguns outros, ok?