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O Banco Central que não sabe se agrada à Fazenda e à candidata ou se cumpre sua função constitucional (e uma palavra sobre o “Santandergate”)

A impressão que se tem é esta. Leia a matéria. Lá um diretor do Banco Central, Odilon, explica ao jornalista que a questão de crédito é uma questão de defasagens (uma explicação que qualquer aluno entende, quando estuda o multiplicador bancário).

Ocorre que ele prefere não falar em números muito exatos no que diz respeito à estrutura de defasagens, ou seja, sobre quanto tempo leva para o impacto ser potencializado. Por que? Porque ele e nós sabemos que esta medida é difícil de ser precisada. Muito mais difícil do que estimar o impacto da Selic sobre o PIB.

Um dia depois de atacar a liberdade de expressão, pressionando nos bastidores o Santander a pedir desculpas por cumprir seu dever com seus correntistas de informar o que os analistas do banco pensam de uma eventual reeleição da Dilma, claro que os bancos privados jogaram confetes no anúncio da medida exótica da Austoridade Monetária.

Aliás, curiosamente, o governo não é muito rigoroso para pedir desculpas quando ele próprio tem amigos que espalham boatos. Lembra da história da CEF e do Bolsa-Família em que uma ministra acusou a oposição? Pois é. Lá, naquele episódio, os governantes não se mostraram muito estadistas, e não pediram desculpas pela trapalhada cometida.

O que vem por aí? Bom, todo mundo que é sério tem avisado, na blogosfera, que o ajuste é inevitável. Enquanto isto, a direção do Banco Central vai se acomodando em uma posição perigosa. Fosse eu um criador de metáforas, diria que Tombini está mais para Júlio César do que para Dida.

Liberdade de Expressão e Relatórios do Santander: só pode ser análise técnica se for com materialismo histórico…e otimista. Ou melhor, só se for otimista. Senão, a gente manda tirar!