Origens Sociológicas do Discurso Governamental sobre Elites Brancas

Investigando a “elite branca”

Os porta-vozes do governo resolveram racializar a oposição, criando o repudiável termo “elite branca”, numa tentativa de criar uma dicotomia na sociedade brasileira, associando os ricos com a maldade, a sogra, o demônio, além da cor branca, claro. Já o resto, bem, vocês entenderam. O discurso é tão ruim que eles mesmos já se tentam se retratar, timidamente, aqui e acolá.

Mas não custa fazer uma breve investigação sobre as origens destes preconceitos. Eis aqui um belo exemplo. O leitor mais jovem poderá achar que se trata de um sociólogo marxista. Vejam o tom do anti-americanismo tímido, mas visível, unido a uma suposta neutralidade ideológica (à primeira vista, pelo menos) com as críticas ao marxismo soviético.

Realmente, foram os americanos, com as suas numerosas hostes de engenheiros e técnicos, buscando em massa, por assim dizer, na América do Norte, que levaram aos russos, apesar de fanatizados pelo igualitarismo da doutrina marxista, os novos cultos e os novos deuses da Burguesia argentária da Wall Street. Foi justamente esta burguesia – inquieta, ativa, aquisitiva – que lhes levou o Mecanicismo, a Tecnocracia, a Usina-Monstro, a Mass-Production, a Bonanza Farm. Não lhe levou, é verdade, os outros numerosos deuses do seu Politeísmo monetário: a Corporation, o Holding, o Trust, o Pool, o Merger, o Combine, o Businessman, o Captain of Industry, o Business Principle, o Trader’s Point of View; mas isto somente porque ali a free competition não existe – e é o Estado o único e exclusivo Capitalista…[Oliveira Vianna, História Social da Economia Capitalista no Brasil, 1987, 257, Ed. Itatiaia, Belo Horizonte]

Sentiu saudades da fazendinha? Pois é. O autor aí não era fácil não. Mas o melhor é o seu discurso. Já desde os anos 50, quando Oliveira Vianna escreveu os manuscritos que resultaram neste livro, tínhamos o mesmo discurso contra a “elite branca” no Brasil. Quem estudou um pouco de História no colégio deve se lembrar dos integralistas, por exemplo.

Havia até um pensador que achava que a raça (palavra que voltou à moda graças ao pessoal da esquerda) brasileira seria gradualmente “branqueada” pela miscigenação. Ou seja, desde os anos 30, 40 e 50, nossas elites (sejam lá quem forem, mas o pessoal do governo deve saber, já que criaram este termo) já tentavam dar um jeito de colocar todo mundo no topo da pirâmide.

Mas o Oliveira Vianna é insuperável. Mudando algumas palavras aqui e acolá, a gente pode transformar o texto dele em um destes que se vê por aí em blogs pagos que fornecem “fast-food-for-brain” para alguns aspirantes a intelectuais. Tem tudo lá: o elemento “anti-norte-americano”, o suposto progressismo (“sim, eu sei, erramos na URSS, mas a intenção é boa, viva!”) e aquele discurso tupiniquim, nacionalista, que exalta o matuto brasileiro, latino-americano, contra as malignas invenções do capitalismo mundial.

É, a origem é meio fascistóide mesmo. Esta mania de socialismo com nacionalismo que, etmologicamente, deveríamos chamar de nacional-socialismo, embora alguns se ofendam (não sem razão, eu sei, mas não cobertos da mesma, é bom lembrar…) com isso.

Minha conclusão? Uma só: vade retro, Oliveira Vianna!

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