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Breve observação sobre a autocorrelação

Ao clicar na figura acima, que mostra o índice de condições econômicas do Japão, o leitor poderá consultar os dados originais. Este é o índice utilizado para se analisar os ciclos econômicos por lá. De qualquer forma, este índice é um composto de três sub-índices: o índice defasado (lagging), o coincidente (coincident) e o futuro (leading). Ok, traduções podem ser enganosas, mas você captou a idéia (ou vai dar um pulo lá na página original depois).

É interessante olhar para o aspecto de cada um dos índices no tempo. Repare, por exemplo, nas funções de autocorrelação da primeira diferença do logaritmo de cada um deles (com intervalos de confiança em α = 0.95). Ou seja, estou olhando para a autocorrelação da variação relativa mensal destes índices.

acf_coincident acf_lagging acf_leading

Não são nada parecidos, não? É interessante olhar para elas porque se você fizer o mesmo exercício para o nível do logaritmo de cada um deles, imaginará que são todos idênticos. Bem, as coisas nem sempre são o que parecem…

Depois a gente fala mais sobre isto.

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Por que usar logaritmos? (mais um motivo)

Economistas adoram usar logaritmos. Mas não somos os únicos. Digamos que você descobrir algo sobre memes nas redes sociais. A simples mudança de escala para a logaritmica pode ser muito útil. Não acredita em mim? Então assista o vídeo abaixo.

Depois desta, dizer que não há motivos para se aprender logaritmos soa como uma desculpa muito, mas muito ruim, não?

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A inflação na Alemanha Oriental: incentivos econômicos funcionam sob qualquer tipo de governo

Eis algo sobre a inflação na Alemanha Oriental segundo o livro Foi-se o Martelo, de Ben Lewis. Trata-se do motivo para se censurar uma capa de uma revista satírica, a Eulenspiegel (aparentemente, ela ainda existe).

A capa, de uma das edições de 1981, faz piada com a inflação, que era um tabu nos países socialistas porque, afinal, inflação é coisa de país capitalista. De qualquer forma, informa-nos o livro que a inflação seguia firme e forte na potência esquerdista da época. Qual o motivo da censura? Primeiro, veja a capa.

20140610_115014
“Cá entre nós, é claro que esta é a salsicha de sempre; mas, graças aos dois nós em cada ponta, ela adquiriu propriedades totalmente novas”. (Lewis, Ben (2014), Ed. Record, p.234)

Agora, ao trecho:

A charge que provocou ofensa mostrava um açougueiro com um novo tipo de cordão de salsicha, que contava com a irrelevante adição de um nó extra em cada extremidade – dois em vez do único habitual – e custava 1 marco em vez dos costumeiros 80 pfennigs (…). (p.235-6)

Nada diferente do que vimos no Brasil na época da hiperinflação (esta mesma com a qual nossos economistas do governo paqueram tão perigosamente nos últimos anos). Os heterodoxos tentaram controlar a inflação por meio de congelamento de preços e isto gerou práticas similares à ironizada na capa da Eulenspiegel (pelo menos ninguém era preso aqui por fazer piadas assim, nem perdia o emprego, etc).

A grande lição é que incentivos econômicos não são diferentes no hemisfério norte e no sul, por exemplo, como queriam, a todo custo, vários de nossos cepalinos (e seus seguidores que, por sinal, ainda existem). Também não deixam de operar porque existe um governo totalitário como o que houve no paraíso bolivariano outrora conhecido como bloco soviético. Nada disto. Incentivos econômicos operam com mais ou menos força, de forma mais ou menos óbvia, mas operam.

Eu bem que tentei encontrar aqui uns dados de inflação na Alemanha Oriental, mas como lá eles faziam como o atual governo argentino, acho difícil encontrar indicadores confiáveis das reais consequências do comunismo alemão sobre a vida das pessoas. Bom, mas a charge aí acima até que nos ajuda a entender bem o que ocorria…