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Diretamente da página mais atacada do Brasil…

Danilo Gentili bate um papo com o pessoal do Liberzone.

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Momento Piada de Comunista do Dia

“Walter Ulbricht, o primeiro líder comunista da Alemanha Oriental, está num restaurante. Uma das garçonetes flerta com ele. Ulbricht se encanta. “Vou realizar um desejo seu”, ele diz.
Ela pensa e diz: “Abra os portões do Muro por um dia.”
Ulbricht pisca para ela: “Quer ficar sozinha comigo, heim?”

(Lewis, B. Foi-se o Martelo, Ed. Record, 2014, p.147).

Sensacional, heim! Por falar em alemães…

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Microfundamentos da Emporiofobia – uma reflexão inicial

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Educar é…

Considere a seguinte palavra japonesa: Seiseki (成績), composta de dois caracteres chineses muito bonitos. O primeiro deles significa “tornar(-se)”, “alcançar” (turn into, achieve). O segundo, “resultado” (achievement, em inglês). A palavra, portanto, é construída juntando-se dois caracteres que significam, praticamente, a mesma coisa.

Mas há mais do que isto neste vocábulo. Por trás de todo resultado encontra-se o trabalho árduo das pessoas envolvidas. Obviamente, você pode atingir um bom resultado trapaceando ou cometendo violências contra outras pessoas ou, pior ainda, contra sua própria consciência.

A educação – base primeira na caminhada da construção do capital humano de qualquer…ser humano – é um ato dito transformador (lembre-se do 成). Pois esta transformação começa na atitude de cada um. Há vários exemplos disto nos códigos morais de diversas culturas (eu uso alguns destes para ensinar os que têm o mínimo de esforço de buscar conhecer minha opinião sobre o que é uma sala de aula aqui).

A importância da família

Mas o código moral não existe em si ou por si. Existe porque há uma genética e uma história. Em outras palavras, existe uma família. Quando os valores familiares são doentios, o código moral de seus membros também o é. Isto, ao contrário do que desejam alguns – que fogem de seus medos – não é determinante de uma futura vida de fracassos. Isto porque a atitude individual pode ser a de buscar um código moral melhor.

De certa forma, isso é o que faz a convivência em sociedade: as crianças crescem observando o modelo doméstico, os dos amigos, das famílias dos amigos, etc. E é por isto que gostamos tanto de competição e diversidade em Economia: quanto mais opções, melhor para que a escolha seja bem pensada. Quando um governo tenta limitar a diversidade de opções com uma desculpa qualquer (“as pessoas são irracionais”, “as pessoas têm racionalidade limitada (mas eu, milagrosamente, não)”, “as pessoas são burrinhas”, etc), ele colabora para a infantilização destas mesmas pessoas.

A quem interessa uma sociedade cheia de gente achando que o resultado de suas ações não é de sua responsabilidade, mas sim de outrem? Geralmente pessoas que são emporiofóbicas pensam assim. Elas querem que alguém lhes diga o que fazer porque, aí, não precisam pensar ou questionar. Veja, elas adoram questionar ou pensar. Mas não gostam de questionar seus próprios valores. Isto incomoda. Fossem as lagartas assim, jamais se transformariam em borboletas. Então, a quem interessa promover a emporiofobia? Eu sei, você vai dizer: ao “governo”.

Nem todo libertário que reluz é ouro

Entretanto, não pense que apenas governos ou políticos sejam assim. Gente que tem ambições políticas adora criar seguidores passivos. Pense no interesse de um monopolista por exemplo. Considere um grande empresário. Ele quer manter sua concorrência bem longe e fraca. Como fazer isto? Evitando que surjam estudos sobre o grau de concorrência em seu mercado. Assim, ele se diz libertário, super-pró-mercado, fã número um do Mises, tem um busto do Friedman na mesa, participa de rodas de samba com gente que leu alguma coisa sobre a relação entre mercados e governo, promove debates, eventos, palestras motivacionais, mas evita, a todo o custo, que os estudos cheguem ao ponto de, digamos, mensurar o grau de concorrência.

emporiofobia não existe apenas na mentalidade de socialistas, como querem alguns pseudo-libertários. O problema é muito mais disseminado do que tentam nos vender. James Buchanan e toda a tradição da Escolha Pública nos lembram que burocratas não são anjos porque eles carregam para dentro do governo seus interesses privados. A diferença, obviamente, está nos incentivos.

Ora, isso significa que, fora do setor público, com muito poder nas mãos, o indivíduo também tentará manter sua confortável posição monopolista. Faz parte do jogo, claro. Por isso ele se vende como defensor dos mercados, mas, no fundo, é um emporiofóbico. O problema de sociedades como a brasileira é que, nelas, o cheiro de rent-seeking em ambientes onde há empresários e governo é muito forte…

Que valores? Pais e professores…

Os valores da boa educação, na minha opinião modesta e ignorante, encontram-se na família e na escola. A divisão do trabalho, como sempre, ajuda-nos a pensar na melhor forma de se educar. Quem sabe ensinar o menino sobre a vida, o futuro e sobre dar descarga na privada do banheiro público? Apenas os pais. Goste-se ou não disto, eles é quem são os indicados para este tipo de treinamento dos filhos. Agora, quem pode ensinar as diabruras da oferta e da demanda? Nós, professores de economia.

Quando uma sociedade está com um nível muito baixo de capital humano, pode até ser que um professor, lá do maternal, seja mais pai (do que o pai), ensinando o menino a não conversar em voz alta quando em uma biblioteca ou em uma sala de aula (quando a aula está em andamento). Mas os valores básicos devem vir dos pais. Vá lá que haja uma substituição temporária destes pelos pobres professores do ensino básico, mas, então, os pais deveriam abdicar de reclamar com eles (e deles) e deveriam lhes dar carta branca. É como a taxa de câmbio fixa e a política monetária: se você optou por um, não pode ter o outro. Pais deveriam enfrentar esta escolha e não delegá-la a apresentadoras de TV que se dizem éticas e sérias ao mesmo tempo em que não falam de pixotes…

Pais e filhos emporiofóbicos não geram sociedades saudáveis

Este título é uma provocação, eu sei. Acredito que seja uma proposição testável (mas não estou dizendo que exista um jeito fácil de se fazer este teste). Acredito que a correlação sempre positiva entre alguns valores individuais e indicadores de prosperidade têm uma explicação que ainda precisamos elaborar melhor, eu sei.

Mas repare que, a cada dia que passa, estudos avançam mais e mais gerando novos protestos de gente que não quer perder o poder sobre filhos, alunos ou sobre a opinião pública e está disposta até a dizer que a ciência é “neoliberal” apenas para manter seu status de pajé.

Acho mesmo que valores emporiofóbicos não geram sociedades saudáveis e, se você me perguntar, acho que uma sociedade saudável é caracterizada por princípios básicos muito próximos aos de Adam Smith: um governo limitado, com algumas funções básicas e uma sociedade que usa o governo para o cumprimento destas funções, evitando, sempre, o surgimento e a eternização de privilégios.

Conclusão

Nada ainda. Nada de conclusão por agora. Mas sempre que olho para aquele desenho do pai elogiando o menino porque tirou boas notas lá no início do post eu fico com a impressão de que algo se perdeu na sociedade brasileira infantilizada que consome lei da palmada com um poder crítico abaixo do razoável. Tem gente interessada em aumentar a emporiofobia no Brasil. Quem são? Por que o desejam? Você conhece algum emporiofóbico? Talvez ele esteja mais perto de você do que você imagina…