Grandes Momentos do Pensamento Econômico – Veblen

“Diga-me, Professor Veblen, o senhor toma alguma coisa a sério?”, perguntou-lhe certa vez um aluno. “Sim”, respondeu, “mas não diga isso a ninguém”. (Heilbroner, R. Instrodução à História das Idéias Econômicas, Zahar, 1974, 4a ed, p.202).

Subitamente me ocorreu que sou um pouco vebleniano…

Mas o melhor trecho mesmo é este, na página 195:

Preguiçoso, deixava que os pratos sujos se acumulassem na pia até que a cristaleira ficasse vazia, e então os lavava com uma mangueira. (p.195)

 

“É, não lavo mesmo. E daí? De onde acha que tirei minhas idéias sobre classes ociosas?”

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O que dizem do prof. Drew após ele publicar um artigo dizendo que a economia brasileira nunca esteve melhor?

20140630_132454-003Pois é. O prof. Drew trabalha para o governo junto com Valdomiro Pinto. Alguns dizem que ele inventou a nefasta “contabilidade criativa” (que, aliás, seu criador não usa para suas contas financeiras pessoais porque não é idiota, acreditem!), outros que trabalhou em uma pesquisa sobre vitimização e teria participado do comitê que decidiu como fazer a amostragem da dita cuja.

Mas ninguém sabe mesmo que é o prof. Drew. Só sabemos que ele é um baita fanfarrão…

 

A Economia Política dos Gibis – complemento

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Você se lembra do nossas video-aulas sobre a Economia Política dos Gibis? Pois é. O anúncio aí no alto mostra um dos esforços de Aizen, na EBAL, de mostrar que os quadrinhos poderiam ser educativos.

Não cheguei a ter em mãos um exemplar destes, mas presumo que a maior parte dos meninos, como eu, aprendeu o bom e velho português lendo as revistas em quadrinhos (na época, escritas e revisadas com muito mais cuidado do que hoje, parece-me). De qualquer forma, esta divertida propaganda mostra que Aizen tentou lutar contra os seus inimigos: os censores e alguns educadores.

Momento Humor

As revistas em quadrinhos importaram muitos temas da sociedade norte-americana como, por exemplo, a liberação feminina, como você pode ver no divertido trecho abaixo.

É interessante pensar no que a srta Molly faria se a história fosse escrita nos dias de hoje. Ela poderia ser uma analfabeta, malhada, com próteses nos lugares certos (se é que você me entende) que estaria frustrada por não conseguir ler e escrever (embora, provavelmente, soubesse dançar “na boquinha da garrafa”) para poder trabalhar como secretária. Ah, e o Lanterna Verde seria um ser andrógino, destes metrossexuais estranhos, que não lhe daria a mínima bola assim mesmo. Bem, este é apenas um roteiro possível. ^_^

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Momento Mercado de Trabalho de Super-Heroínas

20140627_183013A vida da super-heroína não é fácil. Trabalho difícil este de salvar a Terra. Diana tem uma vida difícil e ainda se preocupa com o Jonny, rapaz “decente e corajoso”. Hoje em dia, que qualidades Diana procuraria em um homem? Será que as mulheres ainda procuram homens “decentes e corajosos”? E os homens? Que tipo de mulheres procuram? Taí uma boa pesquisa para pesquisas como aquelas sobre as preferências no mercado do namoro, casamento e divórcio no estilo Gary Becker. Achou que estou brincando? Bem, então confira, por exemplo, este texto do pessoal do EconomistaX.

 

 

 

Momento R do Dia – Tabelas

O pessoal do minicurso veio tirar dúvidas – hoje é o dia do bate-papo informal – e o que mais chamou a atenção de alguns alunos foi o pacote stargazer. Há um bom (ou vários bons…) motivo(s) para isto como você pode conferir aqui.

Entretanto, em algumas ocasiões você pode querer fazer tabelas com mais do que saídas de regressão. Nestes casos, talvez a opção seja o xtable.

p.s. Agradeço aos alunos pela oportunidade de falar de R (e de também de Econometria) por mais um semestre. Será que vamos ver mais e mais usuários de Econometria (e do R) em Pelotas? Torço por isto.

Momento R do Dia – número de observações da regressão

Se tem algo que não entendo no R é a insistência do pessoal que fez o programa em não ter criado, como default, as saídas de regressão com o número de observações. Bom, mas não é uma informação difícil de se obter. Todo objeto de regressão tem o número de observações utilizado lá nele.

Na regressão seguinte – que chamei de “nois” – obtenho o resumo dos resultados e, em seguida, peço o número de observações.

nois<-lm(lpsp~lpmg)
summary(nois) 
nobs(nois)

Não foi tão difícil, eu sei, mas não custava, né?

Ah…os anos 70…(Momento Propaganda da EBAL)

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Pois é. O anúncio está em uma revista da EBAL dos anos 70 (Set-Out/1974, para ser exato). Eu me surpreendi com o anúncio por dois motivos: (1) para ler e entender este anúncio (que não tem um único erro de português…terceiro motivo…) o sujeito precisa aprender um pouco de português em um nível que não vejo hoje em dia, época de supostamente maior nível de capital humano (pode ser impressão minha, corrijam-me, por favor, nos comentários) e (2) “Doughntus”, naquela época…por que é que aquilo não pegou no Brasil? Não era a era militar, etc? A influência norte-americana e tudo o mais…mas os “doughnuts” só pegaram mesmo no início do século XXI, com a globalização prévia dos anos 90 e a estabilização da economia com o Plano Real que permitiu que mais brasileiros fossem ao exterior a turismo e não mais procurando uma vida melhor.

Estas são minhas duas perguntas da manhã de hoje que, aliás, está surpreendentemente ensolarada aqui em Pelotas.

Momento PPGOM do Dia

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Rodrigo e eu na mesa alheia

Mais uma vez, Rodrigo salva o dia com a informática. A mesa do André Carraro, devidamente ocupada após a invasão de ontem. O pessoal do PPGOM, como sempre, muito simpático. Já encontrei por aqui: Régis, Fábio, André, Felipe, Rodrigo, Daniel, Júlia (agora em versão “grávida”) e, claro, os alunos do mestrado.

Nada como um bom ambiente de trabalho. De quebra, ganhei um livro em um concurso da LeYa. Depois conto detalhes.

Minha homenagem ao Boko Haram

20140624_120053É, a mulherada não protesta contra o Boko Haram. Deveriam. Vai ver são pela “autodeterminação dos povos”, aquele ideologia terceiro-mundista que era tão vaga quanto conveniente para a esquerda mundial satélite da ex-URSS.

Este blogueiro, contudo, continua achando bizarro que, em pleno século XXI, ainda exista quem sequestre mulheres para transformá-las em vacas, cabritas, bezerras ou jumentas (em feminino para homenagear os entusiastas do vocábulo “presidenta”).

Agora, tem que ter cuidado para não fazer apostas meio arriscadas como as da moça aí em cima. Uma vez livre do Boko Haram, nada de fazer apostas (ou desafios) bestas, né?

 

Tudo tem uma história: Tawarazumi Uta

Reflexões dos 45 anos…

Sim, tudo tem uma história. Eu, por exemplo, conheço uma música folclórica japonesa que tem toda uma história. Ela começa lá nos anos 80. Naquele tempo, a gente só tinha contato com a cultura japonesa em viagens para São Paulo ou quando a colônia exibia algum filme.

Uma grande oportunidade era o final do ano. Como o leitor mais antigo sabe, existe aquele show de música (homens x mulheres) da NHK na virada do dia 31 para o dia 01 de Janeiro. No meu tempo, a gente assistia um pouco da São Silvestre numa fresta que a vista da janela da sala do apartamento de minhas tias nos permitia, entre dois prédios. Em seguida, íamos para a TV assistir ao show.

Eram os anos 80…

Com o passar dos anos, apenas eu e minha avó perseveramos na frente da TV. Acho que era a Rosa Miyake quem comentava o show. Não existiam canais pagos ou NHK, mas existia a transmissão do programa. Eram os anos 80 e a gente tinha fita k-7 e, claro, era a era das fitas VHS e dos video-cassetes.

Numa destas exibições, assisti a uma música folclórica cantada pelo inigualável Hosokawa Takashi com uma participação de vários cantores como figurantes (Murata Hideo, Iwasaki Hiromi, o trio do Shibugaki Tai, etc). Hosokawa é cria do grande Mihashi Michiya, ambos originários do Minyou (música folclórica). Mihashi Michiya se foi, mas Hosokawa ainda é um dos grandes nomes da música Enka.

A saga que quase não teve fim…

Pois é. Eu gravei a música na fita K-7 e, como não sabia nada de japonês, fui para casa adorando ouvir a música, mas sem entender nada. Dali para frente foram anos procurando o nome da música. Nos anos 90, em São Paulo, encontrei-a em uma fita k-7 importada mas que, milagrosa e infelizmente para uma fita importada japonesa…não vinha acompanhada da letra da música.

Daí foram mais alguns anos pesquisando, procurando. Certa vez achei um CD importado com o nome da música impresso e, por um daqueles azares loucos, pela primeira (e única) vez na minha vida, o CD que vinha no estojo era outro (um erro de fábrica mesmo…). Bem, nada de letra e nada de música.

Passou-se mais um tempo e terminei o doutorado. Mais de 10 anos haviam se passado. Aí eu conheci o pessoal do grupo de música folclórica da colônia e finalmente obtive a letra da música. Daí vieram as aulas de canto e tudo o mais é consequência.

É por isto que eu gosto de 俵積み唄 (também na versão 南部俵積み唄). Esta música tem história comigo. Uma bela história.

Até mais!

Ok, leitores restantes do blog. Nos próximos dias eu terei acesso limitado à internet. Tentarei escrever algo por aqui sempre que possível, ok?

Ah sim, a dica R da manhã é – embora eu não tenha experimentado ainda – o knitcitations. Com a última atualização do RStudio, fica meio impossível não começar a pensar em escrever artigos usando seus recursos. Neste último semestre alguns poucos alunos tentaram (e muitos copiaram, mas não exploraram) o RMarkdown e puderam perceber o potencial existente. Bem, na graduação, infelizmente, poucos seguem em frente com isto.

Vamos ver se o Thomaz aparece por aqui e publica algo nestes dias. O sujeito desapareceu da face do planeta…

Origens Sociológicas do Discurso Governamental sobre Elites Brancas

Investigando a “elite branca”

Os porta-vozes do governo resolveram racializar a oposição, criando o repudiável termo “elite branca”, numa tentativa de criar uma dicotomia na sociedade brasileira, associando os ricos com a maldade, a sogra, o demônio, além da cor branca, claro. Já o resto, bem, vocês entenderam. O discurso é tão ruim que eles mesmos já se tentam se retratar, timidamente, aqui e acolá.

Mas não custa fazer uma breve investigação sobre as origens destes preconceitos. Eis aqui um belo exemplo. O leitor mais jovem poderá achar que se trata de um sociólogo marxista. Vejam o tom do anti-americanismo tímido, mas visível, unido a uma suposta neutralidade ideológica (à primeira vista, pelo menos) com as críticas ao marxismo soviético.

Realmente, foram os americanos, com as suas numerosas hostes de engenheiros e técnicos, buscando em massa, por assim dizer, na América do Norte, que levaram aos russos, apesar de fanatizados pelo igualitarismo da doutrina marxista, os novos cultos e os novos deuses da Burguesia argentária da Wall Street. Foi justamente esta burguesia – inquieta, ativa, aquisitiva – que lhes levou o Mecanicismo, a Tecnocracia, a Usina-Monstro, a Mass-Production, a Bonanza Farm. Não lhe levou, é verdade, os outros numerosos deuses do seu Politeísmo monetário: a Corporation, o Holding, o Trust, o Pool, o Merger, o Combine, o Businessman, o Captain of Industry, o Business Principle, o Trader’s Point of View; mas isto somente porque ali a free competition não existe – e é o Estado o único e exclusivo Capitalista…[Oliveira Vianna, História Social da Economia Capitalista no Brasil, 1987, 257, Ed. Itatiaia, Belo Horizonte]

Sentiu saudades da fazendinha? Pois é. O autor aí não era fácil não. Mas o melhor é o seu discurso. Já desde os anos 50, quando Oliveira Vianna escreveu os manuscritos que resultaram neste livro, tínhamos o mesmo discurso contra a “elite branca” no Brasil. Quem estudou um pouco de História no colégio deve se lembrar dos integralistas, por exemplo.

Havia até um pensador que achava que a raça (palavra que voltou à moda graças ao pessoal da esquerda) brasileira seria gradualmente “branqueada” pela miscigenação. Ou seja, desde os anos 30, 40 e 50, nossas elites (sejam lá quem forem, mas o pessoal do governo deve saber, já que criaram este termo) já tentavam dar um jeito de colocar todo mundo no topo da pirâmide.

Mas o Oliveira Vianna é insuperável. Mudando algumas palavras aqui e acolá, a gente pode transformar o texto dele em um destes que se vê por aí em blogs pagos que fornecem “fast-food-for-brain” para alguns aspirantes a intelectuais. Tem tudo lá: o elemento “anti-norte-americano”, o suposto progressismo (“sim, eu sei, erramos na URSS, mas a intenção é boa, viva!”) e aquele discurso tupiniquim, nacionalista, que exalta o matuto brasileiro, latino-americano, contra as malignas invenções do capitalismo mundial.

É, a origem é meio fascistóide mesmo. Esta mania de socialismo com nacionalismo que, etmologicamente, deveríamos chamar de nacional-socialismo, embora alguns se ofendam (não sem razão, eu sei, mas não cobertos da mesma, é bom lembrar…) com isso.

Minha conclusão? Uma só: vade retro, Oliveira Vianna!

Momento R do Dia – Granger-causalidade na granja da galinha gaúcha

Galinhas gaúchas são diferentes do resto do Brasil?

Eis aí os resultados de alguns testes de causalidade entre ovos e galinhas para o Brasil e o Rio Grande do Sul (dados trimestrais, IBGE). A hipótese nula do teste é se “x não-Granger causa y”.

Há várias formas de se fazer este teste no R (há vários pacotes, inclusive, com estes testes). Aqui vamos fazer um exercício bem simples e incompleto (o que deixei de fora? Testes de raiz unitária e análise dos diagnósticos dos resíduos) com o pacote MSBVAR.

Este tipo de teste é sensível ao número de defasagens e a trinca de sempre (AIC, BIC e HQ) foi usada. Enfim, estimei um sistema para cada número de defasagens apontado por cada critério. No caso do Brasil, dois deles apontaram para oito defasagens e um para três e, no caso do Rio Grande do Sul, cada critério apontou para um número distinto de defasagens.

Galinhas e ovos podem ser a causa do desejo de emancipação gaúcha?

Eis os resultados.

> granger.test(dlbr,8)
F-statistic p-value
ovos_br -> gal_br 1.457463 0.18567992
gal_br -> ovos_br 1.861807 0.07731937

> granger.test(dlbr,3)

F-statistic p-value
ovos_br -> gal_br 3.837858 0.0120811793
gal_br -> ovos_br 7.763221 0.0001063486

Para o Brasil, em ambos os resultados (mais notadamente no primeiro deles), os ovos não-Granger causam as galinhas, mas as galinhas parecem Granger-causar os ovos.

Agora, ao caso gaúcho.

> granger.test(dlrs,11)
F-statistic p-value
ovos_rs -> gal_rs 2.362270 0.0147914985
gal_rs -> ovos_rs 3.925051 0.0001758502

> granger.test(dlrs,2)
F-statistic p-value
ovos_rs -> gal_rs 1.178777 0.3118926621
gal_rs -> ovos_rs 8.935281 0.0002689876

> granger.test(dlrs,4)
F-statistic p-value
ovos_rs -> gal_rs 0.4425588 0.77754562
gal_rs -> ovos_rs 3.2431187 0.01539131

Em todos eles, ovos não Granger-causam galinhas, mas galinhas Granger-causam ovos. É, parece que não houve muita diferença entre o RS e o Brasil.

galinha-e-claudia