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Nicholai Deodoro da Fonseca? Nicholai Vargas? Por que(,) Nicholai??

Prezado ex-presidente, Nicholai ______ (preencha)

O controle social da mídia é um sonho de dez entre cada dez militantes de esquerda que, sisudos como eles só porque, dizem, lutam contra a exploração que é, sim, um problema sério, não têm tempo para uma piadinha. Simples assim.

Mas aí a gente lê que a senhor Doina, na Romênia – exemplo de socialismo esquecido pelos supostos professores de História do ensino médio por algum motivo que bem pode ter a ver com doenças mentais…ou não – tinha um emprego difícil lá naquele país de língua latina (isso mesmo!). Por que?

Como revisora, sua função, quase um desafio, era verificar se os nomes de Nicolae Ceausescu e sua mulher Elena estavam grafados corretamente cada uma das 30 e tantas vezes que eram mencionados na gazeta diária (40 vezes quando ocorriam as conferências do Partido, lembrou ela). Não era uma questão sem importância. Para azar de Ceausescu, seu primeiro nome podia, com uma ligeira alteração – para “Nicholai” -, significar “pênis pequeno” em romeno. “Esse erro podia dar cadeia”. (Lewis, Ben. Foi-se o Martelo, Editora Record, Rio de Janeiro, 2014, p21)

“Que é que cê tá olhando? Faz seu xixi aí e não me espia, boiolão!”

Claro, como sou um sujeito politicamente correto, não vejo motivo para tanto. Afinal, ditadores também podem ser portadores de necessidades especiais de extensão peniana (como mostram aqueles spams que chegam para a gente de vez em quando). Qual o problema? Não é o tamanho do pênis do ditador que importa, mas sim o sofrimento, a fome, a tortura e o controle social da mídia que ele proporciona, ora bolas!

Do humor sob o controle “social”

O caso do ex-ditador romeno é apenas um dentre tantos que sobreviveram anos e anos por conta de seu aparato de repressão. O humor, no final do dia, pode ser pensado como uma última saída para a sanidade ou como uma arma de resistência contra a repressão das liberdades.

Meu humor de mau humor (ou não?)

Mas a maior ironia mesmo, na minha opinião, está com o povo mais alegre e feliz do mundo: o povo brasileiro. A patota se auto-denomina “calorosa”, “amorosa”, “amistosa” e tudo o mais. Ao mesmo tempo, adora se sentir parte da esquerda norte-americana, adotando modismos como o politicamente correto, o excesso do uso do termo “social” em qualquer conversa (não demorará para inventarem o hot dog social) e, claro, o sentimento anti-americano, que, de tão vago, é, ao mesmo tempo, anti-liberal e anti-militar.

Por que é que a ironia está conosco? Bem, tivemos um ditador, Getúlio Vargas. Um sujeito que prendeu e torturou como todo bom ditador e o povo insiste em colocar seu nome em avenidas, praças, ruas, fundações, como se herói brasileiro ele fosse. É aquela mentalidade do “mata mas faz”. Acho que não existe brasileiro mais idolatrado do que este. Nem Carlos Chagas, que deveria, este sim, ter seu nome em muito mais ruas e avenidas (ou Machado de Assis, ou Euclides da Cunha, etc) tiveram tanto sucesso com o povo que pouco lê, mas marcha bem, seja com o uniforme vermelho ou o verde.

Aliás, esta é outra ironia histórica: a luta do militante contra os fatos (se preciso for, ele acusa o juiz Joaquim Barbosa de ser negro, no mais límpido dos racismos que diz combater…). Por exemplo, como já destacou Alain Besançon (em seu A Infelicidade do Século), não há porque distinguir a violência socialista da sua irmã, a nacional-socialista. Claro, você pode achar uma piada este papo de intelectuais. Então, deixemos que o cidadão comum se expresse.

Naquele inverno de 1939, um surrado recorte do Pravda chegou a um campo de prisioneiros políticos na região de Kolima, no extremo oriente da URSS trazendo a notícia sobre o pacto e uma grande foto do chanceler soviético Molotov ao lado do colega alemão, von Ribbentrop. Uma das prisioneiras russas não se espantou: “Um retrato de família encantador”, comentou. Para elas, a surpresa não foi tão grande, pois haviam sido instruídas a respeito graças à experiência de companheiras comunistas alemãs aprisionadas no mesmo campo, em que sentiram na pele as afinidades que aproximavam os dois regimes. “Isso é da Gestapo”, disse uma delas, mostrando as cicatrizes profundas que desfiguravam suas pernas e suas nádegas. “E isso”, continuou, “é da NKVD”, exibindo as unhas deformadas em ambas as mãos, nas extremidades de dedos azulados e inchados”. (Figueiredo, Cláudio. Entre sem bater – a vida de de Apparício Torelly, o Barão de Itararé, Casa da Palavra, 2012, p.300)

Não deu para rir muito, né? Ou riu sem dar? Não, é triste demais para fazer piada, eu sei. Mas é a ironia da história da qual eu falava ali no alto. Digo mais: Vargas e outros ditadores são realmente bons motivos de piada, como nos fizeram ver o pessoal do antigo Pasquim. É surpreendente que brasileiros não façam tanta piada com ele.

Aliás, brasileiros são um tanto quanto estranhos no que diz respeito às piadas. Eles são capazes de fazerem protestos contra o desenho The Simpsons quando o mesmo faz piada com o Brasil, mas acham muito feio fazer piada com presidentes de esquerda.

É ou não é de rir? O povo que levou mais de 500 anos para ter o direito de escrever biografias não-autorizadas é o mesmo que se acha muito engraçado. Tudo ofende o mameluco-caboclo que está deitado em berço esplêndido.

Ele ri do argentino e de sua arrogância, mas arroga-se o direito de decidir o que é engraçado ou não por meios legais. Biografia não-autorizada? Só pode ser crime! O indivíduo não tem capacidade de julgar o que é ou não engraçado! Que Nicholai Vargas decida por ele. Ei, eu disse Nicholai Vargas? Desculpem-me. Eu queria dizer apenas Nicholai.

Fechando o bar

Para encerrar…bom, não acho que assunto se encerre assim, facilmente. Quando se fala em controle social de alguma coisa, até uma piada pode ser pensada como um perigo porque ofende a minoria dos humoristas gaúchos que militam na esquerda e tocam saxofone. Ou ofendem a minoria de empresários branco-descendentes que ganham favores do governo e não produziram o que prometeram. Ou, sei lá, ofendem as dondocas da Matilde. Vai saber. No final, eu acho é que são todos uns recalcados e, com sua estatura, creio que precisarão de subir nos ombros uns dos outros ao menos um milhão de vezes para que possam enxergar as vielas das ruas de Mariana. Ou de Ouro Preto.

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