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O jogo das instituições

Taí um tema que este blog martela há anos (literalmente). Mas o legal mesmo é saber que mais um entrou na discussão, a saber, o Roberto Ellery Jr. Seu texto sobre o tema é este. Deu para ver que ele gerou uns gráficos bacanas que não parecem ter sido feitos em R (mas é muito fácil fazer isto lá).

Instituições? Sempre um tema espinhoso. Ainda bem que Ellery entrou no jogo. Para estimular o debate, sugiro que você dê uma olhada neste gráfico dele e vá lá se divertir.

 

De minha parte, bem, talvez um gráfico legal sobre o tema seja este (estava em algum post que fiz este ano, aqui). Só para mostrar que a discussão do Ellery tem muita areia para nos atrapalhar.

cronismo_novamente

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A velocidade de circulação da moeda

2014-05-18 17.18.27

Especificamente, desta moeda aí em cima, eu acho que a velocidade não foi tão rápida assim. Ceteris paribus minha distração usual, foi a primeira vez que a moeda de R$ 1.00 comemorativa dos 40 anos de fundação do Banco Central chegou até a minha humilde (e distraída) pessoa.

Como nossa maltratada Autoridade Monetária (A.M.) foi fundada em 1965 (pelo menos esta A.M., não falo da SUMOC e afins) e a moeda foi emitida em 23 de setembro de 2005, presumo que esta moedinha passeou um bocado por aí. A tiragem foi de 40 milhões de moedas (em 2005) para uma população que vinha de algo em torno dos 166 milhões em 2000 e se encontrava por volta dos 190 milhões em 2010. Uma estimativa que vi foi a de que, em 2005, o Brasil tinha algo em torno de 180 milhões de habitantes.

Ou seja, no ano da emissão, foram 40/180 = 0.22 moedas por habitantes. Aí ela circulou, circulou, circulou…e veio parar em minhas mãos só agora. Com tantas transações intermediárias…sabem de uma coisa? Vai ver eu fui distraído e deixei passar esta moeda há alguns anos. ^_^

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Os temíveis dados irregulares – Momento R do Dia

Não tem coisa mais irritante do que dados semanais ou diários. Eu sei, é muito chato mexer com eles. Com feriados, nem se fala. Ainda bem, portanto, que existe o R. Vejamos o que aconteceu quando eu importei os dados do FRED para nossa taxa de câmbio.

Após fazer o download da planilha, eu copiei e colei a série com o cabeçalho e, bem, entrei em ação (outra boa dica sobre como fazer isto aqui).

base <- read.table(file = "clipboard", sep = "\t", header=TRUE)
head(base)
base$observation_date = as.POSIXct(strptime(base$observation_date, "%Y-%m-%d"))
require(xts)
x2 = xts(x = base$DEXBZUS, order.by = base$observation_date)
head(x2)

library(zoo)
zoocambio<-as.zoo(x2)
head(zoocambio)
plot(x = zoocambio, ylab = "taxa de câmbio", main = "Taxa de câmbio R$/US$ - FRED")

Repare que meu código usa o comando as.POSIXct para importar a coluna “observation_date” como data. Para te dar uma idéia de como está a planilha, eis um trecho da mesma.

cambio_rmomento

Perceba que copiei para o clipboard os dados a partir da linha 11 (obviamente, colunas A e B). Depois eu carrego o zoo, que é adequado para dados diários, e peço um gráfico bem simples usando o comando padrão do R, o plot. Como resultado:

brincandoR

Não é o gráfico esteticamente mais atraente do mundo e, claro, eu posso melhorar isso mudando o título e os nomes dos eixos do gráfico (mas…………….hoje é domingo, né?). Outra opção, claro, é melhorar a apresentação usando um pacote como ggplot2 e outros tantos que existem no R. Opções é que não faltam, mas meu Rochedão (*) chegou. Vamos ao almoço.

(*) Se você não é de Belo Horizonte, então não sabe o que é o Rochedão. Bem, eis aqui algo sobre este prato diet.

O melhor é que é só beber uma Coca Zero e fazer uns gráficos para limpar a consciência.
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Doença do Custo e os Choques Tecnológicos

Geralmente imaginamos que um choque tecnológico sempre gera queda de custos para tudo e para todos. Não deixa de ser verdade que observamos muitos choques assim: poupadores de custos, embora eu já tenha chamado a atenção, aqui, para a complexidade destes choques, quando falamos em termos microeconômicos. O exemplo mais prosaico é a destruição criadora de Schumpeter.

Mas não precisamos ficar em análises muito vagas ou abstratas. Podemos visualizar o problema microeconomicamente. Para tanto, basta pensar no que disse Baumol nos anos 70 (e depois, mais recentemente, no livro citado a seguir) sobre a economia envolvida na apresentação de um quarteto de cordas. Veja que bela descrição!

How is quartet performance faring in this society of growing abundance? Suppose that the quartet players somehow succeed in getting their wages raised by 4 percent each year so that their standard of living maintains its position relative to the auto workers. How does this situation affect the costs of quartet performance? For a while, perhaps, the musicians could also increase their performances by 4 percent a year, but because they cannot keep doing this forever, let us assume that the number of performances is fixed. If each string player provides just as many performances as in the previous year but his wage is 4 percent higher, the cost per performance must rise by 4 percent. There is nothing to prevent this cost from rising indefinitely.

Pois é. Vou dizer mais: quartetos de música e gastos em saúde têm algo em comum: a cost-disease, explicada pelo Baumol no trecho acima. Sim, você deveria fazer uma pesquisa por este tema e, sim, eu acho que o conceito de cost disease é subestimado nas discussões que acompanho sobre economia brasileira (mas eu confesso que não acompanho muitas discussões porque o tempo é escasso e…).

Mas, vamos lá, aproveitando o ímpeto, que tal falarmos da malvada e feia “divisão internacional do trabalho” sob uma ótica mais lógica, com o pensamento organizado e sem o uso de psicotrópicos heterodoxos?

Even if the stagnant and progressive sectors do not maintain constant output ratios, this tendency exists, and it helps explain the declining share of employment in the manufacturing industries of most developed economies. Rising productivity means that fewer workers are needed to produce a given amount. Thus, in the United States, Germany, and the United Kingdom, these industries provide a declining share of each nation’s jobs. This also explains my assertion that the loss of manufacturing jobs in the United States cannot be attributed primarily to the capture of those industries by rival economies such as China and Japan. In these countries, manufacturing productivity also is growing rapidly, meaning that it requires fewer workers to meet the world demand for its manufactured products..

Legal demais! Bem, agora que você foi exposto a um pequeno momento de novos conhecimentos, pense no que sempre ouviu, por aí, acerca de choques tecnológicos, inovações, crescimento econômico, etc. Não é fácil, realmente, acompanhar os efeitos de uma mudança em um setor sobre outros. É bastante compreensível e muito razoável trabalhar com agregados nestas horas. Afinal, um choque aleatório com média zero no agregado pode não ser uma hipótese tão ruim assim.

Como sempre, o insatisfeito pode partir para a análise microeconômica e tentar um desafio difícil, mas recompensador (ou frustrante) que é o de buscar mensurar os impactos de um choque em um modelo de equilíbrio geral.