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Abrir um negócio é quase um crime (exceto quando o assunto é pagar impostos para o partido-império)

"- Papai, por que não podemos vender sorvetes? - Porque o BNDES quer campeões, filha, e nós somos só gente pobre".
“- Papai, por que não podemos vender sorvetes?
– Porque o BNDES quer campeões, filha, e nós somos só gente pobre”.

Assim é no Brasil. O partido-império – aquele que comanda a máquina pública – adora tributar, acusar os consumidores e empresários de egoístas que lutam contra o país porque importam bens do exterior…exceto quando pagam seus impostos.

Mais ou menos assim, porque se o seu carrinho de sorvete atrapalhar o grande financiador da campanha política, eles te chamam em um canto, fazem uma pressão e dizem que você deveria se retirar para deixar os campeões (escolhidos por volume de contribuição feito em caixa dois) usarem e abusarem dos consumidores.

Instituições importam? Importam. É um dos assuntos mais enjoativos deste blog: cinco em cada dez textos aqui são sobre o tema (e os outros cinco são sobre R, eu sei).

Acha que exagero? Vai lá olhar o que fizeram com a nossa economia em termos da burocracia para se abrir um negócio no país. Não é à toa que tentam desqualificar agências estrangeiras: afinal, é mais fácil mandar uns técnicos do IBGE para o almoxarifado e tirar o tomate do IPCA do que bancar o valentão no Banco Mundial, não é?

Mas o fato triste é que o governo atual levou nosso país a um inacreditável deja vu dos anos 70.

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Ah, a convexidade…(bee’s edition)

maruCiri410A convexidade forte, naqueles problemas de otimização, mostra que diversidade é sempre interessante. Bom, é mais ou menos isto. Agora, repare que isto mostra o quanto economistas – ao contrário do que dizem os maus sociólogos e outros que não estudaram Economia porque estavam fazendo politicagem na faculdade – são os que mais gostam de diversidade por motivos óbvios.

Quem já estudou Teoria da Produção sabe que há uma grande diversidade (pun intended) de funções de produção e também que economistas adoram funções de produção bem gerais que incluem casos extremos como seus casos particulares (como a boa e velha CES, por exemplo).

Esta história de que diversidade (convexidade) é bom não se restringe aos manuais por um motivo simples e frequentemente esquecido: buscamos descrever como funciona a realidade, não como ela deveria funcionar. Trata-se de uma análise positiva, não normativa.

Eis, portanto, o exemplo de hoje. Pesquisadores descobriram que a diversidade de abelhas gera ganhos de bem-estar para fazendeiros. Eu sei, eu sei, a gente poderia falar de externalidades aqui – e o exemplo até cabe para um texto sobre o assunto – mas repare que o estudo não é de economistas, mas de entomologistas. Mesmo assim, eles fazem um experimento interessante e um cálculo econômico simples. Segue o trecho:

Using the price the farmers’ set per pound for their blueberries, the authors found that if two different species of bee pollinated the blueberries, a farm would see a $311 crop yield per acre; for three bee species, it would be $622; for four, $933, and so on. Since the scientists only observed five distinct species, they can’t speculate on the effect of biodiversity beyond five—but they assume that eventually the relationship would flatline (and added species would no longer mean bigger berries), but they didn’t reach that threshold naturally in the study. All told, Burrack and her colleagues calculated that for every additional species, the North Carolina blueberry industry could expect an additional $1.4 million in yield increase.

Legal mesmo, vou repetir, é que os autores se preocuparam em fazer uma estimativa – ainda que simples – do ganho de bem-estar. A diversidade, portanto, taria um ganho de US$ 1.4 milhões para a indústria de blueberry da Carolina do Norte. Não é só uma conversa de entomólogos ou de ambientalistas. Aliás, eis aí o incentivo para que pessoas defendam a diversidade de abelhas: todos ganham com isto e o ganho está quantificado.

Eis um bom exemplo de interdisciplinaridade que raramente vemos defendido pelos auto-denominados “defensores do pluralismo metodológico”. Eles só querem pluralismo com soft sciences ou com grupos com os quais tenham afinidade ideológica. Eles são pouco pluralistas, na verdade. Nada de conversar com o pessoal das Ciências Naturais, Estatística ou Computação. Ironicamente, são muito menos pluralistas do que nós, do mainline da economia. Viva as abelhas!