O mundo está mais igualitário…na repressão aos que discordam

“Controle ‘social’ da mídia = Menos liberdade imprensa”

Ok, nem vou discutir este tema (já falamos muito dele no blog). Os novos dados estão aqui. Quanto ao Brasil, esta potência econômica…



Posso estar enganado, mas o grande ganho de 1993 a 2002 (de 27 a 38 pontos) perdeu-se sob os governos que diziam ser mais “pluralistas” e “contra a censura” (de 36 a 45 pontos). Acho que há muito o que liberar ainda (veja os outros países) e seria desejável, em termos morais e éticos mesmo, ver a imprensa mais livre no Brasil.

Em temos de eficiência econômica, claro, já discuti o tema (faça o dever de casa e pesquise pelo blog) e não vou discutir isto agora. Mas a base de dados merece um estudo cuidadoso, com inter-relações com outras variáveis, não merece?


Por que existem tantos livros propondo diferentes dietas “saudáveis”?

Diet trials are particularly troublesome, because it’s impossible to conduct them with placebos or a double-blind.

Preciso dizer mais? Sim, é o livro do Taubes, Good calories, bad calories. Repare: só interessa a quem deseja vender gato por lebre a idéia de que não se pode distinguir gatos de lebres por meio de algum teste empírico (como olhar para eles, o que é um teste simples e…empírico). É, você adivinhou: menos possibilidade de se testar uma hipótese, mais livros à venda.

Claro, há quem não entenda muito de Ciência ou da discussão de testes estatísticos, sempre passível de ser enganada por charlatães. Mas o fato é que se nada pode ser testado, qualquer um pode propor qualquer coisa. É o caso das dietas. Quantas dietas saudáveis apareceram nas revistas femininas – e nas masculinas, a cada dia que passa mais parecidas com as femininas… – nos últimos meses?

Uma receita interessante

Quer fazer um exercício interessante? Eis a receita: você precisa de vários livros de econometria publicados desde os anos 70. Se você é como eu, você tem uma pequena amostra de livros comprados aos longos dos anos. Complete-a com alguns exemplares mais antigos. Abra um editor de planilhas. Para cada livro, crie uma coluna. Para cada item do índice, uma linha. Faça uma análise completa e veja como o índice dos livros de econometria mudaram ao longo dos anos. Livro mais recentes – como aquele do Stock & Watson (cuja tradução ficou ruim, infelizmente) – você verá os termos quase-experimentosefeito placebo aparecerem. É muito recente ainda, mas os livros já estão incorporando estas técnicas. Afinal, não é nosso dever ajudar os aprendizes a se livrarem dos charlatães?


Nem sempre a tecnologia te dá o que você pensa que ela vai te dar…

As the great theorist of technology Marshall McLuhan put it in Understanding Media, “It was the telephone, paradoxically, that sped the commercial adoption of the typewriter. The phrase ‘Send me a memo on that,’ repeated into millions of phones daily, helped to create the huge expansion of the typist function.

Ok, acho que o título deste post poderia ter sido menor e mais bem elaborado. Mas é exatamente isto que eu sinto ao ler um trecho como o reproduzido acima. Ah sim, uma meta-piada é que se existe algo horroroso no Kindle, digo, no aplicativo do Kindle, é a possibilidade de se compartilhar trechos anotados e/ou grifados.

Por exemplo, não consigo citar corretamente, com a página e tudo o mais (parece que usuários de Mac não têm este problema). Pode ser que eu seja ignorante no uso do aplicativo (acho que sou mesmo), mas tenho a impressão de que não estou tão errado assim.

McLuhan e os ciclos reais de negócios

Agora, veja como é o processo de inovação, na visão do McLuhan: a tecnologia em um setor não necessariamente tem os mesmos efeitos em outros setores e é por isto que não é tão simples quantificar seus efeitos, na prática. Claro que não vou também virar um destes luditas intelectuais que querem destruir a análise estatística de dados porque a acham imperfeita. Vou até dizer mais: a frase do McLuhan é perfeitamente compatível com a idéia de ciclos reais, com choques de tecnologia sendo positivos e negativos no agregado.

Aliás, este é o melhor exemplo que eu já vi para quando alguém perguntar sobre como é possível haver choques de tecnologia negativos. Vou passar a dizer: “olha, meu caro, lá na sociologia tem um cara, tal de McLuhan, que mostrou exemplos de efeitos mistos da tecnologia, no agregado. Quem sou eu para garantir que o efeito só pode ser positivo”?

Choque de produtividade no seu humor

Ironicamente (?), aquele pessoal crítico da economia que se junta lá na tribo dos sociólogos não percebe, mas eles têm bastante afinidade com a nossa aldeia de economistas adeptos da teoria dos ciclos reais. Não é uma delícia perceber isto?

“Garotos, qual de vocês vai me enviar o relatório impresso para a reunião do diretor?”

Classificados: ache seu novo emprego

We have an excit­ing new ini­tia­tive at Monash Uni­ver­sity with some new posi­tions in busi­ness ana­lyt­ics. This is part of a plan to strengthen our research and teach­ing in the data science/​computational sta­tis­tics area. We are hop­ing to make mul­ti­ple appoint­ments, at junior and senior lev­els. These are five-​​year appoint­ments, but we hope that the posi­tions will con­tinue after that if we can secure suit­able funding.

Assim se inicia o texto do prof. Hyndman sobre a oferta de emprego lá na Monash University. O que a vem a ser business analytics? Olha, eu sei, você, brasileiro, que acha que tudo é resolvido na regra de três, no carteiraço e que as obras da Copa estão em nível satisfatório e que os gringos é que são exigentes, sim, você achará isto tudo muito sofisticado. Afinal, vida boa é na oca, né?

Mas se você é destes brasileiros que não compartilha da obscuridade mediocrática, então, olha, eu diria, aprecie a oferta de emprego. Ela é, no mínimo, promissora. O leitor deste blog que gosta de Econometria deve entender bem as portas que se abrem em um caso deste, não?


Momento Dynare do Dia


The 10th Dynare Conference is kindly hosted by Bank of France in Paris and will
take place September 18-19, 2014.

The conference will feature the work of leading scholars in dynamic macroeconomic modeling and provide an excellent opportunity to present your own research results.

Fabrice Collard (University of Bern) and Alejandro Justiniano (Federal Reserve Bank of Chicago) will be plenary speakers.

Submissions of papers dealing with different aspects of DSGE modeling and computational methods are all welcome. Papers using other software tools than DYNARE or theoretical contributions are also encouraged.

Accepted papers will be automatically considered for publication in the Dynare Working Papers series (http://www.dynare.org/wp) conditional on the agreement of the submitter. Note that publication in the Dynare WP does not prohibit submission to another working paper series.

The submission deadline is June 14, 2014. Acceptance decisions will be
sent by June 30, 2014.

The Dynare conference is sponsored by Bank of France, DSGE-net and the
DynareTeam at CEPREMAP.


Como destruir sua apresentação

É claro que, em seiscentas e vinte e duas páginas, eu iria para as duas últimas, né? Ainda mais se o livro é sobre os prazeres da Estatística. Bem, o minúsculo artigo do prof. Efron se chama Thirteen rules. Do que ele trata? Das treze regras para destruir sua palestra/aula/apresentação.

Reproduzo rindo.

1. Don’t plan too carefully, “improv” is the name of the game with technical talks.
2. Begin by thanking an enormous number of people, including blurry little pictures if possible. It comes across as humility.
3. Waste a lot of time at first on some small point, like the correct spelling of “Chebychev.” Who ever heard of running out of time? (See Rule 13.)
4. An elaborate outline of the talk to come, phrased in terms the audience hasn’t heard yet, really sets the stage, and saves saying “I’m going to present the beginning, the middle, and the end.”
5. Don’t give away your simple motivating example early on. That’s like stepping on your own punchline.
6. A good way to start is with the most general, abstract statement possible.
7. The best notation is the most complete notation — don’t skimp on those subscripts!
8. Blank space on the screen is wasted space. There should be an icon for everything — if you say the word “apple,” an apple should tumble in from the right, etc. And don’t forget to read every word on the screen out loud.
9. Humans are incredibly good at reading tables, so the more rows and columns the better. Statements like “you probably can’t make out these numbers but they are pretty much what I said” are audience confidence builders.
10. Don’t speak too clearly. It isn’t necessary for those in the front row.
11. Go back and forth rapidly between your slides. That’s what God made computers for.
12. Try to get across everything you’ve learned in the past year in the few minutes allotted. These are college grads, right?
13. Oh my, you are running out of time. Don’t skip anything, show every slide even if it’s just for a millisecond. Saying “This is really interesting stuff, I wish I had time for it” will make people grateful for getting “Chebychev” right.

Sensacional, não? Mas a idéia do prof. Efron não é tão original assim. Lembra do falecido George J. Stigler? Ele teve dois de seus livros (na verdade três, mas um era um livro-texto) traduzidos para o português. Um deles, O Intelectual e o Mercado, tem um pequeno capítulo muito similar ao texto acima. Um dia destes a gente fala do bom humor do Stigler.


Gás de xisto

Eis um artigo em versão preliminar no qual o autor tenta analisar os impactos desta fonte de energia sobre a economia dos EUA. Veja o resumo:

This paper estimates the effect of the shale oil and gas boom in the United States on local economic outcomes. The main source of exogenous variation to be explored is the location of previously unexplored shale deposits. These have become
technologically recoverable through the use of hydraulic fracturing and horizontal drilling. I use this to estimate the localised effects from resource extraction. A key observation is that, despite rising labour costs, there is no Dutch disease contraction in the tradeable goods sector, while the non-tradable goods sector contracts. I reconcile this finding by providing evidence that the resource boom may give rise
to local comparative advantage, through locally lower energy cost. This allows a clean separation of the energy price effect distinct from the local resource extraction

Ou seja: o autor não descuida da possibilidade de se observar a doença holandesa no caso, mas não encontra evidências da mesma. É algo que, com as devidas adaptações, poderia ser feito para o Brasil, no caso do petróleo. Ok, eu não sou um cara da área de economia da energia e não conheço as pesquisas por aqui, mas imagino que muito aluno já tenha se feito a mesma pergunta. Assim, caso alguém conheça referências similares para o caso brasileiro, eu agradeço se me enviarem nos comentários.

Para os alunos de Ciências Econômicas, destaco o aspecto extremamente didático do artigo, que usa um modelo teórico muito simples (mesmo) para entender o problema (a seção 2, no qual o modelo é apresentado, não tem mais do que três páginas). Claro que alguém pode querer reclamar da excessiva simplicidade do modelo, etc, mas não custa lembrar do bom e velho conselho: antes de jogar a pedra, faça o seu modelo e mostre que ele é superior do que o outro. Com este recado em mente, vá ler o texto e depois me conte.

Repare, meu caro leitor (tenho um ou dois leitores(as) por aqui, claro) como, novamente, este blog abre mão de complexos artigos em prol daqueles mais simples. Os fins didáticos deste blog, muitas vezes, superam o meu entusiasmo com pesquisas de última geração (e muitas vezes o oposto ocorre). Quem já nos acompanha há mais tempo sabe que me agrada muito ver o esforço de alunos em usarem a Ciência Econômica para explicar a realidade e, claro, este esforço tem que começar com algum modelo simples senão…

É isto, pessoal.