Rent-Seeking no Humor

Quando se levantou da poltrona no enorme salão e andou em direção ao pódio, Kol’tsov foi defender o valor da sátira, não porque acreditava na liberdade de imprensa, mas porque esse gênero literárioa era a fonte de seu poder político. (Ben Lewis, Foi-se o Martelo, p.66)

Muitas vezes é difícil visualizar o que acontece na realidade – e certamente a vulgata marxista não ajuda – pois ela é, sim, muito complexa. Eu diria que uma combinação de Hayek com Olson seria mais adequada para entender este pequeno – mas importante – trecho acerca da defesa da sátira na sociedade soviética.

A sátira pode muito bem ser pensada como algo perigoso. Assim se manifestou Vladimir Blium:

Zombar do Estado proletário pelo uso de velhos recursos satíricos e assim abalar suas fundações, rir dos primeiros passos – mesmo que incertos e desajeitados – da nova sociedade soviética é no mínimo imprudente e equivocado. (mesma referência anterior)

Reparou no aviso? Há um marco civil aí, gente! Não se pode fazer biografia não-autorizada paródia em um estado governado por trabalhadores proletários. Não é prudente. Pode levar seu autor a horas de interrogatórios em delegacias.

Em uma sociedade de partido único, discurso único, controle social da mídia, da escola, da família, do mercado, da saúde, do céu, do mar e da alma (1984…), meu caro, tal e qual na sociedade brasileira e afins, existem interesses e rent-seeking. A diferença é que, em sociedades chavistas, bolcheviques e afins, com o controle do pensamento em níveis absurdos, qualquer coisa vira motivo de luta por grupos de interesses. Assim, o malandro do Kol’tsov pôde lutar pelo seu direito de fazer sátira. É quase como estar em um livro de Kafka…

“Sátira faz bem também, amigo. Ainda mais em uma sociedade comunista, na qual o pão não está na prateleira. Nem mesmo aquele que o diabo do governo amassou”.

Capital Humano e Choques Institucionais

Alguém poderia fazer um favor aos pais e professores brasileiros e traduzir isto. Ajudaria um bocado o dia-a-dia de vários professores do ensino básico e médio que, realmente, querem ensinar alunos e transformá-los em estudantes. Este material é do Lemov. Repare como sua adoção em sala – juntamente às outras técnicas que ele pesquisou – vão na contramão de muita coisa que se prega na prática educacional brasileira (outras, nem tanto e, claro, em teoria, tudo é muito lindo…mas a prática…).

Aliás, é gratificante saber que há dois livros dele traduzidos para o português. É uma verdadeira revolução na pedagogia (e certamente incomoda interesses há muito encastelados sob práticas supostamente pedagógicas, mas cheias de segundas intenções ideológicas). Choques tecnológicos podem gerar choques institucionais, não? Claro que sim e, por isto, o temor de muitos…

Após o fracasso da geração Y, que não conseguiu botar limites em seus filhos, e hoje se defrontam com a frustração xingando diretores de colégios (ao invés de fazerem sua auto-crítica), nada restou para se elogiar. Os resultados do PISA falam por si, o comportamento totalmente não-civilizado em espaços públicos que adolescentes apresentam falam por si. Claro que não generalizamos, mas falamos de médias. Mesmo assim, é lamentável.

Livros como os de Lemov e a curiosidade de alguns adolescentes – se bem direcionada – são dois insumos poderosos na mudança da qualidade de nosso capital humano brasileiro. Afinal de contas, capital humano se constrói individualmente, em casa.

Então, os quatro anos de heterodoxia nos deram…

Mais inflação e menos crescimento. Além disso, há a deterioração institucional, o desvirtuamento dos marcos regulatórios, o fechamento da economia, etc, etc, etc. Mas não vamos ser tão duros com o governo. Foi só um momento de lampejo heterodoxo que mostrou ao mundo que, sim, nós temos bananas (e eles ocupam cargos públicos).

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O pessoal comemora o PIB no politburo do partido da presidenta, para fins de campanha eleitoral.

Preferências do Consumidor: ele não sai do armário porque não sabe mesmo se está dentro de algum

Como já falei algumas vezes aqui, esta mania de querer criticar a microeconomia porque as preferências do consumidor mudam é uma constante entre alunos. É incrível como vários alunos que não são capazes de nos dizer o que realmente sentem quando falam “X” continuem se iludindo com um suposto conhecimento oriundo da leitura de três páginas do livro do Varian (ou do Piketty, ou do Kahneman, etc).

Para ser justo, nem eu consigo dizer em que pensarei daqui a, digamos, uns dois segundos. Hayek tem uma frase que diz mais ou menos isso, embora eu não me lembre exatamente da citação neste momento.

Bom, agora que já nos colocamos em uma posição um pouco mais cética e humilde, vamos pensar no estudo do comportamento do consumidor. Como é que você quer entender o comportamento dele se ele é um ser, digamos, tão complexo, chique, elegante ou – palavra mágica para pegar mulher em boate – não-linear?

O ponto é: você não consegue. Assim como não vamos aprender a construir um foguete se tentarmos estudá-lo em pleno funcionamento. Não dá para ver todas as peças, engrenagens, circuitos, etc, agindo ao mesmo tempo e ainda entendê-lo em toda sua plenitude.

Analogamente, um médico tem o mesmo problema na sua consulta anual. Você chega lá, sem saber nem dizer onde coça, o que dói e tudo o mais. E ele tem que te examinar e dar um diagnóstico ou indicar um caminho para seguir na investigação de possíveis doenças. Pois é. E nenhum estudante de medicina fica choramingando sobre os pacientes não serem perfeitos.

Digo isto tudo apenas para introduzir esta discussão muito interessante sobre consumidor, escolhas e marketing. Um dos pontos do argumento do autor é que é difícil coletar dados de consumidores (tem sempre um experimento engraçado em que você engana o consumidor e, daí, alguns apressados já começam o choro sobre a teoria abstrata, a maximização, etc). Mas, veja só, o mesmo autor não foge do desafio. Pelo contrário, encara-o de frente com boas armas.

In fact, this is why we have discrete choice modeling. As Daniel McFadden explains in his Nobel Prize acceptance speech, the decision to drive alone, carpool, take the bus or the metro required a new statistical model reflecting the specific preference construction process required to make such a choice. What is true for transportation choices is true for many occasions when consumers decide what to buy. It is not difficult to think of actual purchase situations where we have narrowed our choices down to two or three alternatives that we are actively considering and where we compare these offers by trading off features. Online purchases by sites that enable you to create side-by-side comparisons will satisfy the criteria underlying information integration. We can observe the same phenomena in the store when a shopper takes two containers offer the shelf to compare the ingredients.

Viu só? Daniel McFadden, Nobel de Economia, econometria. Sim, é isso mesmo. É difícil estudar o comportamento do consumidor, mas é necessário construir hipóteses para estudá-lo de algum jeito (tal e qual sua consulta médica). Obviamente, isto não exclui os experimentos engraçados que mostram que o consumidor pode ser enganado ocasionalmente (se é que ele é, realmente, enganado…vai que ele também está de brincadeira e quer ver até onde vai isto tudo…).

Não é minha área de pesquisa primária trabalhar com marketing. Mas qualquer um que consiga ler um livro de capa a capa por mês (ou por dois meses) também é capaz de ler o texto citado acima e, claro, é capaz de perceber a importância da teoria do comportamento do consumidor como ponto de partida para qualquer mineração de dados afim de gerar estratégias de precificação.

É ou não é um tema fascinante?

Mais raiz unitária

Novamente, vou apenas deixar o link. Quem quiser, pode tentar fazer um exemplo e fazer uma aplicação didática. Ou pode simplesmente ler o ótimo post. Tivesse o dia um pouco mais de horas, faríamos um exemplo em R para os leitores que, obviamente, não são os meus alunos de Econometria, né, Thomaz?

Quer falar seriamente sobre alternativas à teoria econômica atual?

Então comece com esta ótima discussão da Katarina Juselius. Sabe o porquê, já há uns quatro anos, deste ponto não ser divulgado por aí? Porque não é uma abordagem superficial, simplória, do problema de microfundamentação. É algo muito mais sério e potencialmente interessante. A discussão está longe de ser fácil e, sim, exige um pouco de conhecimento de Econometria.

É, eu sei. Você se sentiu excluído. Bateu aquela vontade de comer um chocolate e chorar as mágoas. Não é fácil a passagem da juventude contestadora para a maturidade científica, na qual a evolução se dá lentamente, com ceticismo e trabalho de formiguinha. Eu entendo. Era tudo muito bonito quando você fazia um abaixo-assinado pela “mudança de tudo que está aí” e batia panela na avenida. Pois é. Mas não deixa de ser bom. No final das contas, você viu que o problema é mais sério. Aprendeu algo. Aprender não é brincar e, portanto, não pense que tudo é lúdico na ciência.

Quem foi que disse que é fácil ler artigos da Katarina Juselius? Ninguém. Mas se você quer trabalhar com a fronteira de pesquisas sobre expectativas, então não tem como escapar. Juselius é nome de alto calibre em Econometria e não se pode ignorar o que ela fala assim, de bobo.

Ontem eu falava, aqui, de como os eternos demandantes de pluralismo – a maioria deles, não todos – vivem fugindo da matemática, embora falem de Marx. Pois é. Hoje a gente tem aqui uma proposta sólida de discussão para se revisar a teoria econômica. É por aí mesmo, amigo(a).

Você é um “wingnut”?

Carta507. Assim é o nome do arquivo que o prof. Jorge Vianna Monteiro enviou hoje aos privilegiados membros de sua mailing list. Ok, eu deveria ser mais modesto. Mas a carta de hoje está especialmente interessante. Recomendo fortemente a leitura.

 

Copa do Mundo: a final será entre Argentina e Brasil?

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Aichim Zeileis deve ser o cara que mais contribuiu para o avanço da econometria aplicada na prática. Vários pacotes do R – os mais didáticos, talvez – são de sua autoria.

Mas ele não é só um baita produtor de ferramentas. Ele também tem artigos interessantes como, por exemplo, este, do qual extraí a figura acima. É, eu sei, você se lembrou do filme Moneyball, né? Eu também.

Fica aí a dica.

 

Raiz unitária – dica

Dica simples e importante aqui. Notadamente:

One characteristic of a spurious regression is highly variable regression coefficients as additional data points are added.

Por que? Fácil. A regressão, sendo espúria, deve apresentar uma tendência estocástica em ao menos uma das variáveis envolvidas. Preciso dizer mais?

Quem quiser fazer um exemplo como o do autor é bem-vindo a reportar os resultados por aqui (ou nos comentários). Creio que, agora, o Vitor tem mais um teste para seu problema.

Bons tempos (algo off-topic)

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Pois é. Houve um tempo em que o bairro da Liberdade, em São Paulo, foi um centro de cultura cosmopolita. Digo, ele ainda o é, mas não há nada mais interessante do que o imaginário da minha juventude.

Em minhas memórias, aqueles eram os anos de muito dinamismo. Obviamente, a tecnologia melhorou de lá para cá. Não há como comparar a qualidade das gravações musicais de hoje, por exemplo, ainda que lá impere um comércio, digamos, bem mais informal do que o dos anos 80 (e olha que nossa economia era menos globalizada).

Alguém precisava fazer uma tese sobre a economia daquele bairro. Falar sobre a demografia dos imigrantes, as experiências de indústrias fonográficas de pequeno porte com músicas pouco conhecidas do nosso povo, as importações de fitas K-7, etc. Caso alguém tenha alguma referência, eu agradeço (comentários, por favor).

Caso bem feita, acredito, daria uma ótima tese sobre um pedaço importante de São Paulo. Já falei aqui (já?) do outro livro interessante, sobre os cinemas da Liberdade, que lançaram há algum tempo (caso eu não tenha falado, depois eu falo). Pois é. Bateu um saudosismo. Minha esposa sempre me olha feio quando eu paquero (calma!) aqueles aparelhos que reproduzem discos de vinil e fitas cassete (K-7). Mas tem algo naquilo que me atrai. Devem ser os feromônios da indústria fonográfica…

Esta garotada que acha que tudo é Pikachu ou J-Pop não sabe o que perde ao não ouvir um bom Enka (演歌). Aquilo sim era (e é!) música! Eu até era um sujeito pluralista: se entendia pouco de japonês, nada de coreano ou chinês.

Mesmo assim, como o leitor pode perceber na foto acima (pode?), eu comprava músicas dos três grandes países do sudeste da ásia. Veja por exemplo a capa da fita com o Cho Yong Pil, o coreano com um copo de whiskey na mão: com uma capa desta, não pode ser ruim! O Thomas Kang é quem deve saber disto (da música, não do whiskey).

Por que será que eu insisto nesta grafia britânica se prefiro Jack Daniel’s? Não sei. Deve ser meu DNA azul, oculto entre uma hemoglobina ou outra. Ah, bons tempos…

Momento R do Dia – O que Claudia Leitte, Paris Hilton, Ivete Sangalo e Lady Gaga têm em comum?

Este post sobre o R e o Twitter. Viu só? As pessoas reclamam da internet, mas qualquer um que quiser aprender a analisar dados tem, hoje em dia, muito mais recursos do que em qualquer outra época da história humana.

“Eu vou aprender a estimar modelos no R. Quer aprender também?”

William Easterly – The Tyranny of the Experts


Um pouco de Easterly sobre os problemas do desenvolvimento econômico. Ganhei o livro de presente do Ronald e um dos meus deveres de casa e ler este livro. Está na minha lista de tarefas importantes a serem feitas.

Em breve, em breve.

p.s. Aqui está o link com o restante dos debatedores conversando sobre o tema.

Sobre o Pluralismo – pergunta simples

Introdução à esquerda, sem chopp

Para os que gostam desta discussão esotérica, eis um ponto que sempre ouço: “Ah, mas Marx gostava de Sudoku”. Não é bem assim que falam. É mais como esta longa justificativa do Nemchinov:

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Sim, eu sei. Você está maravilhado e confuso: quão inteligente era este homem, tal de Karl Marx! Sabia de tudo! Um verdadeiro conhecedor de vinhos, mulheres, charutos, história, filosofia, medicina, mecânica, matemática e sociologia!

Mas, ao mesmo tempo, você se depara com uma página inteira de um soviético tentando justificar o porquê de a Matemática ser importante na Economia. Repare que o autor, Nemchinov, não entendeu, realmente, o que seria a Austrian ‘marginal utility’ school. Ele é daqueles que enxergaram dois lados no debate do cálculo econômico no socialismo. Mas podemos dar-lhe um desconto aqui. Afinal, ele estava entrando em luta duríssima. Uma luta que custou ao Nobel de Economia, Kantorovich (que também tem artigo nesta coletânea) o ostracismo na URSS: o uso da matemática em problemas econômicos.

Reparou na ironia? Muitos indivíduos (outra ironia: eu deveria dizer “classe”, ou algo assim, mas vamos lá) que se dizem insatisfeitos com a “teoria econômica dominante”, querem pluralismo. Mas o pluralismo deles, já destaquei aqui, é um pluralismo preguiçoso, que não vê lugar para a álgebra no curso de Ciências Econômicas. Diante da necessidade de entregar uma lista de Cálculo, desprezam até seu patrono, Marx, e comportam-se como tiranetes, mimetizando o cruel Stalin.

A pergunta em si (com consciência de si)

A pergunta simples é: por que ninguém da patota marxista pede mais matemática no curso? Eu nem vou falar de equações diferenciais. Pode ser só somar, multiplicar, dividir, subtrair e, digamos, derivar e integrar. A resposta, eu sei, tem a ver com os incentivos. Indivíduos respondem a incentivos e, se os incentivos lhes mostram que a lista de cálculo é difícil, eles preferem fazer discursos sobre a irrelevância dos indivíduos ante a classe social, xingar os professores de fascismo, questionar a didática (a culpa é da sociedade, não minha, e o professor de Macro/Micro/Econometria/História/Ciência Política/etc é um instrumento da dominação totalitária neoliberal), etc.

Epílogo

Eu não poderia deixar de homenagear meu amigo Adriano Gianturco com seu italiano “favorito”. É, eu tenho alguns livros antigos.

20140525_11381620140525_113827Bonito, heim? Além de ter lido “O Capital”, eu segui o conselho dos meus professores marxistas e desenvolvi um pensamento crítico. Tão crítico que li a crítica de Pareto ao livro. Já se vão lá uns 20 anos, eu sei. Obviamente, eu comecei com a “Crítica à Crítica Crítica a Bruno Bauer e Consortes” do jovem Marx, pois, de maneira crítica, achava meus colegas de Economia muito pouco versados em Marx. Depois, obviamente, continuei minha crítica crítica ao Marx que, a bem da verdade, não usou nem uma linha da tal matemática que – dizem – ele tanto sabia em seus livros.

Bom, não precisava usar soma ou subtração. Bastava usar a mesma hipótese sobre a composição orgânica do capital no livro I e no livro III e teria se safado da maior inconsistência (ou da inconsistência safada?) de sua obra. Quem leu, sabe do que falo.

O custo de oportunidade, claro, é que eu poderia ter estudado mais matemática na graduação. Ironicamente, se meus professores marxistas tivessem lido Nemchinov, Kantorovich, Lange, etc, teriam feito um favor maior ao meu conhecimento. Ou não?

Olha, vou contar um segredo: não acredito muito neste poder do planejamento que os que pedem pluralismo visando transformar a economia em uma singularidade marxista (fazendo os tolos de massa de manbora no caminho mas, que importam as preferências de uns poucos sobre as necessidades de muitos na interpretação dos líderes do movimento revolucionário?) e acho que tudo isto aconteceu por acaso.

Afinal, calhou de eu ler um livro aqui, outro ali, sempre querendo aprender mais. Deu no que deu. Hoje, os pterodoxos da ala marxista me odeiam. Bom, é só mudar de canal. Há uma pluralidade de blogs por aí. O controle social da mídia ainda não prevaleceu e, portanto, há opções. Não gostou? Muda de blog. Ficou nervosinho? Vai pescar. Simples assim.

Inflação estrutural: um conceito em busca de um sentido (mas com muita platéia)

Gustavo Franco, hoje, no Estadão, fala sobre a malandragem conhecida como “inflação estrutural”. Alguém poderia querer levar isto a sério e, para estas pessoas, eu indico sempre o estudo do Fernando Holanda Barbosa: A inflação brasileira no pós-guerra: monetarismo versus estruturalismo, publicado pelo falecido PNPE junto ao IPEA, em 1983. Poucos estruturalistas leram o livro (basta ver que ele nunca é citado nos supostos debates “plurais” promovidos pela patotinha) e há fortes indícios de que isto se deva ao fato de eles acharem econometria um instrumento maligno, de tons neoliberais.

Sobre o texto de Franco, temos esta importante constatação:

O legado mais duradouro e popular da “teoria da inflação estrutural” era tão simples quanto devastador: a (suposta) inutilidade das políticas de estabilização convencionais, argumento que ainda soa como poesia para os amigos da inflação.

Poucos se dão conta da importância e da contundência desse drible dado pelos “estruturalistas”: nunca se fazia uma defesa aberta da inflação, mas um ataque às políticas monetárias ortodoxas e à austeridade. Em retrospecto, deveria ser claro que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” e os “estruturalistas” estavam trabalhando a favor da inflação, às vezes admitindo “expropriar os rentistas” ou “tributar a riqueza ociosa”, um argumento que frequentemente se associava a lord Keynes.

Não há como negar. Alguém que se dê ao trabalho de ler os argumentos verá que a descrição de Franco está correta. Aliás, um estruturalista sincero não negará que sempre foi contra as assim chamadas políticas monetárias ortodoxas. Junte-se a isto o debate sobre a existência da curva de Phillips (salvo engano, nas páginas da PPE, no início da década dos 80), e você tem um caldeirão de idéias nem sempre logicamente conectadas para jogar o combate à inflação no lixo.

Obviamente, a curva de Phillips pode ser bastante instável e tudo o mais, mas não é disso que este pessoal falava. Como o texto acima destaca, a malandragem consiste em dizer algo como: “a curva de Phillips não existe e, além disso, a gente escolhe o eixo horizontal como cavalo de batalha”. Infelizmente, para este pessoal – alguns dos quais chegaram a dizer que a convivência com a inflação já era parte da cultura do brasileiro – o Plano Real veio com medidas convencionais (ou, se preferir, ortodoxas) e mostrou algo óbvio em qualquer ciência: o que os testes empíricos mostraram (e a história, e a teoria, etc) funcionava. A inflação se foi. Nem doeu tanto, doeu?

Momento de alegria: quando os estudos sobre a política monetária se embebedam de Douglass North

Quando a gente, que mexe com Econometria, vê um texto do Charles Plosser citando Douglass North, não tem como não ficar feliz, né? Mas já tomei minha cerveja hoje, em comemoração ao meu 43o artigo publicado. Agora é hora de comemorar, mas com saúde.

Diz Plosser:

Douglass C. North, co-winner of the 1993 Nobel Prize in Economics, argued that institutions were deliberately devised to constrain interactions among parties—both public and private (North1991).

(…)

Central banks have been around for a long time, but they have clearly evolved as economies and governments have changed. Most countries today operate under a fiat money regime, in which a nation’s currency has value because the government says it does. Central banks usually are given the responsibility to protect and preserve the value or purchasing power of the currency.

Mas, espera aí, não é o mesmo Plosser que nos trouxe para o mundo dos ciclos econômicos reais? Exatamente. Vejam como são as coisas. Como eu disse mais cedo, aqui, não tenho problema nenhum em ler um artigo do Plosser sobre ciclos reais (bom, tenho problema com a matemática, que é complicada e me toma tempo porque sou bem burrinho, como sabem meus amigos mais próximos), mas não tenho preconceitos. Afinal, se você é um economista, pensa a Ciência Econômica como algo parecido com a Medicina: sempre em evolução, nunca com as respostas prontas.

Aceitamos, como já falei aqui hoje, o “pluralismo”, mas sempre com seriedade. Não vale a palhaçada que se vende por aí como “pluralismo” (veja meu post anterior, no qual faço um exercício simples de retórica política).

Plosser cita instituições e fala sobre Banco Central. Nada mais óbvio. Ele pode até estar errado aqui ou ali. Você pode até não concordar com ele. Mas repare que a trajetória intelectual do autor nos sinaliza para a importância de estudarmos a política monetária de forma mais, digamos, microfundamentada. Ronald Hillbrecht fala isso na minha cabeça há anos. Por conta dele, estudei o livro do Allan Drazen no doutorado. Não me arrependo.

Pronto. Eis aí meu exemplo de como o mainline é muito mais sofisticado do que dizem seus detratores ou os que ignoram a literatura. Você pode falar de ciclos reais, fazer uns testes de raiz unitária, aplicar um DOLS a uma matriz de séries de tempo e falar da evolução institucional na Grécia antiga (ou na Grécia atual, como nos lembra Mundell, lá, nos anos 90, quando, em um pequeno artigo, já falava do probleja fiscal do país…). Isso é ser economista.

Como diria o pastor: regozijai-vos, manés que me seguiram até aqui!

Dicas do dia (Momento Cato)

1. A palestra do William Easterly no Cato está aqui.

2. O último número do Cato Journal tem Charles Plosser no artigo de abertura e Scott Sumner fala sobre a meta do PIB nominal em outro artigo.

3. Nazistas fizeram um favor ao mundo livre (assim como o governo venezuelano, o brasileiro e o argentino estão fazendo, ao piorar as condições de vida em seus países, estimulando a emigração).

Como pedir pelo pluralismo de forma desonesta

Basta seguir o pequeno opúsculo de Jean-Marie Domenach, A Propaganda Política (coleção Saber), de 1963, publicado pela Difusão Européia do Livro, em São Paulo. Quem seria melhor que um francês para falar do tema?

Em seu capítulo V, Leis e técnicas, temos as cinco leis importantes (e a técnica, na verdade, resume-se à contrapropaganda), que podemos adaptar para um pedido de pluralismo na Ciência Econômica. Antes de prosseguirsmos, note que não estou acusando os honestos de não o serem (para um bom debate sobre o tema, ver isto e isto). Meu alvo são os pterodoxos, aqueles que desejam impor suas agendas sob o manto de um vago “pluralismo” que, de tão vago, é capaz de desaparecer à primeira brisa.

Lei de simplificação e do inimigo único

Não há novo-keynesianos, novo-clássicos, monetaristas, etc. Não. Só há um inimigo: o neoclássico. Neoclássico é o sujeito malvado. Se professor, então é o que mais reprova porque pede mais do que contas: quer explicações de procedimentos algébricos. E fala de preços flexíveis no longo prazo. Veja, se ele falar de retornos de escala crescentes, ele será neoclássico se usar o conceito algebricamente. Caso contrário, pode ser um dos nossos.

Lei de ampliação e desfiguração

Não há uma planilha errada no trabalho de Reinhardt e Rogoff. Não senhor! Há uma clara manipulação para denegrir a ação dos bons burocratas! Aliás, quem financia estes autores? Há interesses maiores! Não são estes dois parte da aliança neoclássica com o complexo militar industrial estadunidense para derrubar Obama e impor a ordem mundial capitalista?

Ah, sim, tem uns errinhos no livro do Piketty, mas nada demais.

Lei de orquestração

Falar mal dos neoclássicos (já juntamos Keynes e Friedman no mesmo saco) é fácil…mas é monótono. Temos que variar. Então, estamos todos juntos contra o equilíbrio econômico, a matemática, a falta de “social” e o excesso de “números” (menos os do Piketty, claro). Somos contra o ensino de teorias com pouca prática e somos contra a prática das consultorias de estudantes porque…são capitalistas. Somos contra os retornos decrescentes de escala ou contra as vantagens comparativas. Pronto, já ficou divertido.

Lei de transfusão

20140524_114226Todo jovem é jovem porque…é do contra. Tem algo aí nos hormônios dos moleques que os faz assim…jovens. Pois bem. Vamos misturar o “sangue jovem” com a “mudança” necessária da Economia. Somos contra a microeconomia porque ela não é jovem o suficiente para a sociedade moderna! O edifício (note a idéia de perene e eterna existência associada à palavra) neoclássico precisa ser derrubado e substituído. É dos jovens mudar, é dos velhos e carcomidos resistir.

Lei de unanimidade e de contágio

Desde que a sociologia existe, tem-se focalizado a pressão do grupo sôbre a opinião individual e os múltiplos conformismos que surgem nas sociedades (cito Domenach no original, p.70).

Sendo assim, temos que tornar meu desejo de mudança em um desejo de todos por mudança. Não sou eu que não dou conta do exercício de maximização condicionada! Não, meus caros! É a sociedade que deseja uma nova maneira de pensar economia! Uma maneira mais livre, social, ecologicamente correta! Há unanimidade quanto à mudança! Só você, com seus velhos hábitos (ruins) arraigados é contra o pluralismo!

Não há melhor forma de expressar esta lei do que por meio de um manifesto, com muitas e muitas assinaturas.

Conclusão

Pois é. O que mais me incomoda é a falta de pluralismo na sociologia. Sério, gente. Eu já vi muitos cursos de sociologia de alta qualidade lá fora. Muito mais diversidade (= pluralismo) de autores nas ementas. Não só os mesmos de sempre. Não há apenas a visão marxista do mundo. No entanto, os cursos de sociologia recusam o pluralismo. É uma pena. Há um grande anseio por mudanças por parte da sociedade. O que os sociólogos têm feito com nosso dinheiro? O que ajudam a explicar, de fato?

Ah, sim, desculpem-me amigos sociólogos (sic). Eu falava de Economia. Pois é. Mas basta trocar as palavras aí e já estamos todos em paz novamente. Como sempre estivemos: paz beligerante.

Nicholai Deodoro da Fonseca? Nicholai Vargas? Por que(,) Nicholai??

Prezado ex-presidente, Nicholai ______ (preencha)

O controle social da mídia é um sonho de dez entre cada dez militantes de esquerda que, sisudos como eles só porque, dizem, lutam contra a exploração que é, sim, um problema sério, não têm tempo para uma piadinha. Simples assim.

Mas aí a gente lê que a senhor Doina, na Romênia – exemplo de socialismo esquecido pelos supostos professores de História do ensino médio por algum motivo que bem pode ter a ver com doenças mentais…ou não – tinha um emprego difícil lá naquele país de língua latina (isso mesmo!). Por que?

Como revisora, sua função, quase um desafio, era verificar se os nomes de Nicolae Ceausescu e sua mulher Elena estavam grafados corretamente cada uma das 30 e tantas vezes que eram mencionados na gazeta diária (40 vezes quando ocorriam as conferências do Partido, lembrou ela). Não era uma questão sem importância. Para azar de Ceausescu, seu primeiro nome podia, com uma ligeira alteração – para “Nicholai” -, significar “pênis pequeno” em romeno. “Esse erro podia dar cadeia”. (Lewis, Ben. Foi-se o Martelo, Editora Record, Rio de Janeiro, 2014, p21)

“Que é que cê tá olhando? Faz seu xixi aí e não me espia, boiolão!”

Claro, como sou um sujeito politicamente correto, não vejo motivo para tanto. Afinal, ditadores também podem ser portadores de necessidades especiais de extensão peniana (como mostram aqueles spams que chegam para a gente de vez em quando). Qual o problema? Não é o tamanho do pênis do ditador que importa, mas sim o sofrimento, a fome, a tortura e o controle social da mídia que ele proporciona, ora bolas!

Do humor sob o controle “social”

O caso do ex-ditador romeno é apenas um dentre tantos que sobreviveram anos e anos por conta de seu aparato de repressão. O humor, no final do dia, pode ser pensado como uma última saída para a sanidade ou como uma arma de resistência contra a repressão das liberdades.

Meu humor de mau humor (ou não?)

Mas a maior ironia mesmo, na minha opinião, está com o povo mais alegre e feliz do mundo: o povo brasileiro. A patota se auto-denomina “calorosa”, “amorosa”, “amistosa” e tudo o mais. Ao mesmo tempo, adora se sentir parte da esquerda norte-americana, adotando modismos como o politicamente correto, o excesso do uso do termo “social” em qualquer conversa (não demorará para inventarem o hot dog social) e, claro, o sentimento anti-americano, que, de tão vago, é, ao mesmo tempo, anti-liberal e anti-militar.

Por que é que a ironia está conosco? Bem, tivemos um ditador, Getúlio Vargas. Um sujeito que prendeu e torturou como todo bom ditador e o povo insiste em colocar seu nome em avenidas, praças, ruas, fundações, como se herói brasileiro ele fosse. É aquela mentalidade do “mata mas faz”. Acho que não existe brasileiro mais idolatrado do que este. Nem Carlos Chagas, que deveria, este sim, ter seu nome em muito mais ruas e avenidas (ou Machado de Assis, ou Euclides da Cunha, etc) tiveram tanto sucesso com o povo que pouco lê, mas marcha bem, seja com o uniforme vermelho ou o verde.

Aliás, esta é outra ironia histórica: a luta do militante contra os fatos (se preciso for, ele acusa o juiz Joaquim Barbosa de ser negro, no mais límpido dos racismos que diz combater…). Por exemplo, como já destacou Alain Besançon (em seu A Infelicidade do Século), não há porque distinguir a violência socialista da sua irmã, a nacional-socialista. Claro, você pode achar uma piada este papo de intelectuais. Então, deixemos que o cidadão comum se expresse.

Naquele inverno de 1939, um surrado recorte do Pravda chegou a um campo de prisioneiros políticos na região de Kolima, no extremo oriente da URSS trazendo a notícia sobre o pacto e uma grande foto do chanceler soviético Molotov ao lado do colega alemão, von Ribbentrop. Uma das prisioneiras russas não se espantou: “Um retrato de família encantador”, comentou. Para elas, a surpresa não foi tão grande, pois haviam sido instruídas a respeito graças à experiência de companheiras comunistas alemãs aprisionadas no mesmo campo, em que sentiram na pele as afinidades que aproximavam os dois regimes. “Isso é da Gestapo”, disse uma delas, mostrando as cicatrizes profundas que desfiguravam suas pernas e suas nádegas. “E isso”, continuou, “é da NKVD”, exibindo as unhas deformadas em ambas as mãos, nas extremidades de dedos azulados e inchados”. (Figueiredo, Cláudio. Entre sem bater – a vida de de Apparício Torelly, o Barão de Itararé, Casa da Palavra, 2012, p.300)

Não deu para rir muito, né? Ou riu sem dar? Não, é triste demais para fazer piada, eu sei. Mas é a ironia da história da qual eu falava ali no alto. Digo mais: Vargas e outros ditadores são realmente bons motivos de piada, como nos fizeram ver o pessoal do antigo Pasquim. É surpreendente que brasileiros não façam tanta piada com ele.

Aliás, brasileiros são um tanto quanto estranhos no que diz respeito às piadas. Eles são capazes de fazerem protestos contra o desenho The Simpsons quando o mesmo faz piada com o Brasil, mas acham muito feio fazer piada com presidentes de esquerda.

É ou não é de rir? O povo que levou mais de 500 anos para ter o direito de escrever biografias não-autorizadas é o mesmo que se acha muito engraçado. Tudo ofende o mameluco-caboclo que está deitado em berço esplêndido.

Ele ri do argentino e de sua arrogância, mas arroga-se o direito de decidir o que é engraçado ou não por meios legais. Biografia não-autorizada? Só pode ser crime! O indivíduo não tem capacidade de julgar o que é ou não engraçado! Que Nicholai Vargas decida por ele. Ei, eu disse Nicholai Vargas? Desculpem-me. Eu queria dizer apenas Nicholai.

Fechando o bar

Para encerrar…bom, não acho que assunto se encerre assim, facilmente. Quando se fala em controle social de alguma coisa, até uma piada pode ser pensada como um perigo porque ofende a minoria dos humoristas gaúchos que militam na esquerda e tocam saxofone. Ou ofendem a minoria de empresários branco-descendentes que ganham favores do governo e não produziram o que prometeram. Ou, sei lá, ofendem as dondocas da Matilde. Vai saber. No final, eu acho é que são todos uns recalcados e, com sua estatura, creio que precisarão de subir nos ombros uns dos outros ao menos um milhão de vezes para que possam enxergar as vielas das ruas de Mariana. Ou de Ouro Preto.

Padrão-ouro e cliometria

Padrão-ouro? Eis o resumo do artigo:

Esta nota objetiva investigar, econometricamente, os determinantes da adoção do padrão-ouro por parte do Brasil. A literatura destaca a importância dos preços das commodities (café e borracha), dos problemas inflacionários, da credibilidade inerente ao padrão-ouro, das crises econômicas (choques externos) e internas na decisão de um governo permanecer (ou aderir ao padrão) ou abandonar o padrão-ouro. Os coeficientes estimados apresentaram os sinais esperados, com destaque para a credibilidade e a inflação, mas oposto ao esperado para o coeficiente da dummy de choques externos. Apresenta-se também uma discussão sobre o impacto marginal de cada variável ao longo dos anos da amostra.

Para ler mais, basta clicar aqui. Foi um trabalho conjunto com Clarice Sollero Lemos e Ari Francisco de Araujo Jr. Hoje vai ter cerveja para comemorar mais uma publicação.

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A rotatividade no Copom importa?

É o que encontram os autores do artigo cujo resumo se encontra reproduzido abaixo.

A política de metas de inflação tem sido implementada em vários países para atingir estabilidade de preços. No entanto, a literatura aponta que a rotatividade dos dirigentes do Banco Central interfere nas decisões sobre as metas e seus vieses. Assim, este trabalho estima o efeito da rotatividade dos diretores do Comitê de Política Monetária (COPOM) sobre a determinação da taxa de juros, utilizada como instrumento para atingir as metas de inflação no Brasil, com dados mensais de 2001 a 2008. Então, um modelo de vetores auto-regressivos estruturais (SVAR) é estimado para a economia brasileira. Além disso, a análise empírica inclui testes exogeneidade em bloco, funções impulso-resposta e decomposic¸ão da variância. Os resultados indicam significância para a variável rotatividade dos diretores no longo prazo que leva os agentes a aumentarem suas expectativas de aumento da taxa de inflacão demandando aumentosmaiores da taxa de juros da economia.Esta quebra de credibilidade da politica monetária devida ao aumento das mudancas na diretoria do COPOM leva a aumentos maiores no longo prazo da taxa de juros a serem pagas nos títulos do tesouro. Em resumo, causa um aumento no custo social da economia.

Bom, se a credibilidade do Banco Central pode sofrer variações com a rotatividade dos diretores do Copom, isso significa que não devemos trocar os diretores? Claro que não! Imagine a loucura que seria deixar um diretor incompetente lá. O ponto dos autores não é este. Eu diria, até, que a troca de um diretor incompetente por um competente deve até trazer um benefício marginal maior do que o custo marginal da rotatividade, em termos sociais.

É sempre interessante ver como os estudos acerca da política monetária ficaram muito mais interessantes com o passar dos anos.

Momento R do Dia – filtro HP

It appears to me that there are two reasons, beyond the fact cited above that standard models are not crafted to match low- and business cycle–frequencies simultaneously, for the persistence of detrending and differencing adhockery. One is the use of the HP filter in the early RBC literature and the strong tendency in the economics literature for the methodology of widely read papers to be imitated uncritically.(Christopher Sims, 2005)

Começamos nosso momento R de hoje com um alerta sobre o uso indiscriminado da ferramenta que vamos ensinar a usar a seguir: o filtro Hodrick-Prescott, popularmente conhecido como filtro HP.

Nove entre cada dez alunos adora usar este filtro porque ele é facilmente encontrável nos pacotes econométricos. Além disso, entender como ele é construído não é exatamente o tópico mais difícil em Econometria. Então, antes de mais nada, é uma ferramenta útil, mas não se deve entendê-la como definitiva quando o assunto são séries de tempo.

Uma vez que já fizemos o alerta, vamos ver como o filtro funciona em uma série mensal como a a PIM-PF do IBGE. Após importar os dados para o R, apliquei uma transformação logaritmica e a nova série foi chamada de lprod.

A literatura sugere que, para dados mensais, seja usada 14400 para λ (ver este exemplo ou este outro). Assim, temos o seguinte, em termos de comandos:

library(mFilter)
lprod_hp<-hpfilter(lprod,freq=14400,type=c("lambda"),drift=FALSE)
plot(lprod_hp)
show(lprod_hp)

O resultado está aqui.

hp_prod

 

Bom, mas não se esqueça do alerta do Sims sobre o filtro HP.