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As dificuldades de sair da deflação e o peculiar “custo de menu” japonês

Interessante texto do Yen for Living, acerca do problema de se aumentar preços na economia japonesa. O brasileiro médio está acostumado a não saber quanto paga de imposto (e, curiosamente, também está acostumado a não reclamar com o governo, embora fique como uma criança se remoendo em casa todo amuadinho quando o leão lhe bate à porta…) e pode não entender bem o problema. Afinal, o Brasil ainda tem uma outra diferença com relação ao Japão neste aspecto: nós precisamos sair da inflação fora da meta (mais alta, no caso) e eles aumentaram a meta.

Mas veja que interessante:

The media is reporting that some retailers are taking advantage of the tax hike to carry out price-gouging (binjo neage), but it’s often difficult for the consumer to tell because there is no regulation at the moment that says what retailers have to indicate on price tags and advertisements. That’s because the 3 percent tax hike may be followed in October 2015 by another 2 percentage point increase, thus making the consumption tax 10 percent, so it was thought that it would be too much of a burden on retailers to force them to follow one pricing indication system right away. However, in April 2017 they will all have to indicate prices as totals that include the tax.

O problema não é tanto o aumento do imposto, mas a diversidade na forma de se comunicá-lo. Claro, entra o empreendedorismo até na hora de mostrar este problema (invertido) de custo de menu:

As for indication, most of the stores we visited showed the zeikomi somewhere on the price tags, but enough went the hontai-only or hontai-prominent route to make comparative shopping more of a chore. One particular supermarket, the relatively upscale Yaoko, implemented a novel system. Yaoko indicates the hontai in large print, with the zeikomi in smaller print and in parentheses, complete with decimal point, meaning that the price with tax has been calculated to the hundredth of a yen. Normally, retailers round the fraction down to the nearest ¥1 (unless you sell your wares or services through vending machines, which round the amount up or down to the nearest ¥10), but Yaoko calculates the final price as the total of all the items you purchase at one time.

O autor fala de zeikomi, o que significa o preço já com o imposto incluso e hontai, que é o preço livre de imposto. Interessante? Bem…

In a sense, this may sound more rational than rounding every price up or down on the price tag itself, but when we looked at our Yaoko receipt afterward we discovered that the fraction remaining after the items were totaled was then rounded up to the next yen. It doesn’t sound like much for one customer, but we’re talking thousands of customers a day. It isn’t price-gouging, but it’s definitely something.

Geralmente falamos de custos de cardápio (ou de menu) para falar de rigidez de preços em cursos de Macroeconomia. Lá, a idéia é a de que há custos em se mudar o cardápio e, portanto, preços demorariam a se ajustar a choques monetários.

Mas o cardápio aqui é um pouco diferente. Há um aumento de imposto e uma diversidade de formas de se comunicá-lo às pessoas com espaço para arredondamentos, digamos, distintos (e para o alto, claro). Aparentemente, os menus não estão gerando rigidez alguma, senão o contrário. ^_^

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Epidemiologia em R? – Momento R do Dia

Vejam que grande bem público:

In this fourth post on Measles data I want to have a look at correlation between states. As described before, the data is from Project Tycho, which contains data from all weekly notifiable disease reports for the United States dating back to 1888. These data are freely available to anybody interested.

Sensacional, não? Agora, se você acha que aprender o R não tem nada a ver com a área da saúde, você se enganou redondamente. Veja que belo trabalho o autor faz – simples até, apenas descritivo – com esta base de dados.

Existem ciclos? A figura abaixo é do link do post citado. Veja por você mesmo.

Eu sei, eu sei, você ficou curioso. Eu também. Por isto, coloco aqui a página do projeto. Honestamente? Um projeto como este é algo que vale o meu imposto, não estas palhaçadas que temos visto (pesquisas populistas e erradas sobre mulheres e suposto machismo, interferência política no cálculo da PNAD, etc).

Pode falar mal do Obama e do governo norte-americano, mas a estrutura científica do país ainda é a melhor do mundo e, claro, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra. Não há porque confundir o governo de um país com a sociedade do mesmo, como qualquer estudante de Public Choice sabe.