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O gosto pela estética

Nunca foi meu forte admirar a estética até o dia em que uma professora particular de Física (sim, sempre fui péssimo em Mecânica, embora me saísse bem em Ótica, Harmônicos e demais) me repreendeu por ter um caderno desorganizado. Eu já tinha lá meus 14 ou 15 anos quando levei esta bronca. Nunca me esqueci.

No meu tempo, os pais acreditavam que havia algo de importante a ser aprendido pelos filhos e se ocupavam de lutar para que pudéssemos comer e beber em uma época de inflação destas que as manteguetes adoram. Lembro-me bem do dia: ouvi a bronca, botei a mão na consciência e pensei: mesmo que eu tenha uma letra horrível e esteja errado, vou tentar me organizar melhor.

Dali para frente eu percebi a importância de se apresentar um trabalho com um mínimo de estética. É estranho, claro, quando vejo aluno que, supostamente, diz-se universitário, insistir que pode entregar um relatório em um papel de rascunho que mais parece uma daquelas folhas com as quais se embrulham peixes nos mecados. Como pode alguém que faz isto dizer que está, realmente, preocupado, em entregar algo que possa ser lido, entendido e avaliado?

Pois é. Pelo menos eu tinha uma redação boa e conseguia me comunicar por escrito com as pessoas. Tínhamos menos analfabetos funcionais no país pelo simples fato de que o ensino era mais elitizado e analfabeto não entrava na escola. Hoje, com a democratização do ensino, o problema é gritante, mas ainda não há solução à vista, como percebemos nas sucessivas edições do PISA.

Aí é que entra a foto abaixo. Se há algo marcante nas mudanças tecnológicas dos últimos 20 anos, este é o aspecto visual. Há até um certo exagero, com gente querendo te vender um quadro lindo, mas vazio de conteúdo, mas o fato é que ficou mais barato fazer gráficos mais caprichados, que não apenas informam, como são agradáveis de se ler.

Querendo ou não, entramos em um mundo no qual uma das habilidades que precisamos ter é a de fazer gráficos visualmente atrativos. Economistas, em geral, não entendem bem disto e confundem a palhaçada de alguns com um belo gráfico. Mas isto está, gradativamente mudando, como o sabem os que trabalham em consultorias, por exemplo.

O gosto pela estética não é mais apenas uma questão idiossincrática. Trata-se de uma habilidade (skill) diferenciadora no mercado de trabalho. Além do mais, convenhamos, um gráfico informativo e visualmente atrativo não é uma agressão à humanidade, é?

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“Eu não queria aprender a fazer gráficos mais bonitos, mas o ganho marginal…”

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