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Liberdade de imprensa não se coloca atrás da porta dos fundos

É realmente um tema importante, não é? A tal liberdade de imprensa. Já passei raiva demais explicando o óbvio para alguns. Já tive bons momentos debatendo o não-óbvio com outros. Entretanto, não dá mesmo para aturar a falta de argumentos de algumas pessoas. Acho que o Felipe Moura sente o mesmo.

Ah, mas o Felipe cita um filósofo que não curto

Veja bem, leitor, não sou olavete, mas nem por isso acho que leitores de Olavo não possam citá-lo e, obviamente, se o Felipe está na Veja e cita o Olavo isto não o torna um cidadão de segunda categoria. Caso ele degolasse alguém, poderiámos discutir. Mas ter opiniões diferentes faz parte do jogo democrático. O ponto importante é a coerência da argumentação e, sim, há uns valores morais importantes como a tolerância com as opiniões distintas (e é por isto que admiro a democracia norte-americana que permite praticamente todas as manifestações ideológicas, desde que não haja agressão física).

Caso você julgue pessoas por parte do que ele fala ou porque ele está à direita ou à esquerda de alguém, então você não deveria estar lendo este texto, ok? Pré-conceitos devem ser substituídos pelos conceitos, em um processo natural de evolução, imagino eu. Não sou perfeito, mas não pretendo piorar.

O último que sair apague a luz dos fundos

Liberdade de expressão, meu caro humorista, é importante demais para ser tratada como se fosse uma porta dos fundos de algum barraco. Estou aqui educando, corrigindo provas, falando de esforço individual, participando de grupos de estudos, debatendo, ensinando, aprendendo para que o Brasil não tenha pessoas que achem que a melhor argumentação possível é uma frase no twitter. Eu ganho inimigos que não assumem que suas notas ruins são fruto de suas escolhas e você pode ignorar os comentários de que não gosta, não é? Isso quando não faz um “Portaria” como os primeiros, nos quais a gente quase sentia a vontade que você tinha de mandar algumas pessoas para aquele famoso lugar. É, é bom ser famoso e poder mandar as pessoas para aquele lugar, eu imagino.

Ensinando o óbvio para os que não toleram aprender: pão e circo

Vamos usar a divisão do trabalho, tão bem descrita por Adam Smith? Eu, que já estudei instituições, falo da liberdade de expressão e do desenvolvimento econômico. Você, que sabe fazer boas piadas, dá circo para as pessoas, ok? Mas não fique aí pedindo que pessoas não possam trabalhar para colocar pão na mesa porque você, que defende a liberdade de fazer piadas com cristãos (eu não tenho problemas com isto, ok?), acha que a intolerância só vale para alguns. Lembre-se: pão e circo. Cuide das palhaçadas que nós cuidamos do nosso pão.

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