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Momento R do Dia – preliminar

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Ok, gostaram, né? É, deu trabalho. Mas os dados são do IBGE. Os gráficos? Isto fica para depois. Mas o estilo XKCD é inconfundivel, não?

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Foi uma honra: eu vi um super-herói ao vivo!

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Um verdadeiro herói: Celton (usando a identidade secreta de Lacarmélio, à esquerda). À direita, o cara que sonhou ser o Celton um dia.

Com vocês, Celton!

Na minha adolescência,  lendo revistas em quadrinhos,  sempre ia ao centro da cidade procurar pelos meus heróis. A viagem de ônibus era um relaxamento para mim,  numa época em esta cidade era bem menos violenta.  Os melhores dias eram os sábados. Era nestas manhãs que eu ia até a finada (?) Agência Riccio em busca de novas aventuras. Não preciso lembrar ao leitor que um dos principais vilões daquela época era a inflação (veja o vídeo abaixo, caso se interesse por 20 minutos de conversa sobre o tema).

Acho que foi pela janela do ônibus que, em alguma manhã de sábado, comecei a reparar nas pichações em muros dizendo: “leia Celton”. É,  leitor,  houve um tempo em que pichações nos pediam para ler algo. Hoje, as pichações não pedem para ler muita coisa (e há algumas que não lembram, nem de longe, algo legível…). Lembro-me de ter ficado intrigado: quem seria o tal Celton?  Não sei como, um dia encontrei a revista numa banca de jornais. Claro que eu a comprei e, claro, também continuei comprando sempre que ela aparecia nas bancas.

Um empreendedor que merecia mais divulgação

O autor, o Lacarmélio, deveria ter sua casa tombada e deveria ser alvo de visitas turísticas porque é praticamente o self-made man desta cidade. Na minha opinião, o poder público divulga pouco o Lacarmélio. Fala-se muito em empreendedorismo por aqui nesta cidade e alguns supostos economistas adoram encher a boca para falar de inovação, e outros termos “cool” para a galera chique. Mas empreendedorismo bom mesmo está lá, no trabalho duro do dia-a-dia de gente como ele.

Algumas vezes já tive a oportunidade de comprar revistas com ele, nos sinais de trânsito. Claro, sempre digo a ele a verdade: que comprava as revistas dele das épocas dos muros pichados (nunca achei uma foto da época, mas quem viveu nesta cidade nos anos 80 sabe do que falo…). É sempre legal vê-lo ali, empreendendo, relançando grandes sucessos como o famoso duelo da sogra contra o capeta ou empenhado em lançar novas histórias.

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Há quem não goste das histórias do Lacarmélio e é verdade que não há uma grande saga intergaláctica ou um universo próprio nas histórias de Celton que, aliás, nem é mais o carro-chefe das revistas esporádicas do autor. Mas o bacana é que ele está sempre, aleatoriamente, em algum sinal de trânsito, em algum dia da semana, com alguma revista diferente. O que eu apenas imaginava com respeito aos meus super-heróis – conhecer o desenhista ou o roteirista – é um acontecimento que esporadicamente ocorre comigo ou com outras pessoas, fãs de quadrinhos na cidade.

O que uma criança grande gostaria de ver lá nas revistas? O bom e velho Celton!

Pois é, Celton (ou Lacarmélio), eu sinto mesmo falta é do personagem Celton nas histórias. É bacana ver as pesquisas sobre história da cidade ou de pontos turísticos. Mas o início, aquele super-herói que não usava uniforme, que parecia um vizinho ou um colega de escola, mas com super-força e um forte senso de justiça, o Celton, merecia voltar como carro-chefe de suas revistas. Mas eu sou só um leitor mais velho que talvez sinta muita nostalgia de um tempo em que esta cidade era mais tranquila…

p.s. o blog do Lacarmélio parece estar desativado, mas aqui está (ou o Lacarmélio é um esquizofrênico criador de blogs, como se vê aqui ^_ ^)

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E o Procon se preocupa com o ovo…

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Pois é. A notícia completa está aqui e ela assusta. Vejamos: (a) o consumidor tem tantos direitos no Brasil que ele precisa guardar recibos de compras por cinco anos porque alguém, que não tem nada a ver com a sua vida, pode pedi-los; (b) a Receita pode errar e azar o seu, (c) alguém, com poderes divinos, calculou que US$ 50.01 é um valor que merece punição divina estatal.

Enquanto o Procon se preocupa com ovos…

Vamos conversar, Procons, vocês adoram dizer que vivem em função do consumidor, mas, digam-me aqui: quando a Receita erra, ela tem que agendar um encontro com o consumidor? Ela se sujeita aos mesmos trâmites legais a que sujeita os consumidores?

Realmente a manutenção do valor de US$ 50.01 para tributar algum importador de bens de consumo há anos faz sentido, senhores defensores dos direitos dos consumidores? Qual a metodologia de cálculo? Tantas multas são reajustadas, tantos impostos o são, mas este valor permanece fixo há anos. Fosse a realidade tão estável, a Receita não precisaria se preparar para sua super-estrutura de fiscalização citada na notícia. Veja um trecho:

O País tem recebido perto de 1,7 milhão de pacotes a cada mês, quando no início de 2013 o volume era da ordem de 1,2 milhão. No ano passado, foram 18,8 milhões no total, segundo dados da Receita Federal.
A maior parte dessa farra de consumo tem chegado ao comprador sem a cobrança de tributos, mas isso está prestes a mudar. Um sistema que está sendo montado em parceria com os Correios e a Receita vai automatizar a fiscalização, que hoje é feita por amostragem.

Bonito, né? Com tanto esmero, estranha-me que ainda exista corrupção no governo. Ops, espere, o governo diz que não há corrupção. Tá tudo lindo. Ah….

Honestamente, o CADE não se preocupa com a união do monopolista chamado “Correios” com o governo para fins de aumento de margem de receita? Sério que uma união de “gigantes” monopolistas só é um problema no caso do setor privado, mas não no caso do governo?

A farra do jornalismo econômico

A jornalista chama a demanda de importações de farra de consumo. Eu poderia chamar o déficit público do governo de farra de gastos públicos? E o que seria uma invasão ilegal de terras sem punição por parte de grupos de interesse que não se legalizam para poderem continuar invandindo com risco mínimo de responsabilização legal? Uma farra de invasões? E aqueles industriais que importam máquinas para renovar o parque industrial? Praticam farra de desindustrialização (mesmo quando não existe o similar nacional)?

Existe uma estranha suposição moralista na expressão (e talvez a jornalista nem tenha tido esta intenção, mas assim soou…). É como se a importação estivesse em um nível moralmente condenável: virou farra mesmo, coisa de adolescente irresponsável. Será que é assim mesmo? A jornalista não deve acreditar que seus gastos no restaurante no final de semana são uma farra gastronômica, imagino eu.

Será que não existe uma farra arrecadatória com a Receita se aproveitando para tributar só porque precisa manter seu corpo de funcionários, mais os outros de outros ministérios, etc? Podemos falar em uma farra com o dinheiro público arrecadado sempre que houver oportunidade, ainda que não haja mais justificativa econômica?

Então, é mais ou menos isto: os jornalistas usam expressões moralistas para falar de importações e os supostos defensores dos consumidores na verdade os ofendem, chamando-os de idiotas que não sabem comprar e precisam ser tutelados por, adivinhem, pessoas que conseguiram romper o ciclo da ignorância de forma pretenciosamente mágica.

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“Nada de importação para você, seu pobre recém-entrado na classe média! Fique no seu lugar de analfabeto funcional que precisamos arrecadar, imbecil!”

Lembra da minha campanha dos bookholders para todos?

Bom, outubro está chegando. Será que, com ele, teremos novas equipes econômicas que tenham algo a dizer sobre estes aspectos da vida dos cidadãos?

Sério mesmo que você, jornalista, você, do Procon, você, da Receita e vocês, leitores, acham que devemos mesmo tributar bookholders para privar os pobres do acesso ao mesmo? Realmente querem uma massa de cidadãos analfabetos que vão mal no PISA porque não estudam direito? Não digam que não, porque estão fazendo tudo para impedi-los de exercitarem seu potencial de consumidores e, não, sociólogos de porta de cadeia, consumir é uma forma de se libertar dos grilhões da ignorância sim. Ou vocês são contra o Bolsa-Família?

Abertura econômica? Para quem? A barreira dos US$ 50.01

Caso você ainda ache que importar é uma questão de “farra”, faça seu dever de casa e leia um pouco antes. Leia sobre a relação entre abertura econômica e prosperidade, por exemplo. Faça uma farra intelectual (e veja a qualidade das evidências de todos os autores envolvidos no debate).

Na história, como sabemos, a liberdade – inclusive a econômica – não evolui linearmente. Há retrocessos, há governos tributando para matar e, claro, existem os intelectuais, que sobrevivem de críticas e elogios aos poderosos, como aprendemos, por exemplo, aqui.

E aí? Vamos nos unir para amarrar os farreadores das importações nos postes?

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Otimismo? Abenomics novamente

Na última edição do índice de condições da atividade econômica, a tendência de alta prossegue, mas com uma pequena queda em Fevereiro (o índice caiu de 115.2 para 113.4). Observando o indicador desde 2012, há momentos de queda, mas a tendência de crescimento observada no final daquele ano parece robusta. Veja a série no horizonte mais recente, conforme divulgação recente. Na série histórica do índice – você a encontra lá, no mesmo endereço – temos: abeonomics_07_04 A grande queda recente tem início em Out/2008. Aparentemente, a política econômica atual parece ter um mérito que é o de gerar uma recuperação bem acelerada da atividade econômica. Claro, isto é o que parece à primeira vista, neste indicador. É preciso analisar outras variáveis para controlar por diversas influências. Como já disse anteriormente, há que se diferenciar também entre a recuperação econômica pós-tsunami e a política econômica atual.

Adicionalmente, confira também este paper do prof. Ueda sobre a política monetária do BOJ e seu papel no comportamento da bolsa japonesa em 2013..