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Medicina preventiva = economia?

Sim. Veja o caso do Japão, por exemplo.

 The city of Amagasaki did a study from 2008 to 2011 that found during these four years the average amount of money spent by the health insurance system on a resident who had undergone the checkups “and received medical advice” — about 65,000 people — was ¥990,000 less than the money spent on a resident who didn’t receive the checkup. However, Kure, in Hiroshima Prefecture, managed to decrease its outlays for medical care by ¥160 million in 2011-12 by eliminating “unnecessary” examinations, meaning they actively discourage residents from seeing a doctor for routine matters, and didn’t promote the special checkups, either. 

 

Neste sentido, empresas de seguro-saúde privadas que adotam a mesma política estão promovendo um corte em seus custos com qualidade. Isso é poupar a saúde pública de gastos também. Vale no Japão e, você sabe, também vale no Brasil.

Ou você acha que o melhor é remediar antes de prevenir?

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Qualquer aluno de Econometria poderia ter feito este exercício!

Não, não estou desmerecendo o trabalho do pessoal do BCB que fez esta breve nota sobre os índices de confiança e previsão. Pelo contrário, eu os parabenizo pela didática e pelo excelente trabalho. Idéia simples (no fundo, uma aplicação de modelos ARIMA/VAR com um pouco de criatividade).

Os exercícios levam em conta indicadores de atividade econômica e, para cada um, comparam o poder preditivo de um modelo autorregressivo univariado com o poder preditivo de um modelo semelhante, mas que também contenha o índice de confiança correspondente entre as variáveis explicativas. As estimações foram obtidas usando janelas móveis e a escolha das defasagens obedeceu a critério de informação bayesiana. A partir de previsões contemporâneas e um passo à frente, foram obtidos os erros quadráticos médios das projeções de cada especificação e, então, computada a estatística de Diebold e Mariano (1995) para testar a capacidade preditiva dos modelos.

Algo assim, simples, é que a gente gosta de ler nas manhãs de sábado, não é? Eu respondo para vocês: é. Ah sim, a conclusão:

Em resumo, os exercícios apresentados neste boxe indicam que, dentre os índices de confiança analisados, o ICI e seus componentes se destacam ao fornecer informação tanto para o presente quanto para o futuro próximo sobre a dinâmica de diferentes variáveis de interesse para os agentes econômicos.

Então, vejam só, leitores, quais seriam as consequências desta conclusão para nosso entendimento da realidade econômica? Ora, se índices de confiança ajudam na previsão dos indicadores econômicos, então estamos dizendo que, de alguma forma, a racionalidade dos agentes não está tão descolada assim da realidade, não é mesmo?

Uma evidência empírica como esta me faz imaginar que uma função consumo não poderia ser tão simples a ponto de não incorporar algum elemtno de expectativas quanto ao futuro, não acha?

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Dicas para o ministro da fazenda não ficar nervosinho

20140405_082206

Tem uns 20 anos que fiz estas anotações? Tem. Mas a utilidade delas não muda com o tempo. Aliás, você já viu o último Relatório Trimestral de Inflação? Veja lá as perspectivas para a evolução da dívida pública.

Caso você prefira debater a Copa do Mundo, veja este outro trecho do Relatório, muito interessante, sobre o impacto de megaeventos esportivos sobre a inflação. A notícia é que, se há algum efeito, ele é inflacionário. Os autores do relatório, claro, dizem a mesma coisa de forma mais educada:

Em resumo, este boxe apresenta estimativas de impacto de megaeventos esportivos sobre a dinâmica dos preços ao consumidor do país sede. Nesse sentido, sugere que choques decorrentes da realização de megaeventos podem ser ligeiramente inflacionários.

Pois é. Outro dia destes eu conto para vocês sobre o que eu e uns amigos achamos acerca desta história de Copa do Mundo e impactos econômicos, ok?

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Momento R do Dia – invertendo coordenadas

Li no Estadão (para assinantes) a matéria sobre o índice Zara para ver o custo das roupas por países (versão aberta aqui) publicado por técnicos do BTGPactual. Pensei comigo mesmo: por que não tentar fazer um infográfico primitivo, baseado no gráfico original publicado pelo jornal?

Tabulei os dados (são vinte e um países apenas) e veja só:

zaraindex

Claro, eu poderia ter caprichado nos títulos, nomes dos países com acentos, etc. Ah sim, o jornal fala de dois índices, um com ajuste para variação cambial e outro sem e eu usei o primeiro.

O interessante, neste caso, é que o o gráfico foi gerado pelo comando qplot do pacote ggplot2. Digo, o interessante mesmo é que este comando tem flexibilidade suficiente para que eu faça o diagrama em X  x Y ou em Y x X. Em outras palavras, é fácil inverter as coordenadas cartesianas. Os dados, para você reproduzir, estão aqui:

country índice_zara_ajustado
Portugal -17
Espanha -25.4
Grecia -11.8
Holanda -23.2
Monaco -25.8
Luxemburgo -29.9
Irlanda -22.2
França -25.8
Alemanha -19.3
Belgica -25
Italia -19.2
Canada -19.1
Inglaterra -14.1
Polonia 54.2
China 42.1
Japao -0.8
Dinamarca -26.6
Suecia -21.2
Noruega -22.4
Suiça -27.4
Brasil 49.4

Agora, os comandos, em R, são bem simples.

zara<-read.table(file="clipboard",sep="\t", header=TRUE)
zara
library(ggplot2)
model<- qplot(country, índice_zara_ajustado, data = zara)+coord_flip()
model

Capriche mais e troque meu comando do qplot por este:

model<- qplot(country, índice_zara_ajustado, main="Índice Zara (descontado o efeito cambial)", data = zara)+coord_flip()

Fica mais bonito com um título, não?

Então é isso. A única coisa chata da história é que roupa, no Brasil, é artigo de luxo mesmo…

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Outra pesquisa do IPEA que está errada

Assista o vídeo. Como o Sachsida ressaltou, é uma ótima oportunidade do IPEA buscar voltar ao bom caminho da pesquisa sem tropeços estatísticos acompanhados de divulgação “midiática”. Além de tudo, ele dá uma pequena aula de Econometria/Estatística ao analisar os erros da pesquisa.

Eu sei que a tentação do ativismo é grande ao observar uma pesquisa, mas você deve evitá-lo.

Violência contra a mulher?

Sobre a pesquisa anterior, o Prosa também deu seu pitaco, aqui. O Estadão publicou um pequeno texto sobre o tema, entrevistando o Marcos Fernandes e Cileda Coutinho. Não sei se os leitores deste blog checaram a data da pesquisa, mas a profa. Coutinho tem um ótimo ponto:

“Antes de publicar, tem de fazer uma verificação e, para evitar erros, você faz mais de um tratamento com os dados. O instituto falhou em não fazer todas as checagens.”

A pesquisa está aqui e o primeiro parágrafo parece uma panfletagem – vocês, do IPEA, vão me desculpar, mas é a impressão que dá. Quem começou isto tudo? Pode-se ler no relatório que o início da pesquisa, com análise de questionários e tudo o mais começou em 2012.

A pesquisa intitulada “Tolerância social à violência contra a mulher” foi inspirada numa grande pesquisa nacional realizada na Colômbia, em 2009, com o objetivo de investigar hábitos, atitudes, percepções e práticas individuais, sociais e institucionais no que diz respeito à violência de gênero. No Brasil, formou-se, em 2012, um grupo de trabalho entre ONU Mulheres, Cfemea e Ipea para adaptar o questionário e levantar possibilidades de realização da pesquisa em nosso país. Os resultados foram a aplicação de um questionário em serviços de atendimento às mulheres em situação de violência do estado do Rio de Janeiro, com o foco na concepção de “tolerância institucional”, e de um questionário no âmbito do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), do Ipea, para uma amostra representativa do conjunto da população brasileira, com o objetivo de se aferir uma “tolerância social”, ambos no ano de 2013.

Então a ONU Mulheres, o Cfemea e o IPEA começaram a conversar em 2012 e publicaram a pesquisa em 2014.

Pois é. Mas, como diz o Marcos, há um problema de Economia Política aí:

“O problema desse trabalho é que ele parece mais guiado por ideologia do que pela ciência. E é muito perigoso quando um instituto de pesquisa permite ser mais guiados por interesses políticos e ideológicos do que pela pura pesquisa para identificar características básicas de como a sociedade brasileira se organiza, de como os brasileiros pensam, sobre suas crenças, e assim por diante”, explicou o professor.

Agora que todos já entenderam os problemas envolvidos na pesquisa, ficam perguntas no ar para futuras investigações: (1) por que a demora na checagem e crítica dos questionários?; (2) quais os interesses políticos envolvidos neste episódio? e, finalmente, (3) como investigar de maneira tecnicamente correta o problema da violência na sociedade brasileira?

Explicação aos nazi-fascistas, socialistas e outras tribos (com ou sem tatuagens)

Não é uma questão de ideologia, é uma questão técnica. Eu sei que você, nazista, enxerga muita tolerância com judeus no Brasil e acha que o país está entregue ao capital estrangeiro judaico. Mas os dados dizem isto? Não?

E você, que não gosta do nazista que acabo de citar? Acha que só sua percepção individual é válida, mas não a dele? Não senhor(a), você também está errado. As respostas para as suas perguntas – e também para as do nazista – só podem ser investigadas por métodos que tenham validade científica mas já vou adiantar: validade científica não vai te dar 100% de certeza nunca. Trata-se de Estatística.

Sim, é por conta de sua humanidade – e de suas inseguranças – que você costuma querer desprezar a Estatística e se ancorar em seus preconceitos. Ah, você conversou com seus amigos e eles pensam como você. Nada mais óbvio. Você geralmente se relaciona com gente parecida, o que não quer dizer que você consiga enxergar a média ou a mediana da sociedade.

Então é bem simples. Há uma diversidade de métodos estatísticos e todos estão sujeitos a erros. O seu tempo – assim como o meu – é escasso. Quanto mais tempo você se dedica a debater a ideologia, menos tempo aplica para entender o poder e as limitações destes métodos. Há uma escolha, portanto, a ser feita: ou você vira um militante e funda uma ONG (e, sim, paga caro (pouco) por boas (péssimas) análises estatísticas) ou você estuda mais os métodos. Não é uma escolha binária, mas é, ainda assim, uma escolha.

Eu disse antes e vou repetir: você é quem escolhe o que vai ser. Então, se seu objetivo é, de fato, diminuir a violência contra as mulheres (ou contra todos, mulheres ou não), você tem que escolher a forma mais eficiente de colaborar com este belo objetivo (eu sei, na história, é um objetivo recente, mas é nobre ainda assim). Caso sua escolha seja a da militância pura e simples e caso a sociedade tenha, em sua grande maioria, escolhido a militância pura e simples, então haverá escassez de bons técnicos ou de bons policiais. Resultado? Ligue os pontos.

UPDATE: O Leo Monasterio finalmente deu sua palavra sobre o caso.