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Que ótima notícia

Esta aqui.

April 2, 2014
The time-series data of responses to the regularly asked questions in the Opinion Survey on the General Public’s Views and Behavior are now available in English on the Bank’s web site.

Infelizmente, a série é curta (você consegue abrir o link do arquivo csv direto no Excel). Mas já é alguma coisa. ^_^ Só para você ver uma parte da pesquisa (no item: Present Economic Conditions Compared with One Year Ago)

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Aparentemente, o otimismo voltou à economia japonesa. Então são duas ótimas notícias: mais uma base de dados disponível e a felicidade da população de um país com a economia. Vamos ver até quando vai durar este casamento com a Abenomics.

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Convergir ou não convergir…eis a questão!

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“Belas são as coisas que vemos Mais belas, as que entendemos Muito mais belas, as que não compreendemos”. (Nielsen Steensen (Steno), 1638-1686 – citado em: Barrow, J.D. “A origem do universo”, Rocco, 1995)

É, ponto de sela não é mole não. De vez em quando eu me pego relendo antigos cadernos e anotações dos tempos do mestrado ou do doutorado. Geralmente isto acontece quando estou cansado ou passo por algum choque estocástico negativo.

Os bons tempos…

Os tempos do IPE-USP foram tempos de muita emoção. Por mais que se conte aos mais novos, ninguém nunca percebe exatamente a extensão do choque entre a passagem da graduação para o mestrado. Gerações e gerações de ex-alunos meus repetem o mesmo rito: acham que é exagero, que certamente farão melhor porque já sabem que é difícil e, no final, escrevem-me dizendo que eu tinha razão. Não é estranho ao leitor que está em um mestrado esta sensação. Bons mestrados são locais em que o sujeito estuda para não ficar para trás.

Na época do PPGE-UFRGS, no doutorado, o choque foi um pouco menor, mas a carga de leituras nunca mais diminuiu. É bem verdade que a biblioteca era muito menor do que a inesquecível USP, mas já era uma época em que você encontrava muita coisa na Internet. Também não foram tempos fáceis.

Convergir ou não convergir…esta é uma das questões!

A outra é se existe algum local para onde convergir. Afinal, existe equilíbrio? Caso ele exista, é único? É estável? A sequência de perguntas vira piada depois de um tempo. Quando surgem as expectativas racionais, aí pronto, é ponto de sela para todo lado. O sujeito se sente o próprio John Wayne, cavalgando sobre diferentes selas em uma corda bamba cercada de erros aleatórios por todos os lados.

Será que tudo isto valeu a pena? Não sei. Mas sei que isto aqui é bonito.

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O código está aqui.

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A tal pesquisa do IPEA, corrigida: refaça seu cartaz de protesto

O IPEA deu um importante passo na direção correta, embora já tenha causado uma imensa externalidade negativa: corrigiu sua pesquisa que, bombasticamente, insinuava que a sociedade brasileira era um inferno machista.

Na verdade, 26% dos entrevistados concordaram com essa afirmação e 70% discordaram total ou parcialmente (veja arte divulgada pelo Ipea abaixo). Segundo o instituto, houve inversão dos resultados na hora de divulgar os resultados.

“Com a inversão dos resultados, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias”, diz a nota do Ipea.

 

Então, 26% dos entrevistados, de uma amostra composta predominantemente por mulheres concordavam com uma afirmação que, em si, já é complicada. O número anterior era 65% o que dá, vamos lá, 39 pontos percentuais de diferença. Não é por acaso que o diretor responsável pediu sua própria exoneração: trata-se de uma diferença muito alta, dentro de qualquer padrão aceitável.

Obviamente, os comentários sobre a notícia são os mais diversos (de nível intelectual pior, igual ou melhor do que o que se espera de uma pessoa minimamente educada). Há os que acham que o IPEA errou porque não confirmou suas crenças pré-concebidas (preconceitos) de que, sim, a sociedade brasileira é machista, e há os que acham que o IPEA não tem credibilidade alguma por conta do evento.

Deixando de lado o culto à ignorância, o fato é que o IPEA sai desta história com um grande arranhão em sua excelente história. Não sou daqueles que vai recomendar o obscurantismo e o fim das consultas aos dados do instituto. Continuarei com a mesma recomendação que sempre fiz: leia a pesquisa antes de falar dela, seja você o divulgador da mesma, aquele que a fez (e, neste caso, tome cuidado com o que vai dizer que a pesquisa diz…) ou o leitor que pretende ficar famoso com polêmicas (ou tirando a roupa e se manifestando). Não há outro remédio.

Para o IPEA, fica sempre o desejo de que os técnicos façam sempre um bom trabalho e evitem o caminho fácil da fama por meio de resultados bombásticos, que dão ibope, mas que estão errados. Tenho bons amigos lá neste órgão e sei que eles gostariam de que tudo isto jamais tivesse acontecido. A vida deles não tem sido fácil nos últimos 12 anos, eu sei, mas não precisavam disto.

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Acho que o mercado já precificou…

…embora o João Mellão esteja na dúvida sobre se a presidente consegue manter sua mitológica fama de “gerentona”. Até onde me dizem, ela gritava e xingava muito, mas não necessariamente era eficiente. O resultado é que os funcionários da Petrobrás, seu sindicato, enfim, todos, estão…………………..calados sobre o que anda acontecendo porque….

Bem, eles estão bem calados mesmo. Engraçado, sempre achei que eram todos muito preocupados com o que se faz com o patrimônio nacional e tudo o mais. Esta situação toda está muito chata para quem é contribuinte e sabe que a conta vai ser paga não pela presidente, não pelo diretor da Petrobrás e também não pelos que estão na Papuda quase exigindo que o Judiciário se curve perante seus pés: a conta é sua, minha, é de quem vier, quem vier…

Para mim, o mercado já precificou esta bagunça toda. Ainda bem que mercados são mais ou menos livres no país: assim conseguimos enxergar seus sinais sem maquiagem governamental.

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Oreo econométrico?

テスト中
オレオのパック
あけるおと
Então você está lá, aplicando uma prova tensa, seguindo suas regras calmamente e, subitamente, ouve o barulho de um pacote de biscoitos sendo remexido. Trata-se de um pacote de “Oreo”.
Quando você vê, sua ajudante, a outra professora, está com o rosto vermelho, visivelmente constrangida – embora visivelmente feliz com o abrir do pacote – em frente à turma. Todos continuam fazendo suas provas tensos, mas algo ali no ar mudou. Nunca se faz a mesma prova duas vezes na mesma sala (notadamente depois de um pacote de Oreo devidamente manipulado).
Não deu outra: registrei o momento com um Senryuu. Sim, este aí do alto. A época de provas é uma época de muita inspiração.
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Ainda a liberdade de imprensa (sempre ajudando os jornalistas aqui…)

Algumas pessoas me perguntaram sobre o porquê de um economista dar tanta importância as uns jornalistas assassinados (meta-amarildos?) ou à liberdade de imprensa.

Bem, talvez porque eu esteja no meio daqueles que aprenderam algo sobre o papel das liberdades no desenvolvimento econômico e, claro, também porque eu estudei um pouco o tema. Como assim? Ué, assisti a algumas aulas, como todo bom estudante. Não cheguei a fazer este curso inteiro, mas recomendo-o. Veja sobre o que trata o curso:

In the Information Age, media is everywhere. This course will help you make sense of it all, providing insight into the structure of media firms, the nature of their products and how they make money.

Is media biased? Is consolidation of media companies bad for consumers? This course will address those questions as well as how the government affects the structure of media through policies such as net neutrality, copyright, TV regulation, and spectrum allocation.

This course will provide a general background on the research from economists on media and journalism. There will be a lot of economics and not too much math.

Só temas que aparecem em debates pela rede. Difícil imaginar alguém que não queira assistir algumas aulas sobre o tema antes de voltar a discutir temas polêmicos, não? Eis aí, por exemplo, um tema que muita gente pensa entender.

Divirtam-se!

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Soluções privadas? ou “Instituições informais aqui e lá”

O papel das instituições informais é sempre um tema de texto por aqui, não é? Então, veja este interessante artigo jornalístico sobre o Japão. Em resumo:

The vagaries of theology in Japan are now being turned to in an effort to curb a growing problem in many neighborhoods, as people are putting up small versions of the torii gates that mark Shinto shrines to prevent people from illegally dumping waste, whether produced by their lifestyles or bodies.

O autor vai ao ponto: é difícil dizer se um japonês “tem religião”, mas é fato que se respeita alguns símbolos religiosos por lá. Veja, o “Torii” é o portal (torii gate) existente por todo o Japão. Lá, ele tem um significado tal que, se não evita em 100% o problema, pode ter algum efeito.

Assim, embora tenhamos fotos como esta…

…no Brasil, o belo Torii que existe no bairro da Liberdade em São Paulo não só não tem qualquer significado religioso (ninguém se preocupa em passar fora de seu centro, por exemplo), como também é, ele mesmo, alvo de depredações.

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Veja aí: não apenas foi alvo de vandalismo como tem lixo (lixo!) amontoado ao seu lado. O Torii da Liberdade não é entrada de templo shintoísta (ou, na grafia que vocês, mais antigos, conhecem; xintoísta) e eu não esperaria mesmo algum respeito mais sério. Mas daí a pichá-lo, usá-lo para colar cartazes ou encosto de lixo é um sinal de que, no Brasil, os bens públicos são tratados de forma igual (ou pior?) do que previsto pela teoria econômica. Afinal de contas, este aí é só um monumento, não é? Deve representar o sonho dos imigrantes que vieram para o Brasil ou algo assim. Seu poder dissuasório, como se percebe, é zero.

A lição que tiramos desta história é que algo que resolve (ou ajuda a resolver) um problema de bem público em uma sociedade pode não funcionar na outra. A parte triste é que não funciona aqui, neste país.