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Quando o assunto é oposição, todo jornalista vira ricardiano

O editorial do Asahi Shimbun de hoje, como não poderia deixar de ser, faz a crítica ao aumento de impostos citando a questão dos gastos públicos. O jornal tem sido sempre um crítico da administração atual e, portanto, não surpreende o tom ricardiano do texto.

But the Abe administration is ramping up the budget, claiming the tax increase create fresh room for spending growth or that public spending should be increased to prevent the economy from losing steam. The administration’s spending binge raises serious doubts about its commitment to the original purpose of integrated tax and social security reform.

Interessante notar que, do ponto-de-vista do editorial, a administração atual segue por um caminho parecido com o da Reagonomics, com aumento de impostos e aumento de gastos. Não é um editorial qualquer. Ao contrário do que leio na imprensa nacional, a qualidade da crítica vai além:

A study of past government attempts to improve their fiscal health found that successful efforts were focused more on spending cuts than on tax hikes. The survey was conducted in the late 1990s by Alberto Alesina, a professor of political economy at Harvard University. Alesina wrote a paper on the study, which looked into various attempts for fiscal rehabilitation made by industrial nations since 1960 onward. In successful cases, the ratio between spending cuts and tax hikes was around 7 to 3.

Este estudo já foi citado por aqui, salvo engano, pelo ex-ministro Delfim Netto, lá nos idos da primeira administração da Silva (vulgarmente conhecido como “Lula”). O artigo do Alesina fazia esta comparação entre cortes de gastos ou aumentos de impostos como estratégia de ajuste pró-crescimento.

A questão do crescimento econômico japonês deveria passar pela parte microeconômica da Abenomics: as reformas de flexibilização dos mercados. Sobre esta, ainda não vemos muita coisa. Os planos da administração Abe certamente seriam mais interessantes se pudéssemos ver medidas mais concretas de estímulo ao setor privado na economia. O editorial, que reclama da “carga que foi transferida para as gerações futuras” (num tom claramente ricardiano), coloca-nos, portanto, uma questão importante destas reformas que governos nos prometem: onde está o aumento da concorrência privada e o efeito crowding-in do investimento público com o privado?

Eis aí uma pergunta que eu gostaria de ver respondida.

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